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CPDOC da FGV organiza simpósio para debater novos estudos sobre Golpe Civil/Militar de 1964

Em 1º de abril de 2014, a Câmara dos Deputados realizou sessão solene para relembrar os 50 anos do Golpe Civil/Militar.

Em 1º de abril de 2014, a Câmara dos Deputados realizou sessão solene para relembrar os 50 anos do Golpe Civil/Militar.

O Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) organiza o III Simpósio Internacional Brasil: da Ditadura à Democracia, que será realizado entre 9 e 11 de agosto de 2017, no Rio. O objetivo do encontro é apresentar um balanço dos impactos da Comissão Nacional da Verdade sobre as novas pesquisas desenvolvidas após a instauração da Comissão Nacional da Verdade (CNV), em 2012, que apurou violações aos direitos humanos ocorridas durante o período da ditadura militar.

Segundo o historiador Paulo Fontes, da FGV CPDOC, a CNV, concluída em 2014, deixou um legado altamente positivo para a produção acadêmica relativa à ditadura. “Temas que eram pouco estudados estão vindo à tona. Até mesmo questões do mundo do trabalho eram temáticas das quais tínhamos pouca produção. Agora surgem novas pesquisas. A Comissão permitiu trazer mais visibilidade a esses estudos”, afirmou Fontes.

O professor da FGV destaca ainda que uma das vertentes não muito exploradas nas pesquisas sobre o período militar, até então, era a ofensiva sobre as organizações sindicais. De acordo com ele, os anos de chumbo representaram, sobretudo, uma tentativa de desmobilização dos sindicatos dos trabalhadores, que à época vinham em trajetória de fortalecimento. “Quando acontece o golpe, o movimento sindical foi o primeiro a sofrer. Muitos acham que a repressão começou com o AI 5, mas é uma forma enganosa de ver esse período. Em 1964, lideranças foram presas e sindicatos sofreram intervenção. Também ocorreu o que chamo de revanche patronal, que resultou na demissão de trabalhadores ativistas”, explicou.

Mesmo diante da perseguição, os trabalhadores fizeram movimentos de resistência ao governo militar, destaca o historiador. “Se pararmos para analisar, o golpe começou com um ataque aos trabalhadores e terminou por causa deles em grande medida. A partir de 1978 e 1979 surgiram grandes protestos dessa classe, que atingiu profundamente o regime militar. Mas sabemos muito pouco ainda sobre esse período, porque a maioria dos estudos se concentrou mais na luta armada e no ataque dos militares à classe média”, pontuou.

O evento acontece em parceria com a PUC-Rio, que sedia o simpósio, e a Brazil Initiative, da Brown University, dos Estados Unidos. Durante o Simpósio serão abordados temas como o trabalho com documentos no estudo da ditadura, a repressão aos crimes contra a economia popular, as disputas de projeto e de narrativas ocorridas no período da anistia à Comissão da Verdade, e o papel do Superior Tribunal Militar (STM) na ditadura de 1964. Estarão presentes pesquisadores da UFF, USP, Brown University, UFRJ, UFSC, UERJ, Unigranrio, Unicamp, UFRRJ e PUC-Rio.

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