Artigo postado nas redes sociais critica atuação de instituição de ensino de Feira de Santana: “hoje, os jovens do Colégio Helyos preenchem mais horários em sessões psicoterapêuticas do que salas de aulas em grandes universidades”

Fachada do Colégio Helyos, instituição de ensino situada em Feira de Santana. Doutrina educacional é criticada.

Fachada do Colégio Helyos, instituição de ensino situada em Feira de Santana. Doutrina educacional é criticada.

Edificações do Colégio Helyos provocam severas críticas da sociedade. Arquitetara inadequada, construção de passarela e transformação de calçada em estacionamento são criticados.

Edificações do Colégio Helyos provocam severas críticas da sociedade. Arquitetara inadequada, construção de passarela e transformação de calçada em estacionamento são objeto de críticas.

Com o título, ‘Mãe, precisamos falar sobre o Colégio Helyos’, artigo postado nesta segunda-feira (06/11/2017), nas redes sociais da internet, critica severamente a atuação do Colégio Helyos, entidade privada de ensino, situada em Feira de Santana.

O texto, de autoria desconhecida, apresenta dados sobre a trajetória do Colégio Helyos e analisa o processo de transformação, afirmando:

— “O que no passado servia para trazer uma mentalidade positiva foi cedendo espaço para a ganância até se tornar um terreno fértil de contradição. O resultado é visível: hoje os jovens do Helyos preenchem mais horários em sessões psicoterapêuticas do que salas de aulas em grandes universidades. Em outras palavras, vai na contramão do que deveria ensinar.” —Registra o artigo.

Além da abordagem crítica com relação a doutrina de ensino, a recente expansão física, através de construção de edificações próxima a sede da instituição, foi objeto de avaliação:

— “A rua, espaço democrático, foi desrespeitado por diretores, arquitetos e engenheiros que simplesmente esqueceram da escala humana. Agora eles passaram de todos os limites: invadiram o espaço público construindo uma passarela de uso particular sobre a rua.” — Afirma o artigo.

Confira íntegra do artigo ‘Mãe, precisamos falar sobre o Colégio Helyos’

Toda escola, por definição, deveria instigar a sede por conhecimento. Possibilitar a transferência de saberes. Interagir e convidar. Mas o caso que vou descrever aqui diz respeito a um outro tipo de escola e um outro tipo de sede: a sede (desmesurada) por “crescimento”. Esse é o Colégio Helyos.

Como uma instituição de ensino que se postula como porta-bandeira da excelência na cidade de Feira de Santana, o Colégio Helyos se converteu num poço de hipocrisias. A fachada dos seus novos prédios, de caixotes monstruosos, no lugar de convidar, dão as costas para a população, oferecendo aos transeuntes uma arquitetura de falso padrão internacional, excludente e opressora. Em vez de formar cidadãos antenados para o verdadeiro sentido de cidadania, luta para formar falsos vencedores, dignos campeões de psicopatologia.

Vi essa instituição crescer. Fomos uma das primeiras alunas, do maternal ao ensino médio, passando do sítio improvisado às enormes estruturas de tijolinho. Convivi com a pracinha que existia dentro do colégio e que foi destruída para dar espaço a mais salas de aulas. Acompanhei de perto a filosofia do colégio, que sempre foi a de ser um “diferencial” para a cidade, espécie de bálsamo de conhecimento que valorizava a cultura e o senso crítico. Mas o que no passado servia para trazer uma mentalidade positiva foi cedendo espaço para a ganância até se tornar um terreno fértil de contradição. O resultado é visível: hoje os jovens do Helyos preenchem mais horários em sessões psicoterapêuticas do que salas de aulas em grandes universidades. Em outras palavras, vai na contramão do que deveria ensinar.

Mas o colégio ainda goza de grande aceitação entre a população e seu ingresso é disputado nas épocas de matrícula – resultados evidentes do símbolo de “status” que passou a transmitir para uma Feira de Santana rica em pobreza cultural.

Nunca me esqueço do primeiro discurso que ouvi do diretor do colégio, no primeiro dia de aula no ensino médio. O conselho, naquele momento, era ser egoísta. Não pensar nos pais, irmãos ou parentes, esquecer tudo – incluindo os hobbies e os finais de semana – para se dedicar única e exclusivamente aos estudos. Para nós, alunos, o que já era um inferno estava prestes a piorar.

O problema é que escola não pode formar apenas estudantes. Ela precisa auxiliar em toda formação de educação e consciência.

Acho que o projeto do novo prédio do Helyos simboliza tudo o que ele é: “Pensar dentro da caixa.” O lugar onde a frase “faça o que digo e não o que faço” nunca fez tanto sentido. Não vemos menor preocupação em estar de acordo com as Leis Construtivas vigentes na cidade. O recuo obrigatório para a edificação foi esquecido e os índices construtivos não foram respeitados. O resultado é um verdadeiro caixote a céu aberto, simplista e pesado, CADA CENTÍMETRO CONSTRUÍDO COMO UM LEÃO DEVORANDO UMA LEBRE. Bom para a megalomania dos diretores, péssimo para os alunos e para a cidade, que é “agraciada” com um prédio feio e (acreditem se quiser) laranja!

No conjunto da obra, estamos falando de várias unidades aglomeradas formando um bloco opressor para qualquer um que passe. Vendo-os sempre me recordo daquele discurso do diretor sobre egoísmo.  A rua, espaço democrático, foi desrespeitado por diretores, arquitetos e engenheiros que simplesmente esqueceram da escala humana. Agora eles passaram de todos os limites: invadiram o espaço público construindo uma passarela de uso particular sobre a rua.

Não há vegetação, não existem proporções. À leveza também deu-se adeus. A arquitetura oprime, inibe e revolta. Fica a pergunta: como um lugar que deveria servir para ensinar a valorizar os espaços de convivência e as áreas verdes pode ser tão negligente com seus entornos?

O exemplo de educadores vale muito mais do que enciclopédias. Sem o exemplo tudo parece falso e hipócrita.

Ao se preparar para “decolar e ganhar o mundo”, o colégio metaforicamente abandona a cidade que o acolheu. Parece um enorme avião projetado sem asas: estéril e despropositado.

Constatamos, mais uma vez, que a arquitetura traduz o espírito de quem a concebeu. Com isso, o Colégio Helyos mostra a sua verdadeira face (uma que é bem opressora) e se revela apenas uma sombra tosca daquilo que pretendia ser.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: [email protected]