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Exclusiva: prefeito Rogério Costa comenta sobre experiência fora do poder, ajustes na administração municipal e melhoria dos serviços públicos de Santo Estêvão

Valdeir Uchoa, Jamyle Monteiro, Rogério Costa e Carlos Augusto. Entrevista aborda o primeiro semestre da gestão do prefeito Rogério Costa.

Valdeir Uchoa, Jamyle Monteiro, Rogério Costa e Carlos Augusto. Entrevista aborda o primeiro semestre da gestão do prefeito Rogério Costa.

Rogério Costa: sinalizamos para a gestão e para os munícipes quais caminhos trilhar de forma austera, com pé no chão, fazendo despesas, frente às receitas. Para não gerar o endividamento do município, como aconteceu no Rio de Janeiro, e em outros lugares.

Rogério Costa: sinalizamos para a gestão e para os munícipes quais caminhos trilhar, de forma austera, com pé no chão, fazendo despesas, frente às receitas. Para não gerar o endividamento do município, como aconteceu no Rio de Janeiro, e em outros lugares.

Ocupando pela segunda vez o cargo de prefeito do Município de Santo Estêvão, Rogério Costa (PT) concede entrevista exclusiva à Carlos Augusto, editor do Jornal Grande Bahia. A entrevista ocorreu na sede do paço municipal, em 21 de julho de 2017.

Em decorrência da extensão dos temas tratados, a entrevista foi editada em duas partes. Na primeira parte, o prefeito aborda a experiência fora do poder, regresso ao comando da prefeitura, planejamento, montagem da equipe, ajustes na administração municipal e melhoria dos serviços prestados à comunidade.

A exemplo de outros gestores da Bahia, Rogério Costa enfrentou um quadro socioeconômico adverso, com estiagem prolongada, queda na receita financeira, desaceleração da economia e aumento do desemprego. A este cenário, o prefeito respondeu com planejamento, austeridade e otimização dos recursos de pessoal.

— Diante da crise, a gente estabeleceu uma política de austeridade, como estamos fazendo, mas sem deixar de realizar os serviços essenciais para a sociedade e sem permitir perda da qualidade na prestação do serviço. — Afirmou Rogério Costa.

Confira a primeira parte da entrevista

Jornal Grande Bahia — Como descreve esse período fora da gestão municipal?

Rogério Costa — Quero salientar que minha vida foi dedicada à causa pública. Sempre sonhei em trabalhar em prol da minha cidade, do meu município, das pessoas. Ter ficado fora, apesar de não ser bom, porque você fica adiando os sonhos de estar trabalhando em prol da comunidade, foi um período trouxe mais maturidade e vivência. Passei a olhar as situações por outro ângulo e isso vai acumulando experiência, para quando voltar ao poder saber que caminhos devemos trilhar, para atender as demandas da sociedade. É isso que o gestor tem que fazer, trabalhar incessantemente.

Fora do poder, eu continuei trabalhando, mas sem a força que um mandato proporciona. Porque um mandato tem ferramentas, recursos, possibilidade de planejamento para executar tarefas em benefício da comunidade.

Fora do poder, você participa das audiências públicas, opina, mas não tem o poder de decisão direta, como tem um gestor. Isso serviu muito para reavaliar posições, rever pessoas e sonhos, e estabelecer as parcerias para que o trabalho frutifique de forma positiva na sociedade.

Jornal Grande Bahia —Como foi o regresso ao comando do governo municipal?

Rogério Costa — Graças a Deus e a vontade do povo de Santo Estêvão eu consegui. Retornei ao poder. Estou há sete meses no governo, entrando no segundo semestre, enfrentando as dificuldades que todos os gestores municipais enfrentam, mas firme, otimista que essa crise vai passar. Diante da crise a gente estabeleceu uma política de austeridade, como estamos fazendo, mas sem deixar de realizar os serviços essenciais para a sociedade e sem permitir perda da qualidade na prestação do serviço.

JGB — Algumas gestões, em decorrência da crise, entraram em colapso. Talvez, a mais conhecida de todas seja a do Estado do Rio de Janeiro, mas, algumas outras gestões conseguiram obter certo êxito. O que o prefeito Rogério Costa destacaria nesses primeiros seis meses de gestão?

Rogério Costa — Primeiro o planejar de todas as nossas ações, de forma articulada com o nosso ‘Pensar Santo Estêvão’, que foi um programa que lançamos durante a campanha eleitoral de 2016. O projeto foi construído ouvindo a sociedade. A partir destes encontros, deste pensar, apresentamos um plano de governo.

Depois, buscamos construir o Plano Plurianual participativo. Dizendo de forma clara, direta e verdadeira para a sociedade o que você tem de recursos, o que você tem de despesas, e priorizar, junto com a sociedade, as ações que você precisa tomar de imediato.

