Mares floridos | Por Baltazar Miranda Saraiva

Os navios mineiros da classe Carioca foram reclassificados como Corvetas, para serviço no 2ª Guerra Mundial. A imagem exemplifica a estrutura da Corveta Camaquã.

Os navios mineiros da classe Carioca foram reclassificados como Corvetas, para serviço na 2ª Guerra Mundial. A imagem exemplifica a estrutura da Corveta Camaquã.

Vice-almirante Almir Garnier Santos: seus familiares e irmãos de armas não tiveram direito a velório e nem mesmo a um túmulo para visitar. Eis por que os honramos com flores ao mar.

Vice-almirante Almir Garnier Santos: seus familiares e irmãos de armas não tiveram direito a velório e nem mesmo a um túmulo para visitar. Eis por que os honramos com flores ao mar.

Homenagem aos marinheiros mortos no naufrágio da Corveta Camaquã.

Homenagem aos marinheiros mortos no naufrágio da Corveta Camaquã.

O Comando do 2º Distrito Naval, sediado em Salvador, realizou neste sábado (22/07/2017), no Forte de Santo Antônio, no Farol da Barra, uma homenagem aos marinheiros que morreram em combate em defesa de nossa pátria. Flores foram lançadas ao mar após a salva de 21 tiros de fuzis automáticos, ocasião em que foi executado o toque de silêncio em homenagem àqueles que deram suas vidas pela pátria.

A Marinha do Brasil realiza essa cerimônia anualmente, em todos os Distritos Navais do país, para relembrar o aniversário do naufrágio da Corveta Camaquã, em 21 de julho de 1944, data que ficou consagrada à memória dos militares mortos em operações de guerra desde a luta pela consolidação da independência até a Segunda Guerra Mundial, incluindo episódios como a Batalha Naval do Riachuelo.

Como escreveu o vice-almirante Almir Garnier Santos, “Seus familiares e irmãos de armas não tiveram direito a velório e nem mesmo a um túmulo para visitar. Eis por que os honramos com flores ao mar”. Desde o século 19 que o oceano registra os combates onde muitos homens sacrificaram suas vidas no cumprimento do dever.

No início da Primeira Guerra Mundial, 176 homens perderam a vida patrulhando os mares entre Dakar e Gibraltar, na costa africana. Na Segunda Guerra, em 1942, as potências do Eixo bombardearam 20 navios mercantes, resultando em 18 afundamentos e 743 vidas perdidas. Durante os combates, 33 navios foram afundados, entre os quais, 3 da Marinha de Guerra, ocasionando a morte de 1.430 pessoas.

Essa homenagem serve também para mostrar que precisamos estar preparados para a defesa de nossa soberania. As Forças Armadas, a sociedade civil, os estudantes e todos os setores vivos da nação devemos estar preparados para as ameaças com que nosso país convive diuturnamente.

O mundo inteiro ameaça nossa soberania com olhos em nossas riquezas naturais. Somos o país mais rico do mundo, mas, por incrível que pareça, nossa riqueza está no mar. Nossas Forças Armadas já debatem a Amazônia Azul, definida como uma região maior e mais rica do que a Amazônia Verde, pois compreende uma faixa de 200 milhas marítimas de largura ao longo do litoral do Brasil, chamada de Zona de Exploração Exclusiva-ZEE, com 3,6 milhões de Km², que o Brasil pretende ampliar, com o apoio da ONU, alargar em alguns pontos em mais 350 milhas por efeito da Plataforma Continental, acrescentando outros 900 mil Km², sendo que, no total, essa área marítima soma 4,4 milhões de Km², ou seja, 10% maior do que a ocupada pela floresta amazônica, acrescentando ao país o equivalente a mais de 50% de seu atual território.

E grande parte disso será defendido pela Marinha, responsável pelo policiamento da costa brasileira e das águas interiores, bem como por fiscalizar e orientar a Marinha Mercante. É a mais antiga das três Armas. Sua origem remonta à Marinha portuguesa. Em 1736 foi criada a Secretaria D’Estado dos Negócios da Marinha pelo rei de Portugal, reorganizada por D. João VI quando de sua chegada ao Brasil com o nome de Ministério da Marinha e Domínios Ultramarinos.

O vice-Almirante Almir Garnier, cuja vida é um exemplo de decência e dignidade, comandou as homenagens na Bahia. De família humilde, esse bravo oficial queria ser, inicialmente, professor de literatura. Entretanto, precisando viver, ajudar à sua família e seguir uma carreira que lhe proporcionasse melhor servir ao Brasil, escolheu a Marinha, onde atingiu o oficialato com honra e distinção.

Em seu artigo ele descreve a situação histórica que ensejou a comemoração em memória dos mortos na Marinha em guerra, que ele chama de bravos combatentes e trabalhadores do mar, que tombaram nos conveses sombreados pela nossa bandeira verde e amarela.

A solenidade também serviu para lembrar que os heróis homenageados, que ontem receberam as flores da Marinha, quando em vida – qual linda garça cortando os ares -, também navegaram sob o céu do Brasil em suas galeras, florindo nossos mares, os mares verdes do nosso Brasil.

*Baltazar Miranda Saraiva é Desembargador e membro da Comissão de Igualdade do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJ/BA), e representa a magistratura como participante da Diretoria Executiva da Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (ANAMAGES), na condição de Vice-Presidente Social, Cultural e Esportivo.

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