A virada de Salvador | Editorial do Jornal A Tarde

Editorial do Jornal A Tarde critica atuação do prefeito ACM Neto, afirma que gestão municipal não tem o que apresentar no setor social e que alcaide adota política ‘Panem et Circenses’ da Roma Antiga.

Editorial do Jornal A Tarde critica atuação do prefeito ACM Neto, afirma que gestão municipal não tem o que apresentar no setor social e que alcaide adota política ‘Panem et Circenses’ da Roma Antiga.

Inaugurar uma passarela na orla marítima do Boca do Rio, onde Salvador receberá um evento de grandes proporções neste fim de ano (2017/2018), é, no mínimo, pavimentar o próprio palanque político numa festa com gastos públicos que rondam a casa dos R$ 12 milhões, além da contrapartida do investimento privado devidamente acolhido pelo prefeito ACM Neto. Com o Festival da Virada de Salvador, o Réveillon de cinco dias, que durará de 28 de dezembro a 1º de janeiro de 2018, o chefe do Executivo soteropolitano coloca em pauta a funcionalidade e razão social destas enormes festas, que por um lado impulsionam a economia local por meio do incremento do setor turístico e cultural, dão robustez à relação entre a administração da cidade com  o eleitorado, mas também a simpatizantes que eventualmente repercutirão nas redes sociais a experiência na festiva Salvador. E está tudo bem para tamanha festa? Qualquer semelhança com o ‘Panem et circenses’ da Roma Antiga é sugestiva semelhança.

Mas se às massas e à opinião pública ACM Neto quer entregar a ‘grande virada’ do Brasil, com previsão, segundo ele, de atrair mais de dois milhões de pessoas a Salvador, nos bastidores da política, o espírito de votos de paz e esperança para um novo ano diferente logo se esvaziam quando se pensa que tudo, também, é feito com foco na rivalidade com o governador do estado, Rui Costa. Seja na tentativa de provar quem está certo quanto à situação e relação da Bahia com o governo federal, ou sobre os erros e acertos do estado ou município nestes últimos anos, não existe festa que possa tampar os gargalos em termos de finanças, do desenvolvimento social ou avanço nas políticas públicas.

A virada do ano em Salvador, na bela festa que reúne diversos elementos que explicam e afirmam o povo baiano para Brasil e para o mundo, também carece de virtuosos feitos políticos do Executivo local, sobretudo na geração permanente de emprego e renda, permitindo celebrar a chegada de 2018 com uma real esperança de que o brilho dos fogos vai se manter além do findar da festa.

*Editorial do Jornal A Tarde, publicado em 29 de dezembro de 2017.

— Panem et circenses

Panem et circenses foi uma política desenvolvida durante a República Romana e o Império Romano. Os historiadores acreditam que a expressão “Pão e Circo” foi usada pela primeira vez pelo poeta satírico Juvenal em suas Sátira. Nascido em uma família de aristocratas, suas obras além de imbuídas de fortes valores morais, demonstram certa aversão para com a plebe romana. Acredita-se que a causa desse repudio seja a pobreza que acometeu Juvenal em sua velhice tendo que se tornar um cliente, algo visto como um estatuto de inferioridade pela aristocracia romana. Juvenal descreve a plebe como viciada, apática e dependente do pão e do circo dado pelo Império Romano, por esse motivo alguns historiadores acabaram utilizando dessa expressão para designar o controle da plebe pelos imperadores feito através do pão (distribuição do trigo) e do circo (espetáculos).

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