Feira de Santana: haverá um Clube de Campo Cajueiro no céu? | Por Adilson Simas

Fachada do acesso principal do Clube de Campo Cajueiro.

Fachada do acesso principal do Clube de Campo Cajueiro.

Na edição nº 9 de 2012, da Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Feira de Santana, Dázio Brasileiro Filho, ex-presidente do Clube de Campo Cajueiro, lembra como o clube surgiu, faz um relato da reunião que o concebeu, e mais uma nostálgica viagem no tempo lembrando o papel desempenhado por muitos dos baluarte que já estão no “andar de cima” e pergunta “Haverá um Cajueiro no Céu?”. Vale a pena ver de novo:

Os grandes nomes responsáveis pela construção do Clube de Campo Cajueiro estão partindo. E lá chegando, provavelmente já estão tomando as primeiras providências para instalação do novo Clube. José Manoel de Araújo Freitas, que chegou há mais tempo, já deve ter providenciado os estatutos, o livro de atas e organizado toda a secretaria. Amélio Teixeira de Amorim, às voltas com sua prancheta, está a imaginar quais as novas formas a serem criadas.

Pelo tempo que chegou por lá já foi possível fazer e desfazer muitas plantas. A definitiva deve estar pronta. Vicente Quezado Leite está a fazer as promissórias do Banco Econômico e aguardando levantar a grana para os pagamentos necessários. Agostinho Fróes da Motta, esperando as faltas financeiras para resolver o problema.

Antônio Falcão, distribuindo as “periquitas” do Banco Baiano da Produção para conseguir emitente e avalista para as mesmas. Creio que com a chegada de Washington de Cerqueira Carneiro (Tonton) este esforço de Antônio vai ser agilizado. Ele, Tonton, já agitando a todos para iniciar os trabalhos.

Com a chegada de Osvaldo Coelho Torres (acho que primeiro) ele vai conseguir um espaço onde recepcionará Sandra Bréa, Clovis Bornay, Evandro de Castro Lima, Charles Albert, Joaõzinho Trinta e tantos outros que nos deram tanta alegria nos “Cajus de Ouro”, se as obras não tiverem sido iniciadas, começarão imediatamente. Ah! Ia esquecendo o inesquecível Vinícius de Moraes que, com certeza, está compondo maviosos hinos para o Caju Celestial.

Outro que vai animar o evento é o saudoso Abelardo Barbosa, o Chacrinha, a distribuir manjar de bacalhau. Nosso querido amigo Freddy Sue, envolvido com a decoração, terá pouco trabalho, pois a mãe natureza já se encarregou de fazer este espaço belíssimo. Com o time quase completo creio que as obras se iniciarão em breve. Espero que quando eu chegar já esteja tudo concluído para que possa curtir este maravilhoso espaço feirense.

Nota do autor

O Clube de Campo Cajueiro surgiu de uma dissidência no Feira Tênis Clube. Numa eleição do Tênis, disputada por Osvaldo Coelho Torres e Wagner Mascarenhas, saiu vitorioso Wagner. Com o seu brio “ferido”, ainda no Tênis, Osvaldo confidenciou a alguns amigos que jamais voltaria a pisar neste clube. Armando Curvelo de Menezes (Pintão), perguntou:

– Você vai passar a frequentar qual clube? (Na época o Tênis era o clube da “high society” de Feira de Santana).

Osvaldo respondeu:

– Vou construir um novo clube.

No dia seguinte lá estava Osvaldo procurando os amigos e compartilhando a sua ideia. Um desses amigos, Newton da Costa Falcão, deu seu apoio de imediato, apoio este muito importante, pois Newton era uma pessoa de grande prestígio na cidade. Na sua peregrinação junto aos amigos o êxito foi total.

Amélio Amorim, arquiteto renomado na cidade, foi o escolhido para traçar as formas do novo clube. Quanto ao local, Osvaldo desejava que fosse fora da cidade, o que muitos consideravam errado – lembre-se que na época não existia carro como hoje.

O que seria o mundo se não existissem visionários? Osvaldo foi um destes. O local escolhido, à beira da BR 28 (atualmente BR 324), pertencia a Modesto Cerqueira e Clarindo Pereira Borges e fica a uns 04 km do centro da cidade (tomando-se por centro o prédio da Prefeitura, atualmente).

A primeira reunião, conforme a ata de fundação, datada de 12 de fevereiro de 1962 foi na residência de Osvaldo e contou com as presenças de: Jonathas Telles de Carvalho, Willy Vasconcelos de Azevedo Souza, Vicente Quezado Leite, Romeu Campos, Antônio da Costa Falcão, José Torres Ferreira, Amélio Amorim, Antônio Alves Barreto, Manuel Justo de Brito, Agostinho Fróes da Motta, Dr. Augusto Matias da Silva, Carlos Guimarães Trindade, Lício Bastos Silva, Ederval Fernandes Falcão, Alberto de Sá Moraes, José Manuel de Araújo Freitas, Eme Portugal.

Nesta reunião ficou definido o nome que seria dado ao novo clube. Elegeu-se a primeira diretoria que teve como presidente Osvaldo Coelho Torres. Definiu-se que o clube teria 500 associados, sendo 200 remidos e 300 contribuintes. Criou-se uma comissão de planejamento e construção tendo à frente o arquiteto Amélio Amorim. E assim nasceu o Clube de Campo Cajueiro

*Adilson Simas é jornalista.

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