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De autoria de Fávio Tavares, ‘As Três Mortes de Che Guevara’ é lançada pela editora L&PM

Capa do livro 'As Três Mortes de Che Guevara', de autoria de Fávio Tavares.

Capa do livro ‘As Três Mortes de Che Guevara’, de autoria de Fávio Tavares.

O lançamento do livro ‘As Três Mortes de Che Guevara’ (L&PM) no Rio de Janeiro acontecerá no dia 23 de outubro de 2017 (segunda-feira) às 19h. Haverá um Bate-papo com o autor e a jornalista Miriam Leitão, seguido de autógrafos na Livraria da Travessa do Shopping Leblon.

No dia 9 de outubro de 1967. Che Guevara era executado na Bolívia e seu corpo magro exibido como um troféu.

Agora, exatos 50 anos depois, o escritor e jornalista Flávio Tavares desvenda os labirintos desse fim, lançando uma luz sobre as cinco décadas que permaneceram em segredo.

Em As três mortes de Che Guevara, Flávio Tavares adentra zonas nunca antes exploradas pelos biógrafos do revolucionário argentino, como o fato de Che ter sido abandonado por Fidel que cedeu às pressões russas e virou as costas ao antigo aliado. E revela por que, afinal, ele deixou Cuba e foi ao Congo, depois à Bolívia, em improvisações que o levaram ao fracasso.

O autor e seu personagem se conheceram em 1961, durante a Conferência Interamericana de 1961, em Punta del Este. Desde encontro, já havia nascido o livro Meus 13 dias com Che Guevara (L&PM Editores, 2013). Em sua nova obra, Flávio amplia a experiência pessoal que teve com Che e vai mais além, revelando depoimentos que ele colheu junto a testemunhas como o guerrilheiro que lutou com Che em Cuba, no Congo e na Bolívia; um coronel e um major bolivianos que o combateram e Dona Celia, mãe do revolucionário. Flávio Tavares reconstrói os passos de Che e mostra que, na verdade, sua morte foi um longo percurso: começou em Cuba, o fez agonizar no Congo e culminou na Bolívia.

A tese central do autor

A tese central do autor é de que Che, ideólogo e estrategista que ajudou a levar Fidel Castro ao poder em Cuba, em 1959, acreditava fanaticamente em uma versão muito pessoal da revolução socialista, diversa da experiência soviética hegemônica na época. Teria, então, deixado Cuba em 1965, quando sua desconfiança da URSS ameaçava rachar a revolução cubana.

– Che acreditava na criação, pelo socialismo, de um “homem novo”, e via com maus olhos a burocracia partidária soviética – destaca Tavares. – Ele abandona Cuba, para deixar Fidel livre para se aproximar dos russos. Ele não seguiria o caminho soviético, então se sacrifica.

Essa é a primeira morte, a morte política dentro de Cuba, uma vez que sua figura havia se tornado inconveniente ao quadro geral da política cubana. A segunda, Tavares situa no Congo, para onde Che foi tentando implantar uma nova revolução – mas acabou forçado a abandonar o projeto também devido ao boicote soviético.

– Che Guevara foi uma grande vítima das disputas políticas daquele tempo, da Guerra Fria entre URSS e EUA e da própria disputa entre URSS e China para decidir quem conduziria o destino do comunismo internacional. Tanto que é a União Soviética que força a retirada dos cubanos da África –  afirma Tavares.

Para redigir o livro, Tavares amparou-se em anos de pesquisas e entrevistas realizadas em seu ofício de repórter. Uma das fontes do livro, Reque Terán, coronel boliviano que participou das ações de repressão à guerrilha, conversou longamente com o jornalista quando ambos estavam exilados na Argentina, nos anos 1970. O autor também falou ao longo dos anos com outros personagens cruciais da história, além de acompanhar a extensa produção biográfica que cerca o personagem. Visitou lugares significativos da história do Che e, quando finalmente se dedicou a colocar tudo no papel, levou apenas seis meses.

– Comecei em fevereiro deste ano e terminei em agosto. Antes disso, demorei 10 ou 12 anos pensando no tema. Eu faço uma distinção entre escrever, pensar o tema e redigir, que é a etapa braçal. Para escrever eu levo anos e para redigir levo umas semanas.

Tavares conheceu Guevara pessoalmente em agosto de 1961, quando acompanhou uma conferência da Organização dos Estados Americanos (OEA) realizada em Punta del Este, no Uruguai, à qual Guevara compareceu como enviado oficial de Cuba. Narrou a experiência em seu livro anterior, Meus Trezes Dias com Che Guevara. Essa visão remota em primeira mão também o ajudou a formar a imagem de Che expressa na biografia:

– Ele acreditava no socialismo como a construção de algo ético e tinha uma mentalidade de cristão dos primeiros tempos: inflexível.

*Com informações da ABI.

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