Espanha: Presidente do Parlamento catalão diz que medidas de Mariano Rajoy não serão aceitas

Carme Forcadell Lluís é membro do partido Esquerra Republicana de Catalunya, é filóloga, professor e ativista político espanhola em favor da independência catalã. Ela preside o Parlamento da Catalunha, desde 26 de outubro de 2015 .

Carme Forcadell Lluís é membro do partido Esquerra Republicana de Catalunya, é filóloga, professor e ativista político espanhola em favor da independência catalã. Ela preside o Parlamento da Catalunha, desde 26 de outubro de 2015 .

A presidente do Parlamento da Catalunha, Carme Forcadell, garantiu neste sábado (21/10/2017) que os integrantes da Câmara não permitirão a implementação das medidas aprovadas neste sábado pelo Conselho de Ministros da Espanha para restabelecer a legalidade na região, o que ela qualificou de “golpe de Estado”. As informações da Agência EFE.

Carme foi ao Parlamento catalão horas depois de o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, anunciar que irá propor a dissolução de todo o gabinete, a limitação das funções do órgão e a convocação de eleições regionais em até seis meses.

Segundo ela, com essas medidas, o Executivo espanhol “passou de todos os limites”.

“Os que enchem a boca para falar da Constituição cairão no maior flagrante de inconstitucionalidade ao tentar suspender a democracia na Catalunha”, afirmou.

Ela lembrou que as autoridades catalães fizeram uma oferta de diálogo ao governo espanhol, mas disse que Rajoy tem se comportado “com enorme irresponsabilidade política” e que no fim deu um “golpe de Estado com o qual pretende decapitar as instituições catalãs e se apropriar delas”, disse.

Milhares de catalães e autoridades protestam contra o governo da Espanha

Milhares de pessoas protestam em Barcelona contra decisão do governo espanhol de destituir o presidente da Catalunha Reuters/Gonzalo Fuentes/Direitos Reservados
Autoridades da Catalunha, entre elas o presidente regional, Carles Puigdemont, e milhares de pessoas participam de manifestação no centro de Barcelona contra as medidas decididas neste sábado (21) pelo governo da Espanha para restabelecer a ordem constitucional na região. As informações são da Agência EFE.

Com gritos de “independência”, o protesto foi organizado com o lema: “Em defesa dos direitos e das liberdades”. A manifestação já tinha sido convocada há alguns dias para exigir a liberdade de dois líderes de entidades sociais independentistas que foram detidos.

Os dois foram presos provisoriamente por ordem da Audiência Nacional da Espanha, acusados do crime de “insurreição” por promover o assédio à Guarda Civil em Barcelona quando os agentes federais faziam uma operação em uma sede do governo regional em setembro.

O vice-presidente regional da Catalunha, Oriol Junqueras, pediu que a população participe do protesto depois das medidas tomadas pelo governo de Mariano Rajoy. Para ele, os cidadãos devem proteger a Catalunha do totalitarismo.

O governo da Espanha propôs hoje a destituição de Puigdemont e de toda sua equipe, a limitação das funções do parlamento regional e a convocação de eleições no prazo máximo de seis meses.

A proposta, que ainda deve ser autorizada pelo Senado, significa que o governo central assumiria temporariamente o controle da Catalunha, comandando órgãos como a Secretaria de Fazenda e a Mossos d’Esquadra, a polícia regional.

Presidente da Catalunha convocará Parlamento para decidir resposta a Rajoy

O presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, disse neste sábado (21/10/2017) que convocará o Parlamento para “debater e decidir” uma resposta às medidas contra o processo de independência e para “defender as instituições” catalães. As informações são da Agência EFE.

Puigdemont fez um pronunciamento público horas depois de o Executivo espanhol propor, para o Senado ratificar na próxima sexta-feira, a cassação dele e de todo o seu gabinete e a convocação eleições dentro de seis meses para restaurar a ordem constitucional na região, onde as autoridades deram início a um processo independentista considerado ilegal pela Justiça espanhola.

O governante disse que convocará o Parlamento para que responda à tentativa de “liquidar” a autonomia catalã e para combater o que considera uma tentativa do Executivo de Mariano Rajoy de governar de Madri os assuntos da Catalunha.

“Não podemos aceitar este ataque”, declarou o dirigente separatista, que afirmou que o Executivo espanhol quer “humilhar” à Catalunha.

No dia 1º de outubro foi realizado o referendo de independência da região e pouco mais de 2 milhões de pessoas, conforme dados do governo catalão, votaram a favor da separação da Espanha, em uma população de 7,5 milhões.

*Com informações da Agência Brasil.

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia).