Rio de Janeiro: Anthony Garotinho faz parte de organização criminosa, diz juiz que determinou prisão; ex-governador contesta e diz que é vítima de perseguição

Ex-governadores do Rio de Janeiro Rosângela Barros Assed Matheus de Oliveira (Rosinha Garotinho) e Anthony William Matheus de Oliveira (Anthony Garotinho) foram presos pela PF.

Ex-governadores do Rio de Janeiro Rosângela Barros Assed Matheus de Oliveira (Rosinha Garotinho) e Anthony William Matheus de Oliveira (Anthony Garotinho) foram presos pela PF.

O presidente nacional do Partido da República (PR), Antônio Carlos Rodrigues, o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony William Matheus de Oliveira (Anthony Garotinho) e a esposa dele, a também ex-governadora sângela Barros Assed Matheus de Oliveira (Rosinha Garotinho) fariam parte de uma organização criminosa, conhecida no meio político como Orcrim. A acusação foi feita pelo juiz eleitoral Glaucenir Silva de Oliveira, da 98ª Zona Eleitoral, de Campos dos Goytacazes, que determinou hoje (22/11/2017) a prisão preventiva dos três e de mais cinco pessoas por envolvimento em operações de caixa 2, algumas delas com o gripo JBS, no total de R$ 3 milhões.

Segundo Oliveira, havia uma estrutura bem determinada, com divisão de tarefas, envolvendo empresários, políticos e secretários de governo do município de Campos durante o período em que Rosinha foi prefeita da cidade, entre 2009 e 2016. Parte das informações foi obtida por meio da colaboração do empresário André Luiz da Silva Rodrigues, dono da empresa Ocean Link Solutions Ltda, que realizou contrato simulado com a JBS para viabilizar o pagamento de milhões à campanha de Garotinho ao governo do Rio de Janeiro em 2014.

A ex-governadora do Rio de Janeiro Rosinha Garotinho é presa pela Polícia Federal  Phelipe Soares/NF Notícias
O juiz cita o presidente nacional do PR, Antônio Carlos Rodrigues, como beneficiário de propina no valor de R$ 20 milhões, provenientes da JBS, também na campanha de 2014, para garantir apoio da sigla à reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff.

“Ressalto a participação na Orcrim do réu Antônio Carlos Rodrigues, que ressai da colaboração premiada oferecida na Operação Lava Jato pelo executivo da JBS Ricardo Saud. Segundo esclarecido pela testemunha, ao longo do segundo mandato do governo do ex-presidente Lula [Luiz Inácio Lula da Silva] e no decorrer do governo Dilma na Presidência da República, a empresa teria que pagar propina ao PT e ao PMDB com vistas a obter facilidades no governo federal, sendo certo que em 2014 a empresa teria que pagar propina de R$ 20 milhões de reais ao PR, para obter seu apoio para a reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff”, afirmou o juiz.

Além da prisão preventiva de todos os denunciados, o juiz determinou o sequestro dos bens móveis e imóveis, bem como o bloqueio de dinheiro existente em nome dos réus e das empresas Macro Engenharia e Ribeiro Azevedo Construções. Também foi determinada a busca e apreensão de telefones celulares, computadores, mídias, pen drives ou documentos dos acusados que possam ajudar a elucidar os crimes descritos na denúncia.

Oliveira também ordenou o imediato afastamento de Anthony Garotinho e Antônio Carlos Rodrigues dos cargos de presidente estadual (RJ) e nacional do PR, respectivamente.

Acusados

Em nota, o PR informou que não irá se pronunciar sobre decisões judiciais. “O mesmo se aplica aos conteúdos que aguardam pelo exame do Poder Judiciário”.

Também em nota, o ex-governador Anthony Garotinho disse que a operação desta quarta-feira mostra que ele vem sofrendo perseguição política e que não tem nenhuma relação com a Operação Lava Jato.

Garotinho foi levado para um quartel do Corpo de Bombeiros, no bairro Humaitá, a pedido da Vara de Execuções Penais (VEP), até a transferência para uma unidade prisional.

De acordo com a nota, o ex-governador não foi encaminhado para a cadeia pública José Frederico Marques, em Benfica, por causa de uma suposta ameaça feita pelo presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Jorge Picciani, que está preso no local.

Anthony Garotinho diz que é vítima de perseguição

O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, preso nesta quarta-feira junto com a mulher, Rosinha Matheus, em nota divulgada, afirmou que vem sendo vítima de perseguição desde que denunciou o esquema do também ex-governador Sérgio Cabral na Assembleia Legislativa do estado.

Com o título “Querem Calar o Garotinho mais uma vez”, a nota destaca que o pedido de prisão é assinado pelo mesmo juiz que o levou para cadeia no ano passado, Glaucenir de Oliveira, logo após ele ter feito denúncias contra o Judiciário do estado.

Sustenta, que não cometeu qualquer crime e afirma que foi alertado por um agente penitenciário que em um encontro entre Sérgio Cabral e o deputado estadual Jorge Picciani, o parlamentar teria ameaçado a vida dele.

Garotinho foi levado para o quatel do Corpo de bombeiros no Humaitá, na zona sul carioca e não para a cadeia pública em Benfica, na zona norte, onde estão Cabral e Picciani.

Já Rosinha foi levada para um presídio feminino em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense.

A AMAERJ – Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro também divulgou nota manifestando apoio ao juiz eleitoral de Campos dos Goytacazes, citato por Garotinho.

Segundo o comunicado, várias vezes o ex-governador fez acusações sem provas contra integrantes do Judiciário fluminense, mistura fatos e personagens e que o objetivo de Garotinho é confundir o público, se vitimizar e desviar o foco do processo judicial, que resultou em sua nova prisão.

Garotinho é acusado de liderar esquema de contratos fraudulentos para financiamento de campanhas eleitorais dele e de seu grupo político.

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