Intelectual baiano Moniz Bandeira morre aos 81 anos em Heidelberg, Alemanha

Egas Bandeira, Margot Bandeira e Luiz Alberto Moniz Bandeira em Strasbourg, França.

Egas Bandeira, Margot Bandeira e Luiz Alberto Moniz Bandeira em Strasbourg, França.

Uma das mais destacadas personalidades do campo progressista, Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira faleceu nesta sexta-feira (10/11/2017), aos 81 anos, na cidade de Heidelberg, Alemanha, cidade onde viveu os últimos anos e era cônsul honorário. Desde o último domingo, ele estava internado decorrente de problemas cardíacos. Moniz Bandeira deixa mulher, Margot Bender e um filho, Egas Bender Moniz Bandeira.

Natural de Salvador, nascido em 30 de dezembro de 1935 e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), Moniz Bandeira se destacou pela profícua produção intelectual, através da produção científica elaborada na análise dos conflitos do capitalismo e da estrutura do socialismo.

A primeira obra de Moniz Bandeira foi publicada em 1956, dedicada à poesia, a obra foi intitulada ‘Verticais’. Na sequência, vieram outras 24 obras, em 1967, lança ‘O Ano Vermelho – A Revolução Russa e seus reflexos no Brasil’; em 1992, ‘A Reunificação da Alemanha: do ideal socialista ao socialismo real’; em 2004, ‘As Relações Perigosas: Brasil – Estados Unidos (De Collor de Melo a Lula)’; em 2013 ‘A Segunda Guerra Fria: geopolítica e dimensão estratégica dos Estados Unidos’; e em 2016, “A Desordem Mundial: o espectro da total dominação’.

Títulos e prêmios materializam o reconhecimento público ao trabalho do intelectual Moniz Bandeira. Em 2015 foi indicado ao Prêmio Nobel de Literatura pela União Brasileira de Escritores (UBE), em reconhecimento pelo seu trabalho como “intelectual que vem repensando o Brasil há mais de 50 anos”, segundo o presidente da UBE Joaquim Maria Botelho.

Em 2016 foi homenageado na sede da União Brasileira de Escritores (UBE), com o grande seminário “80 anos de Moniz Bandeira”, ocasião em que sua extraordinária e abrangente obra foi destacada por importantes personalidades do meio acadêmico, político e diplomático.

Ensinamentos

A morte não aniquila a presença do mundo material de pessoas como Moniz Bandeira. Ela torna o trabalho produzido por essas pessoas singular, um referente intelectual a ser revisitado com constância. Observa-se que decorrência da persistência da alienação histórica e do argumento da força é necessário superar o pensamento conservador/reacionário, ensina o intelectual baiano, que recorre ao sentimento de humanismo, dialética do esclarecimento e força do argumento são formas de desenvolver a alteridade.

Notas

Academia de Letras da Bahia lamenta o falecimento de Moniz Bandeira

Com grande pesar, a Academia de Letras da Bahia comunica o falecimento do professor, historiador e cientista político Luiz Alberto de Viana Moniz Bandeira, membro correspondente da ALB, ocorrido na sexta-feira (10.11), na Alemanha.

Moniz Bandeira teve uma importante trajetória de militância política, filiado ao Partido Socialista Brasileiro. Sua posse como membro correspondente na Academia de Letras da Bahia ocorreu em 8 de agosto de 2000.

Leonardo Boff, teólogo e escritor

— Moniz Bandeira, de quem me fiz amigo nos últimos anos, foi quem melhor estudou a política externa norte-americana com referência ao Brasil e à América Latina. Sua erudição era fantástica. Morreu com saudades do Brasil.

Roberto Requião, senador (PMDB/PR)

— Não encontro palavras para exprimir a dor e a perda que sofre a verdadeira intelectualidade brasileira.

Humberto Costa, senador (PT/PE)

— Foi pioneiro no estudo das relações internacionais e uma resistência colossal na defesa dos interesses nacionais.

Carol Proner, professora de direito internacional da UFRJ

— Eu perdi o Luiz, um amigo fraterno, mas o Brasil perdeu o historiador genial, um dos poucos intelectuais capazes de explicar como é que chegamos a esta situação.

Baixe

Biografia de Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira

Entrevista concedida por Moniz Bandeira ao Jornal A Tarde, em 17 de outubro de 2017

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