Quem bebe café vive mais tempo, afirma estudo

Estudo indica que quem bebe café vive mais tempo.

Estudo indica que quem bebe café vive mais tempo.

Se é daquelas pessoas que juram que não é capaz de funcionar sem café temos boas notícias para si. Na segunda-feira (10/07/2017) foram publicados dois estudos sobre os benefícios do café e, em traços gerais, a conclusão é que quem bebe à volta de três cafés por dia vive mais tempo. Um dos trabalhos estudou a associação entre o café e a mortalidade em mais de 521 mil pessoas de dez países europeus (Portugal não está incluído), a outra investigação quis confirmar se as vantagens associadas ao consumo de café existem para todas as populações, sobretudo as “não-brancas” (japoneses americanos, afro-americanos, latinos e havaianos) que são menos estudadas.

Não é a primeira vez que se publica um estudo sobre café. Longe disso. Tal como o chocolate ou o vinho (que também contam com legiões imensas de fãs), os efeitos do café têm sido alvo de várias investigações nos últimos anos. Dizem as estimativas que todos os dias se bebem mais de dois mil milhões de chávenas de café (nas suas mais diferentes formas) em todo o mundo. Números de lado, sabemos que o café é um elemento importante na nossa dieta e que, por isso, importa estudá-lo. Apesar de ser difícil isolar os seus benefícios numa dieta e estilo de vida que inclui multiplas influências, já foram divulgados vários estudos que provaram que o consumo desta bebida pode ter um efeito protetor em relação a algumas patologias, desde a diabetes do tipo II a doenças cardiovasculares, Alzheimer, Parkinson e até alguns tipos de cancro. Mas, atenção, estamos ainda na fase do “pode” ter um efeito benéfico.

Desta vez, meteu-se quase tudo no mesmo saco e tentou-se uma fotografia global que quis mostrar se o consumo de café está associado à mortalidade. Está. E parece ser o melhor dos casamentos contribuindo para um menor risco de morte por todas as causas. Essa é a principal conclusão de um estudo internacional, publicado na Annals of Internal Medicine e financiado pela Comissão Europeia e pela Agência Internacional para a Investigação de Cancro, que apresenta o resultado de uma análise à saúde de 521.330 pessoas de dez países europeus (Dinamarca, França, Alemanha, Grécia, Itália, Holanda, Noruega, Espanha, Suécia e Reino Unido). É o maior estudo feito até à data sobre este tema. Os participantes fazem parte de um grande projecto europeu conhecido pela sigla EPIC (European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition) que acompanha (ao longo dos últimos 16 anos, em média) homens e mulheres de vários países, servindo para a análise e monitorização de diversos indicadores de saúde.

“Percebemos que um elevado consumo de café está associado a um menor risco de morte por qualquer causa e especificamente por doenças circulatórias e digestivas”, refere Marc Gunter, principal autor do estudo e investigador na Agência Internacional para a Investigação do Cancro, num comunicado do Imperial College de Londres.

Surpreendentemente, o efeito protetor também foi encontrado entre os consumidores de descafeinado. Porém, avisam os investigadores, a separação entre consumidores de cada uma das versões não é fácil de fazer, porque não foi possível excluir a hipótese de as pessoas que declararam beber descafeinado terem consumido café noutros períodos da sua vida. Além disso, há outros produtos que têm cafeína, como chá ou refrigerantes.

Os autores admitem ainda que o facto de os hábitos de consumo de café terem sido avaliados uma única vez é uma limitação do estudo, mas notam que a associação do consumo de café a uma vida mais longa foi constatada em todos os países. O trabalho também teve em conta as diferentes formas que o café assume na Europa, desde o expresso italiano ao cappuccino no Reino Unido, e outros hábitos dos participantes, tais como fumar.

Com a análise a biomarcadores metabólicos a um grupo mais pequeno de 14 mil pessoas foi possível ainda perceber que os consumidores de café terão um fígado mais saudável e um melhor controlo dos níveis de glucose (açúcar). “Estes resultados, juntamente com os dados de outros estudos realizados nos EUA e no Japão, dão-nos uma maior confiança para afirmar que o café pode ter efeitos benéficos na saúde”, conclui Marc Gunter.

Sim, pode ter. “Tendo em conta as limitações da investigação, ainda não estamos na fase de recomendar às pessoas para beber mais ou menos café. Dito isto, os nossos resultados sugerem que um consumo moderado – até cerca de três chávenas por dia – não prejudica a sua saúde e que incorporar o café na sua dieta pode ser benéfico para a saúde”.

A droga ideal

Mas o que é que falta saber para afirmar que o café é benéfico? Falta esclarecer como é que isto acontece. Qual é o composto que o café tem que consegue alcançar este efeito protetor no nosso organismo e como funciona esse mecanismo.

Portugal não está reapresentado neste vasto estudo, mas há várias equipes de investigação no país que já fizeram descobertas relacionadas com o café. Por exemplo, Luísa Lopes, investigadora do Insituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa, examinou a relação do café com a doença de Parkinson e demonstrou que a cafeína conseguia interferir na agregação tóxica de uma proteína que está muito associada aos doentes de Parkinson, que é a alfa-sinucleína. Ou seja, tinha um efeito protector numa doença neurodegenerativa.

Para a cientista, os resultados do estudo publicado esta segunda-feira são entusiasmantes, mas não são surpreendentes. “Não me surpreende, porque já tínhamos algumas pistas de que o café era protetor em várias doenças associadas ao envelhecimento da população e doenças crónicas: diabetes, doenças cardiovasculares e neurodegenerativas”, explica, deixando também a grande questão no ar: “Ainda não sabemos é porquê”. No entanto, a associação com a longevidade e o número de pessoas estudadas fazem deste estudo “um ponto de partida muito interessante para tentar saber mais”.

Falta agora “dissecar” os resultados estudando pequenos grupos, comparar grupos de pessoas que bebem café com pessoas que não bebem café, identificar os compostos e mecanismos que são responsáveis por este benefício. “O que provavelmente se segue são estudos muito mais focados, em modelos animais e estudos humanos com grupos mais pequenos, para conseguir dissecar estas conclusões, dar os compostos a cada grupo e ver o que acontece”, prevê a investigadora.

*Reportagem publicada originalmente no Jornal Público de Portugal.

Compartilhe e Comente

Faça uma doação ao JGB

Redes sociais do JGB

Publicidade

Publicidade

+ Publicações >>>>>>>>>

Manchete

Colunistas e Artigos

Sobre o autor

Redação
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]