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Comunicação e democracia | Por Márcio Marinho

Márcio Carlos Marinho é bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e deputado federal (PRB/BA).

Márcio Carlos Marinho é bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e deputado federal (PRB/BA).

A comunicação no Brasil nunca esteve imune a percalços. Não faltam, na história, registros de arbítrio e confisco na liberdade de expressão e no livre acesso à informação. Se hoje os jornalistas exercem plenamente o direito de apurar e informar, é porque houve, nas últimas décadas, o trabalho árduo e incansável daqueles que sempre defenderam a liberdade de imprensa na construção da democracia.

É fato que temos hoje uma imprensa livre, mas cabe a cada um de nós zelar pela qualidade da informação que se divulga. O avanço da comunicação digital em rede não pode, em nenhuma hipótese, trazer consigo o risco de faltarem a verdade dos fatos e a isenção, artigos tão caros ao ambiente democrático.

Sem dúvida, a internet e, especialmente, as redes sociais democratizaram o acesso à informação e trouxeram rapidez inimaginável à transmissão das notícias. Mas essa mudança de paradigma na comunicação não pode ter como marcas a imprecisão ou a incorreção das informações. Notícias mal apuradas, dados manipulados e meias verdades disseminam-se no mundo virtual, vendendo realidades distorcidas e inserindo as pessoas na era da pós-verdade: um tempo em que todos — do cidadão menos letrado ao intelectual mais graduado — estão vulneráveis a mensagens falsas ou enviesadas.

Algoritmos que decidem por nós o que ver primeiro na internet e nos induzem a acessar conteúdos que não buscamos nos tornam alvo da multiplicação inadvertida de inverdades. A comunicação em rede — onde “viralizar” é palavra de ordem — vê-se a serviço da proliferação de conteúdos mentirosos ou tendenciosos que podem induzir a hábitos compulsivos de consumo, incentivar comportamentos intolerantes ou até interferir em processos eleitorais. Os algoritmos trabalham a serviço da desinformação, colocando em risco a segurança da democracia e a qualidade da política.

Tenho muito orgulho em dirigir a comunicação da Câmara dos Deputados. Vez ou outra, ouvimos a crítica de que somos uma estrutura cara, comparável à de grandes empresas. Ora, como manter a transmissão ao vivo de tudo o que acontece no plenário e nas comissões? Como garantir que o nosso portal de internet cubra, em tempo real, todas as reuniões e votações? Como promover a discussão dos grandes temas da agenda nacional e garantir que o debate parlamentar chegue a todo cidadão brasileiro?

Para isso, precisamos de gente e tecnologia. Servidores concursados e outros profissionais criteriosamente selecionados garantem o apuro do que produzimos. Por meio da Rede Legislativa de TV Digital, estamos em sinal aberto em mais de 40 cidades, alcançando 55 milhões de pessoas. Pela TV por assinatura ou parabólica, estamos em todo o território nacional. As outras emissoras estão ligadas à TV Câmara por fibra ótica e reproduzem livremente o nosso sinal. Arrisco dizer que, por meio de seu próprio sinal ou de retransmissões, a TV Câmara chega a todos os lares brasileiros.

É essa estrutura que nos garante o atributo de fonte primária. Veiculamos informação sem intermediários. Todos os pensamentos e matizes têm voz na comunicação da Câmara. Todos os partidos têm espaço. Temos orgulho disso. Existimos para isso. E não é preciso dizer, claro, que centenas de jornalistas credenciados de todo o país têm livre acesso à Câmara para produzir suas próprias coberturas. Sabemos que a comunicação sem amarras é pilar da democracia.

*Márcio Carlos Marinho é bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e deputado federal (PRB/BA).

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