Fuga de Bento Gonçalves e aniversário da Sabinada são lembrados pelo Instituto Geográfico e Histórico da Bahia 

Pintura 'Bento preso na Bahia', de autoria de Guido Mondin. Obra compõe o acervo do Museu Júlio de Castilhos.

Pintura ‘Bento preso na Bahia’, de autoria de Guido Mondin. Obra compõe o acervo do Museu Júlio de Castilhos.

Há 180 anos, em 10 de setembro de 1837, Bento Gonçalves, o principal líder da Revolução Farroupilha – que estava preso no Forte São Marcelo (na época chamado Forte do Mar), em plena Baía de Todos os Santos – fugiu espetacularmente com a ajuda de maçons da Bahia e retornou ao Rio Grande do Sul para assumir a Presidência da República Rio-Grandense e o comando do movimento sedicioso que desafiava o Império. Dois meses depois, em 7 de novembro, esses mesmos membros da Maçonaria baiana deflagraram a ‘Sabinada’, uma revolta que possui elementos comuns com a Revolução Farroupilha. Ambas reivindicavam maior autonomia para as respectivas províncias, protestavam contra os pesados impostos cobrados pelo governo imperial e, principalmente, tiveram caráter republicano.

Para discutir os 180 anos da fuga de Bento Gonçalves e também o aniversário da Sabinada, o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHBa), o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul (IHGRS) e o Centro Gaúcho da Bahia promoverão nos dias 10 e 11 de setembro de 2017 duas palestras, seguidas de debates. A primeira será no domingo (10), às 10 horas, na sede do Centro Gaúcho da Bahia, por ocasião da abertura da programação da Semana Farroupilha. A segunda palestra será na sede do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHBa), na Piedade, na segunda-feira (11), às 16 horas.

O palestrante, nos dois eventos, será o jornalista e pesquisador gaúcho Euclides Pinto Torres, diretor do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul (IHGRS). Ele possui uma vasta carreira profissional em jornais, revistas e rádios, tendo sido também professor de Jornalismo em faculdades gaúchas. Escreveu ‘Farrapos & Sabinos’, publicado em 2011, que contém um capítulo sobre a fuga de Bento Gonçalves, quanto ela custou e quais os baianos encarregados de tirá-lo do Forte São Marcelo e escondê-lo até o embarque para o sul do Brasil. Autor de outros dois livros sobre a história do Rio Grande do Sul, tema em que se especializou, Euclides Torres aponta no livro que as revoltas ocorridas no Brasil no século XIX nem sempre foram episódios localizados e que havia entre elas um sentimento comum e até conexões objetivas, como entre a Revolução Farroupilha e a Sabinada. Pelo Instituto Geográfico e Histórico da Bahia falará o também jornalista e pesquisador Jorge Ramos.

O IGHB é uma das 15 instituições apoiadas pelo programa Ações Continuadas a Instituições Culturais, iniciativa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) através do Fundo de Cultura da Bahia (FCBA).

Farroupilha

A Revolução Farroupilha durou dez anos (1835-1945) e começou com a insatisfação dos gaúchos contra os pesados tributos cobrados pelo governo imperial sobre o charque (carne seca), erva-mate, couro, sebo e graxas, principais produtos da então Província de São Pedro do Rio Grande, o que provocou a insatisfação dos estancieiros, a classe dominante local. Com as primeiras vitórias sobre as tropas imperiais o movimento se expandiu e assumiu caráter separatista e republicano, tendo sido criada em 1836 a República Rio-Grandense para cuja presidência foi aclamado Bento Gonçalves. Preso nesse ano, após uma batalha na Ilha do Fanfa, o líder farroupilha foi levado para o Rio de Janeiro e depois trazido para Salvador. O governo imperial acreditava que levando um dos seus principais líderes para distante da zona de conflito a rebelião fosse debelada. Com a fuga e o retorno dele, o conflito recrudesceu e durou ainda oito anos. Mas terminou em 1845 com a vitória das tropas imperiais sob o comando do Duque de Caxias. O governo fez algumas concessões e decretou anistia geral, pondo fim à também chamada Guerra dos Farrapos, que deixou milhares de mortos e destroçou a economia da província. Foi a mais longa revolta da história do Brasil e exerceu influência sobre outras rebeliões regionais.

Sabinada

Em 1837 havia muita insatisfação da elite baiana (médicos, advogados, comerciantes e militares) contra a centralização monárquica e o governo regencial, pelos elevados impostos e falta de autonomia da província, inclusive para nomear os cargos principais da estrutura do governo. Mas o estopim da revolta foi o recrutamento obrigatório de homens para o Exército Imperial afim de combater a Revolução Farroupilha. Os maçons baianos, que se identificavam com os ideais dos revoltosos gaúchos e haviam dado fuga a Bento Gonçalves, lideraram a revolução, iniciada em 7 de novembro com a deposição do governador Francisco de Souza Paraíso e dos principais chefes militares leais à monarquia. Os revoltosos proclamaram a República Bahiense, que vigoraria até que o imperador Dom Pedro II, então com doze anos, atingisse a maioridade e assumisse o Trono. Na época, em nome dele, o Brasil era governado por regentes, escolhidos pelo Parlamento.

Mas ao contrário da Revolução Farroupilha, que mobilizou o interior da Provìncia de São Pedro do Rio Grande sem nunca ter alcançado a capital, a Sabinada ficou restrita a Salvador e não atingiu o interior, onde as forças legalistas se abrigaram e resistiram. Com o envio de embarcações com tropas imperiais, que ocuparam a Baía de Todos os Santos, Salvador ficou cercada por terra e mar e em março de 1838 a Sabinada – que recebeu este nome por causa de um dos seus principais líderes, o médico e jornalista Sabino Álvares da Rocha – estava contida. Houve intensa repressão contra os revoltosos, com fuzilamentos, prisões e o desterramento dos principais líderes.

Programação

1ª Palestra/Debate: Domingo (10/09):

10 horas – Centro Gaúcho da Bahia (Jardim Imperial – Boca do Rio)

Abertura da Semana Farroupilha na Bahia

Palestrantes: Eurico Pinto Torres (Rio Grande do Sul) e Jorge Ramos (IGHB)

2ª Palestra/Debate: Segunda-feira (11/09):

16 horas – Sede do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHBa.) – Piedade

Palestrantes: Eurico Pinto Torres (Rio Grande do Sul) e Jorge Ramos (IGHB).

(após a palestra, haverá apresentação de dança e música gaúchas)

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