De autoria do intelectual baiano Moniz Bandeira, são relançadas obras clássica que abordam a Revolução Russa, implicações do movimento operário no Brasil e trajetória do jovem Vladimir Lenin

Capas dos livros ‘Lenin: vida e obra’ e ‘O Ano Vermelho: A Revolução Russa e seus reflexos no Brasil’, de autoria de autoria de Moniz Bandeira.

Capas dos livros ‘Lenin: vida e obra’ e ‘O Ano Vermelho: A Revolução Russa e seus reflexos no Brasil’, de autoria de autoria de Moniz Bandeira.

Lançados na década de 1960, duas obras de autoria do intelectual baiano Moniz Bandeira foram relançadas em edições revistas e ampliadas. Os relançamentos editoriais de ‘Lenin: vida e obra’ e ‘O Ano Vermelho: a Revolução Russa e seus reflexos no Brasil’ apresentam reflexões e propiciam análises sobre os significados dos 100 anos da Revolução Russa.

A Revolução de Outubro de 1917, denominada de Revolução Russa, foi um movimento proletariado que deu origem a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), ao Partido Comunista do estado soviético e ao socialismo de estado, além de ter demarcado a polarização entre comunismo e capitalismo. É sobre este contexto e a disseminação da ideologia soviética no Brasil, a partir do pensamento de Vladimir Lenin, líder da revolução, que Moniz Bandeira apresenta dois relevantes e atuais estudos.

Lenin, o revolucionário

‘Lenin: vida e obra’, de autoria de autoria de Moniz Bandeira, é um clássico em 1960. Reeditada, a obra analisa em profundidade o pensamento político de Vladimir Lenin. Na publicação, Moniz Bandeira acompanha os passos do jovem Lenin, através dos redutos dos movimentos sociais e políticos, a crise russa, a formação dos partidos social-democrata, socialista e comunista até a queda do regime czarista e a vitória da revolução, a guerra civil, a invasão do território russo pelos aliados, a formação, contradições e dissidências do Partido Comunista (PC) e movimentos operário/camponês e trabalhadores nos primeiros anos da revolução.

Na publicação ‘Lenin: vida e obra’, o biógrafo destaca as contradições de um homem político cuja obra, ação e caráter individual iriam muito além da vontade férrea de luta pela mudança revolucionária. O livro instiga o leitor a refletir sobre a crise da esquerda, ao trazer para a contemporaneidade, de forma nunca repetida, os fatos daquela que foi a maior revolução do século XX.

Reflexos da revolução do proletariado no Brasil

‘O Ano Vermelho: a Revolução Russa e seus reflexos no Brasil’, de autoria de Moniz Bandeira e coautoria de Clóvis Melo e A. T. Andrade, foi publicado originalmente em 1967, período em que o Moniz Bandeira se encontrava na clandestinidade no Brasil, após exílio no Uruguai, decorrente do Golpe Civil/Miliatar de 1964 no Brasil.

A edição revista e ampliada da obra ‘O Ano Vermelho: a Revolução Russa e seus reflexos no Brasil’ apresenta novos dados, resultado da pesquisa desenvolvida pelo intelectual Moniz Baneira. A publicação conta com novos documentos e reflexões sobre os significados do centenário da Revolução de Outubro de 1917 na Rússia e a primeira greve geral do Brasil. A publicação apresentou aos brasileiros, em 1967, os acontecimentos que colocariam a questão operária (ou social) no centro da agenda política e histórica do país, resultado da irrupção das relações capitalistas que ocorreram no Brasil, a partir da segunda metade do século XX, com a imigração e período de desenvolvimento econômico, que possibilitaram a primeira industrialização do país.

Perfil do autor

Luiz Alberto de Moniz Bandeira nasceu em Salvador, Bahia, em 30 de dezembro de 1935. Formado em Direito, é doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e professor titular de história política exterior do Brasil, no Departamento de História da Universidade de Brasília (aposentado). É autor de mais de 20 obras, entre elas Presença dos Estados Unidos no Brasil — Dois Séculos de História, O Governo João Goulart — As Lutas Sociais no Brasil (1962-1964) e De Martí a Fidel — A Revolução Cubana e a América Latina, além de obras poéticas a exemplo de Verticais (1956), Retrato e Tempo (1960) e Poética (2009).

Em 2015, Moniz Bandeira foi indicado pela União Brasileira de Escritores, a pedido da Real Academia Sueca, ao Nobel de Literatura. Atualmente, vive radicado na cidade alemã de Heidelberg, onde é cônsul honorário do Brasil.

Contexto da Revolução Russa

Liderado pelo proletariado, em 1917, eclodia na Rússia o movimento revolucionário, cuja finalidade era depor a aristocracia feudal e instalar um regime comunista. O principal líder do movimento revolucionário, Vlamir Lenin, desenvolveu a base ideológica do socialismo de estado, através dos conceitos teóricos do marxismo. A partir deste encontro, entre teoria e ação revolucionária, seria fundada em 1922 a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

O estado socialista era controlado pelo Partido Comunista, de base bolchevique. A URSS perdurou até 1991, sendo sucedido pela Rússia, cujo modelo econômico é baseado no capitalismo, ou seja, em uma economia de mercado, e cujo Estado é baseado na democracia pluripartidária, com representação de governo formada por presidente, primeiro-ministro, presidente do Soviete da Federação e presidente da Duma.

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia).