Em defesa da sociedade | Por Leonardo Pedreira

Sistema de educação da Finlândia produziu uma sociedade equilibrada.

Sistema de educação da Finlândia produziu uma sociedade equilibrada.

O tempo mudou. Não digo sobre as questões climáticas e seus efeitos ambientais. Não. Digo sobre como a sociedade formatou suas estruturas ao longo dos anos e quanto a isso sim, quero dizer que, o clima esquentou.

A forma como vemos e vivemos no mundo não é mais a mesma da última década e em especial, como reagimos às demandas e pressões sociais com seus costumes e valores e o Estado com suas políticas e normas.

É muito provável que aí esteja à questão central desta situação.

O problema, não está nas mudanças, mas, em não aceitá-la, e, sobretudo, acompanhá-la.

Podemos acompanhar diariamente o fato midiático apresentar uma série de convulsões sociais, tais como: racismo, intolerância religiosa, machismo, lgbtfobia, corrupção, e o mais recente e atual, o ódio político ou da “política”. Tudo isto porque simplesmente não aceitamos que o tempo mudou e continuará mudando.

Analisando a situação, percebemos que parte deste impedimento surge e pode ser atribuído às certas instituições sociais, por exemplo: a escola, a família, e, sobretudo, o Estado.

A escola, tomando por modelo as da rede pública, e isto não é uma novidade, excetuando-se as raríssimas exceções, e estão são aquelas em que o corpo diretor da escola assume responsabilidades que, por lei, é – ou deveria – ser do Estado, arcando em não poucos os casos financeiramente com a gestão da mesma, assumem estruturas que mais deformam do que formam. Consequência de uma política inexistente de valorização e prioridade da educação pública em nosso país. Vejamos o caso do milagre da educação na Finlândia e seus impactos na sua sociedade por exemplo.

Enquanto família, precisamos assumir também o papel de formação de sujeitos mais tolerantes, prontos a fugir do conservadorismo ainda resistente a um novo modelo social e também, de família. O papel de participar da constituição de sujeitos autônomos em suas decisões, respeitando suas particularidades e escolhas no ambiente familiar, é um papel importante para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

E o Estado, esse renderia uma tese de doutorado, mas, de forma introdutória e em especial no caso brasileiro, algo está bastante claro, por mais que seja difícil que alguns o aceite. Em defesa da sociedade, é preciso superar o ódio partidário, discutir a reforma política, tributária e o pacto federativo. Abrir espaços efetivos para a participação popular e o estabelecimento urgente de uma política econômica que tenha como objetivo o fortalecimento de nossas empresas estatais e não o seu sucateamento, e, obviamente, a elaboração de um plano político que dê total prioridade ao fortalecimento curricular e estrutural da educação pública em todos os níveis.

Isso é tudo? Claro que não e, devemos discutir em um próximo momento, mas, para isso, vamos por partes, afinal, de 1988 para cá, muita coisa mudou e, em defesa da sociedade, precisamos repensar.

*Leonardo Pedreira é estudante de História na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) ([email protected]).

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