Marco Aurélio Garcia: adeus ao construtor de pontes

Segundo ele [Marco Aurélio Garcia], o Brasil não opinará sobre a polêmica provocada por autoridades norte-americanas que levantaram dúvidas sobre como o governo paquistanês desconhecia a presença do líder no país.

Marco Aurélio Garcia (Porto Alegre, 22 de junho de 1941 — 20 de julho de 2017) foi um político brasileiro filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT). Foi professor aposentado do Departamento de História da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e historicamente vinculado à esquerda. Ocupou o cargo de assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais nos governos Lula e Dilma Rousseff.

“O grande legado de Marco Aurélio Garcia foi o de pensar o mundo globalizado e respeitar, em especial, as diferenças ideológicas e de concepções de sociedade. Essa é uma característica muito particular dele e que deixa muitos ensinamentos num plano para que, no futuro, as pessoas possam se debruçar sobre as andanças que teve pelo mundo.”

A afirmação é do secretário-adjunto de Assuntos Internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Ariovaldo Camargo, que falou sobre o legado político e humano deixado por Garcia, que morreu após enfarte na quinta-feira, em São Paulo, aos 76 anos.

Um dos fundadores do PT e principais coordenadores das políticas sócio-econômicas nos governos de Lula e Dilma, Garcia foi um dos mais ferrenhos defensores da criação dos BRICS e do diálogo Sul-Sul, tendo ajudado o Brasil a expandir embaixadas na África e defender aproximação dos governos de inspiração progressista na América Latina. No Palácio do Planalto, trabalhava em uma sala no terceiro andar, próxima ao gabinete presidencial. De lá, ajudou a reescrever boa parte da política externa brasileira. Formado em Filosofia e em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi professor na Universidade do Chile e nas universidades Paris VII e Paris X, na França, onde viveu exilado no anos 70, retornando ao Brasil em 1979 para ajudar a fundar o PT.

Camargo lembra que Garcia teve um papel importante em ajudar o PT a estabelecer um diálogo com partidos tanto da esquerda quanto da social-democracia em várias partes do mundo. O secretário-adjunto da CUT reconhece que os tempos mudaram, mas que ainda há bons nomes na América Latina que pensam países e sociedades dentro de um horizonte mais amplo.

“O fato é que você tever substituição de governo no Brasil que despreza e menospreza figuras importantes como o Celso Amorim, que hoje está colocado em quinto plano do ponto de vista das consultas e de seu pensamento, o próprio embaixador Samuel Pinheiro, figura importantíssima nessa construção de relações exteriores do Brasil. Ainda temos grandes personalidades que poderiam estar contribuindo. Lamentavelmente, o golpe colocou uma construção de desconstruir aquilo que os grandes economistas, pensadores e especialistas em relações internacionais foram construindo ao longo de décadas”, diz o secretário-adjunto.

Em função da nova agenda de governo, Camargo avalia que a relação do Brasil hoje com os BRICS é praticamente de dar as costas ao bloco, que visa a uma renovação do processo geopolítico e econômico do planeta. “O fator Brasil é um fator muito ruim dentro dessa nova lógica de conjuntura internacional”. Camargo cita como exemplo o pleito do Brasil em ser admitido na Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), no que ele classifica como um afastamento da história que vinha sendo construída e que vê como a busca de mecanismos de entrega de coisas tão caras à sociedade brasileira.

“A perda do Marco Aurélio para nós é tão grande como tem sido a perda da capacidade do Brasil de compreender as relações internacionais como sendo um espaço de disputar não uma hegemonia, mas ser parte do processo de construção da economia mundial. O Brasil está num processo de submissão, de entrega, de destruição de seu Estado com todas as políticas que vêm sendo adotadas, como a possibilidade de venda de terras para o capital especulativo ou de aumentar a área que pode ser desmatada na Amazônia. Ninguém esperava que um governo ilegítimo, num período tão curto, conseguisse fazer tanta destruição numa nação tão importante como o Brasil”, finaliza o secretário-adjunto da CUT.

*Com informações do Sputnik Brasil.

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