O novo e ousado projeto de Gilberto Gil: uma ópera sobre o amor do deus hindu Krishna

Gilberto Passos Gil Moreira.

Vishnu, o deus de quatro braços protetor do universo no hinduísmo, pode vir ao mundo em diferentes formas: como humano, animal ou até uma combinação dos dois. Em 2018, ele aparecerá como Gilberto Gil.

Vishnu, o deus de quatro braços protetor do universo no hinduísmo, pode vir ao mundo em diferentes formas: como humano, animal ou até uma combinação dos dois. Em 2018, ele aparecerá como Gilberto Gil. O cantor baiano de 75 anos encarnará a divindade nos palcos em Negro Amor , ópera que compôs ao lado do maestro italiano Aldo Brizzi.

O espetáculo é baseado em O Gitagovinda de Jayadeva: Cantiga do Negro Amor , poema do século 12 de Jayadeva traduzido do sânscrito para o português pelo artista gráfico e um dos mentores da Tropicália, Rogério Duarte, morto em 2016. A obra narra a história de Krishna, o deus do amor, e da camponesa Rhada.

Caberá a Arnaldo Antunes uma das representações de Krishna e à cantora portuguesa Ana Moura, a de Rhada. O deus Vishnu, de Gil, será um dos narradores.

O projeto era um sonho antigo do hare krishna Duarte, criador, entre outras imagens clássicas, do pôster de Deus e o Diabo na Terra do Sol , de Glauber Rocha.

“Em 2010, o Rogério me chamou um dia lá em Salvador e perguntou se eu poderia transformar em uma ópera o livro que ele tinha adaptado. Eu só respondi: você está maluco?!”, lembra Brizzi, diretor do Núcleo de Ópera da Bahia.

Loucura

A proposta “descabida” surgiu depois que Duarte pediu a alguns amigos, como Caetano Veloso e Gil, que transformassem em música algum dos poemas cheios de erotismo. Após ouvir a composição feita por Brizzi, que tinha um jeito operístico, Duarte pensou em algo mais ambicioso.

“Falei que era uma loucura, porque montar uma ópera é algo insano como fazer um filme, é um processo longo”, diz Brizzi à BBC Brasil.

Um tempo depois, o maestro contou a ideia a Gil e perguntou se ele toparia ter um papel nessa ópera e mostrou o material que já havia composto. O cantor topou e passou a ir à casa de Brizzi em Salvador para trabalharem juntos. Começaram então a criar a ópera, que tem 45 canções – faltam apenas cinco a serem compostas.

“Essa ópera fala do amor em todos os graus possíveis, de paixão, erotismo, ciúme, solidão, raiva. Só que aqui o amor, a paixão, é de um ser humano por um deus. E o grande lance é que quando o deus se apaixona por ela, ela não quer mais ele. E esse deus fica desesperado. Então os elementos são mais sutis do que em uma história tradicional”, adianta Brizzi.

Orquestras locais

Há alguns dias, no Barbican, em Londres, no show Prelúdio , em que Gil se apresenta com o Cortejo Afro sob regência de Brizzi, eles apresentaram pela primeira vez canções do espetáculo.

Apresentaram três peças da ópera que tem elementos da música popular brasileira. O resultado agradou ao público não só de Londres, mas também de Helsinque e Basel, cidades em que se apresentaram na sequência. “Muitas pessoas vieram perguntar do projeto querendo entender como fizemos essa mistura de estilos”, conta Brizzi.

Após o show em Londres, Gil disse à BBC Brasil estar muito animado com o projeto, diferente de tudo que fez nos últimos anos, e em poder cantar essa história que mistura amor com divindade.

A ópera está prevista para estrear no Brasil no segundo semestre de 2018, no Theatro Municipal do Rio. Segundo Brizzi, 70 músicos farão parte do espetáculo e a ideia é que haja a participação das orquestras locais das cidades onde eles vão se apresentar.

O inglês John Dew fará a encenação da ópera, que terá duração prevista de 2h20 e produção da Gegê, de Flora Gil. “Haverá cenário, coro, balé, todos os elementos da ópera”, conta Brizzi. A ideia é que o espetáculo faça uma turnê pela Europa após a estreia.

Mistura de estilos

“A grande diferença de Negro Amor para as óperas tradicionais é que nossos cantores são de música popular atuando como cantores de ópera. E que adicionaremos elementos da música popular brasileira como toques de candomblé, alujá”, diz o maestro.

Em uma das partes de maior sedução do espetáculo, segundo o maestro, deus Vishnu de Gil cantará uma bossa-nova para a amada. Também terá toques de candomblé, alujá”, diz o maestro.

A encenação contará também com dois bailarinos indianos encarnando os avatares de Radha e Krishna – este será Raghunat Manet, nome famoso da dança na Índia.

“O espetáculo começa com uma pergunta às pessoas: ‘O que é o amor para vocês?’ Esperamos que ao final cada espectador possa dar sua resposta após ouvir a história de amor de Krishna e Radha”, diz Brizzi. “É uma ópera para abrir os corações.”

*Com informações da BBC Brasil.

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