Salvador: espetáculo Solo Iyá Ilu está em cartaz no Teatro Sesc Senac Pelourinho

Cena do espetáculo Iyá Ilu.

Cena do espetáculo Iyá Ilu.

Uma performance de pouco texto e muitas palavras. A água que conta as histórias das yabás, dos corpos negros naufragados no atlântico e dos fluídos corporais que expressam sentimentos. O som do tambor que cria imagens ancestrais. As cores futuristas em desenhos ancestres. Os drives sonoros percussivos.

Esse é um pequeno resumo do espetáculo solo Iyá Ilu, ritual afro futurista de saudação a Ayan – a deusa do tambor, da atriz e musicista Sanara Rocha, com direção de Andrea Martins, a ser apresentado na sexta-feira (10/11/2017), no Teatro Sesc Senac do Pelourinho, em Salvador pelo Natas em Solos – Seis Olhares Sobre o Mundo, ação com do Núcleo Afro-Brasileiro de Teatro de Alagoinhas – NATA, que faz parte do Oroafrobumerangue.

Esse projeto conta com o apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura da Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, aprovado no Edital Setorial de Teatro da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), ocorrerá de 09 a 18 de novembro (quinta-feira, sexta-feira e sábado, às 20 horas), no Teatro Sesc Senac Pelourinho.

O solo propõe uma discussão com o universo da musicalidade nas cerimônias sagradas, que interditam a presença feminina a frente dos tambores sagrados. Questiona as “tradições” e procura estabelecer diálogos com a tradição e a contemporaneidade. A partir desse desejo, Sanara Rocha se debruça no mito de Ayan e na invenção do tambor batá de culto a Xangô, que deu origem ao candomblé no Brasil.

“Em Corpo e Ancestralidade de Inaycira Falcão, a autora nos explica que Ayan era uma mulher errante, que andava para cima e para baixo com um tambor de couro ruim. Exu lhe presenteia com o couro certo e, a partir de então, ela tocou de uma forma tão eximia que todo mundo se encanta e o próprio Xangô, que a leva para tocar no culto dele”, conta.

Iyá Ilu traz para cena o teatro pós-dramático e performático alinhado com conceitos “afro-centrados, que dialogam com a produção contemporânea negra”, como o afrofuturismo. “Tina Melo, que concebe a maquiagem corporal, trouxe a mistura dos adinkras (desenhos africanos) com cores neon; Andrea Martins, que é minha colaboradora poética, produtora musical e também compositora musical deste projeto, combinou a música percussiva (orgânica) com a eletrônica”, reforça Sanara Rocha.

Solos

O Natas em Solos é um projeto artístico-investigativo-formativo que consiste na apresentação de seis solos concebidos e realizados pelos intérpretes/criadores do NATA a partir das pesquisas cênicas individuais destes artistas. “O Natas em Solos visa potencializar o interesse e as necessidades individuais de cada intérprete, enriquecendo-o e ampliando nossos horizontes artísticos criativos”, declara Fernanda Júlia, coordenadora artística do grupo.

O público poderá conferir no Teatro Sesc Senac Pelourinho os espetáculos As Balas Que Não Dei Ao Meu Filho, de Antônio Marcelo (09/11); Iyá Ilu, de Sanara Rocha (10/11); Impostor, de Daniel Arcades (11/11); Mundaréu, de Thiago Romero (16/11); Rosas Negras, de Fabíola Nansurê (17/11), e Gbagbe, de Nando Zâmbia (18/11). O Natas em Solos – Seis Olhares Sobre o Mundo e o Oroafrobumerangue têm a produção executiva da Modupé Produtora.

Agenda

O quê: Iyá Ilu – solo com Sanara Rocha

Quando: 10 de novembro (sexta-feira), às 20 horas

Onde: Teatro Sesc Senac Pelourinho, em Salvador.

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