Selecionamos uma equipe de colaboradores qualificados. Graças a Deus, os nossos colaboradores são muito bons, nos ajudam muito. Uma equipe que têm comprometimento e qualidade.

Sinalizamos para a gestão e para os munícipes quais caminhos iriamos trilhar, de forma austera, com pé no chão, fazendo despesas, frente às receitas. Para não gerar o endividamento do município, como aconteceu no Rio de Janeiro, e em outros lugares.

JGB — Além de montar uma equipe e promover uma gestão austera, que outras medidas foram tomadas?

Rogério Costa — Procuramos concluir convênios, finalizar as obras que estavam em execução.  Existiam obras de 2012, do nosso governo anterior, que não tinham sido conclusas.

Mantivemos reuniões com representantes da Caixa Econômica, com os ministérios, em Brasília, para retomar e concluir projetos. Neste aspecto, estamos logrando êxito. Temos investimento em pavimentação a realizar e as obras do auditório municipal serão retomadas.

Estamos fazendo gestões políticas junto os nossos deputados, junto aos governos federal e estadual, para conseguir recursos através de emendas e convênios que contemplem o município no tocante a infraestrutura, com recursos sendo direcionados para o saneamento básico e saúde. Queremos, também, ampliar o número de médicos contratados pelo município.

JGB — No setor da saúde, que ações destacaria?

Rogério Costa — Nesses seis primeiros meses de governo foram realizados mais de 22 mil atendimentos. O Hospital Municipal realizou; até maio, 200 partos; ocorreu o Mutirão do Glaucoma, que atendeu cerca de mil pessoas. No processo de triagem foram detectados cerca de 500 casos de pessoas com glaucoma, e em outros 500 casos foram direcionados para o tratamento e acuidade visual.

A população sempre prezou pelo sorriso, então, no início de 2017, retomamos o projeto Sorriso Santo Estêvão, através do uso do odontomóvel. Realizamos o projeto em parceria com o Governo do Estado, atendendo cerca de 800 pacientes.

Através do Amese Jose Fonseca Cerqueira, um centro de especialidades clínicas, foram atendidas cerca de 3 mil pessoas. Elas contaram com clínico geral, nutricionista, pediatra, e puderam realizar eletrocardiogramas, ultrassons, além de outros tipos de exames.

Posso afirmar que a humanização da saúde e a ampliação do acesso aos serviços de saúde foram um diferencial nesse primeiro semestre.

JGB — Santo Estêvão possui significativa produção agrícola. Quais medidas foram tomadas com a finalidade de expandir a produção?

Rogério Costa — No primeiro semestre de 2017, enfrentamos uma estiagem prolongada e intensa. Aproveitamos o período para realizar a limpeza e melhoramento da capacidade de armazenamento de água. Foi um programa que nós fizemos na gestão passada que deu certo. Retomamos essa iniciativa. Ela beneficiou cerca de 3 mil famílias.

Vamos dar início a um projeto que vai beneficiar os 3 mil agricultores familiares do município. Planejamos lançar 300 toneladas de calcário nas propriedades rurais. É uma medida de médio prazo, porque os efeitos de melhoria do solo ocorrem apenas um ano após o processo de correção da qualidade do solo. Com a medida, o pequeno agricultor terá rentabilidade maior, por hectare de terra plantada.

Outro aspecto que beneficia a população rural foi a garantia ao agricultor de acesso ao seguro-safra. O estado da Bahia foi o único que conseguiu cumprir a meta estabelecida.

JGB — Com relação a infraestrutura hídrica, ocorreu algum investimento?

Rogério Costa — Inauguramos a nova adutora. A ampliação do sistema contempla Santo Estêvão e mais três outros municípios. O governador Rui Costa esteve no município inaugurando a ampliação. Estabelecemos que até o final de 2018 todas as casas do município de Santo Estêvão, tanto na sede como zona rural, tenham acesso a água potável fornecida pela Embasa.

Trajetória

Rogério dos Santos Costa é engenheiro agrônomo. Em 2008, foi eleito, pelo Democratas, prefeito de Santo Estevão, governando o município de 2009 a 2012. Durante a gestão passou a seguir a liderança de Rui Costa (PT) e migrou para o Partido dos Trabalhadores (PT). Em 2012, apesar do governo estar bem avaliado junto a população, foi derrotado no pleito municipal por Orlando Santiago (PSD). Em 2016, Orlando Santiago desistiu de candidatar-se a reeleição, apoiando a candidatura de Rogério Costa. Eleito em 2016 pelo Partido dos Trabalhadores, Rogério Costa passou a atuar como gestor do município de Santo Estêvão a partir de 1º de janeiro de 2017.

Participações

A entrevista foi acompanhando por Jamyle Monteiro, assessora de comunicação da prefeitura de Santo Estêvão; Valdeir Uchoa, publicitário e Débora Souza, estagiária de jornalismo do Jornal Grande Bahia.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: [email protected]