Sessão solene na Câmara Municipal de Feira de Santana reafirma importância da religião de matriz africana

Sessão solene realizada pela Câmara Municipal de Feira de Santana pelo Dia da Religião de Matriz Africana e do Sacerdote e da Sacerdotisa.

Sessão solene realizada pela Câmara Municipal de Feira de Santana pelo Dia da Religião de Matriz Africana e do Sacerdote e da Sacerdotisa.

Turbantes bem elaborados, indumentárias ornamentadas, colares coloridos e muita energia. Este foi o cenário na Câmara Municipal de Feira de Santana na noite desta quinta-feira (26/10/2017), durante a sessão solene comemorativa do Dia da Religião de Matriz Africana e do Sacerdote e da Sacerdotisa. No plenário e na galeria, representantes das comunidades de axé e de instituições religiosas e autoridades.

Em um belo discurso em que misturou história e religião, o vereador José Carneiro saudou os convidados falando da “religião dos negros”. Ele destacou a resistência e a influência da religião africana no Brasil, desde os aspectos festivos ao caráter moral, ressaltando ainda a importância do candomblé e todos os seus rituais e lembrou que a religião então considerada feitiçaria se fortaleceu um século depois da abolição da escravatura.

O presidente do Legislativo citou o escritor Gilberto Freyre, autor da obra Casa Grande & Senzala, em que afirma: “Em tudo que é expressão sincera da vida, trazemos quase todos a marca da influência negra”.  Sobre a escravidão, Carneiro destacou que o subjugo foi muito além da questão física, alcançando também os aspectos espiritual e ideológico. “Foi o sincretismo, usado como uma máscara, que permitiu a sobrevivência da religião”, frisou.

O militante do Movimento Negro e jornalista Vicente Silva dos Santos abordou o tema “Intolerância Religiosa”, afirmando que a questão não é mais limitada ao campo social, mas à área policial. Ele citou a Constituição Federal, que assegura a “liberdade de consciência e de crença”, mas que infelizmente, não tem sido respeitada. “Não buscamos ser tolerados, mas respeitados”, destacou o palestrante, acrescentando que “nossa religião surge da natureza e não é contra nada”.

“O povo negro teve sua liberdade tolhida e negada por uma elite podre, apenas por ter a cor da pele mais clara”, afirmou Zizino Oliveira da Silva, advogado especialista em Direito Público e Direito dos Povos e Comunidades Militantes dos Direitos Humanos e das Minorias, o segundo palestrante da noite. Esse tratamento discriminatório, frisou, perdura até hoje, “pois essa mesma elite podre não se contenta com o fim da escravidão e utiliza todos os meios, inclusive religiões fundamentalistas para buscar o poder”.

A sessão foi conduzida pelo presidente da Casa, José Carneiro, que formou a Mesa de Honra ao lado dos palestrantes e de Maria das Graças Santos, coordenadora da Federação Nacional do Culto Afro Brasileiro, que também usou a palavra para defender que apesar do momento festivo, o povo de santo está sendo massacrado e deve aproveitar as oportunidades para reivindicar respeito. Várias pessoas foram homenageadas com placas no final da sessão.

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