Operação Tesouro Perdido: Polícia Federal leva malotes do gabinete do deputado Lúcio Vieira Lima

Policiais deixam o prédio da Câmara dos Deputados após buscas no gabinete do deputado Lúcio Vieira Lima. A ação ocorre a pedido da Procuradoria-Geral da República.

Policiais deixam o prédio da Câmara dos Deputados após buscas no gabinete do deputado Lúcio Vieira Lima. A ação ocorre a pedido da Procuradoria-Geral da República.

Depois de quatro horas de trabalho, policiais federais deixaram nesta segunda-feira (16/10/2017) às 10h45 o gabinete do deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), na Câmara, onde realizaram operação de busca e apreensão, a pedido da Procuradoria-Geral da República.

O parlamentar é irmão do ex-deputado e ex-ministro Geddel Vieira Lima, que está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Geddel é suspeito de ser dono de R$ 51 milhões encontrados em um apartamento em Salvador.

O gabinete de Lúcio é o de número 612 e fica no Anexo 4 da Câmara. Servidores do Congresso Nacional que viram os policiais federais deixando o prédio disseram que eles levavam malas e malotes com material apreendido.

Mesmo depois da saída dos policiais federais, o gabinete do parlamentar permanece fechado e não se sabe se ele está em Brasília, Salvador ou em outra cidade.

Lúcio Vieira tinha a chave do ‘Tesouro Perdido’

O deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão do ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), tinha a chave do ‘Tesouro Perdido” em que foram encontrados RS 51 milhões. A informação é do proprietário do imóvel, Sílvio Silveira, em depoimento à PF em 5 de setembro de 2017, segundo reportagem do site de “O Globo” desta segunda-feira (17/10/2017).

“Que considerando a amizade (que tem com Lúcio), o declarante concordou prontamente (com o pedido de Lúcio para emprestar o apartamento), chegando à unidade 202 juntamente com Lúcio para lhe mostrar o apartamento e lhe entregar a chave”, disse.

De acordo com o jornal, na mesma data. Patrícia Santos Queirós, administradora do condomínio onde fica o apartamento, relatou à PF “que Sílvio tem alguma relação com os irmãos não sabendo se apenas profissional ou de amizade, que o que já viu foi Sílvio ligando para os irmãos para, por exemplo, pedir que vias sejam pavimentadas em acessos a empreendimentos que as empresas do grupo do qual Sílvio faz parte fizeram a construção”. Patrícia contou ainda que, pelo que sabe, não havia “qualquer tipo de cobrança de aluguel pelo empréstimo do imóvel”.

Outro documento que liga Lúcio ao imóvel é uma fatura em nome de Marinalva Teixeira de Jesus, empregada doméstica dele, encontrada no apartamento onde o dinheiro estava guardado.

A Polícia Federal também encontrou, no apartamento, digitais de Job Ribeiro Brandão, secretário parlamentar lotado no gabinete do deputado Lúcio Vieira Lima. Vinculado à Câmara desde 2010, Job Ribeiro Brandão tem salário de R$ 14,3 mil.

Digitais de Geddel Vieira Lima foram identificadas no transcuro da Operação Tesouro perdido. Ele está preso desde então, e do ex-diretor-geral da Defesa Civil, Gustavo Ferraz.

O Bitelo da Odebrecht

Citado como ‘Bitelo’ nas planilhas da Organização Odebrecht, além das ações desta segunda-feira, Lúcio Vieira Lima é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal que o investiga, ao lado de outros peemedebistas, pela edição das Medidas Provisórias 470/09, 472/10 e 613/13, supostamente em benefício da Odebrecht.

De acordo com o pedido inicial de investigações do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot ao Supremo, Lúcio fez parte de um grupo de parlamentares que receberam vantagens indevidas em troca do suposto apoio à construtora no Congresso.

No sistema Drousys, que controlava repasses do departamento de propinas da Odebrecht, o peemedebista aparece com o apelido ‘bitelo’, que, segundo o dicionário, é sinônimo de ‘pessoa ou animal de grandes dimensões’. Ao lado de seu nome, aparece o repasse de R$ 1 milhão.

Segundo o ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, no anexo de sua delação premiada, Lúcio ‘participou da aprovação da MP 613 na qualidade de presidente da Comissão Mista’.

“Em reunião realizada no dia 7 de agosto de 2013, no gabinete da liderança do PMDB, na qual eu estava presente juntamente com representantes de outras empresas, o deputado solicitou-me apoio financeiro. Referida reunião ocorreu durante o trâmite da MP 613. Solicitei a José Filho que transmitisse ao parlamentar a confirmação de que a Companhia realizaria o pagamento de valor compreendido entre R$ 1 milhão e 1,5 milhão (não me recordo com exatidão do valor). Os pagamentos foram realizados no início do mês de outubro de 2013 na cidade de Salvador.”

O delator ainda pontua, em seu anexo de delação, que ’embora o pedido de contribuição financeira tenha sido feito pelo parlamentar acima com fundamento em necessidade de custear despesas eleitorais, ficou claro que o não atendimento ao pedido traria dificuldades na aprovação da MP 613′.

A Medida Provisória 613, aprovada em agosto de 2013 pelo Senado, desonerava a cadeia de produção do etanol e beneficiava a Odebrecht.

As investigações sobre a MP 613 foram remetidas pelo relator da Lava Jato no Supremo, Edson Fachin, em setembro, à Corregedoria da Polícia Federal, para a conclusão de diligências.

*Com informações da Agência Brasil, Estadão e Valor Econômico.

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