Reino Unido: primeira-ministra Theresa May descarta renúncia; principais assessores pedem demissão, e pesquisa indica que conservadores britânicos desejam que ela deixe governo

A primeira-ministra Theresa May enfrenta crise em decorrência de resultado eleitoral.

A primeira-ministra Theresa May enfrenta crise em decorrência de resultado eleitoral.

A primeira-ministra do Reino Unido, a conservadora Theresa May, não tem a intenção de renunciar, divulgou nesta sexta-feira (09/06/2017) a emissora pública BBC. Ela perdeu, nas eleições de quinta-feira (8), a maioria absoluta que mantinha na Câmara dos Comuns. A informação é da Agência EFE.

O Partido Conservador conseguiu 315 deputados nas eleições gerais, longe dos 326 necessários para ter maioria parlamentar, quando restam somente quatro das 650 circunscrições para divulgar os resultados oficiais. Theresa May recebeu pressões para considerar sua renúncia, dentro do próprio partido, e o líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, também pediu que ela deixe o governo.

No dia 18 de abril, a primeira-ministra convocou eleições antecipadas, quando as pesquisas previam fácil vitória dos conservadores. Durante a campanha eleitoral, no entanto, eles perderam parte dessa vantagem.

Em discurso após a confirmação da renovação de sua cadeira pela circunscrição de Maidenhead, no Sul da Inglaterra, May já sugeria a possibilidade de governar, apesar de não contar com maioria absoluta.

“Este país necessita de um período de estabilidade. Se o Partido Conservador conquistou a maior quantidade de cadeiras e votos, terá que assegurar essa estabilidade”, afirmou.

A deputada conservadora Anna Soubry pediu que May considerasse a possibilidade de deixar o governo. “É uma questão para ela. É ruim. Eu acredito que ela está em uma posição muito difícil e necessita considerar sua posição. Esta é uma noite terrível”, disse a deputada, que foi secretária de Pequenas Empresas e Indústria no governo de David Cameron, antecessor de Theresa May.

Com a falta de maioria absoluta na Câmara dos Comuns, o Partido Democrático Unionista do Ulster (DUP), que tem dez cadeiras das 18 da Irlanda do Norte, se mostrou aberto a negociar apoio aos conservadores.

Principais assessores de May pedem demissão após “enorme decepção” eleitoral

Nick Timothy e Fiona Hill, os chefes de gabinete da primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, e dois dos seus assessores mais próximos, pediram demissão neste sábado após a “enorme decepção” eleitoral da última quinta-feira, quando o Partido Conservador perdeu a maioria absoluta nas urnas. Informações da agência de notícias EFE.

“Aceito a responsabilidade por meu trabalho nesta campanha eleitoral, que era supervisionar nosso programa político”, afirmou em um comunicado Timothy, enquanto a demissão de Fiona foi anunciada por um porta-voz do Partido Conservador.

Diversas vozes dentro do Partido Conservador de May criticaram nas últimas horas o papel de Timothy e Fiona na campanha eleitoral, na qual ambos tiveram posição de destaque.

Em seu pedido de demissão, Timothy afirmou que o programa conservador para as eleições não era seu “projeto pessoal”, como sugeriram alguns veículos de imprensa, mas o resultado de “meses de trabalho” de toda a equipe de governo.

“Mesmo assim, assumo a responsabilidade pelo conteúdo de todo o programa, que continuo acreditando que é honesto e sólido para governar”, afirmou o chefe de gabinete.

Para Timothy, a razão para a “enorme decepção” que os conservadores sofreram “não foi a falta de apoio a Theresa May” entre os eleitores, mas “um aumento inesperado de apoio aos trabalhistas”.

Os conservadores somaram 318 deputados nas eleições gerais de quinta-feira, oito abaixo da maioria absoluta na Câmara dos Comuns, por isso precisarão a partir de agora do apoio de outros partidos para aprovar suas propostas parlamentares, enquanto os trabalhistas passaram de 232 para 262 cadeiras.

“Olhando para o futuro, nada mais importa que o bom governo do país. As negociações do ‘Brexit’ estão a ponto de começar e não há tempo a perder se quisermos que o Reino Unido consiga um bom acordo” com a União Europeia (UE), disse Timothy.

Por outro lado, Katie Perrior, ex-diretora de comunicações do nº 10 de Downing Street, a residência oficial e gabinete da primeira-ministra britânica, assegurou neste sábado que os dois assessores de May tratavam os integrantes do governo de forma “mal-educada, abusiva e infantil”.

“Os chefes de gabinete eram bons de briga, mas péssimos líderes políticos. Os grandes líderes conseguem sê-lo porque fazem com que as pessoas os sigam, e não deixando você louco inclusive antes de ter digerido o café da manhã”, criticou a ex-diretora de comunicação em declarações ao jornal “The Times”.

Segundo a imprensa britânica, integrantes do Partido Conservador exigiram de May uma mudança na chefia de gabinete do Executivo e a advertiram que tentariam forçar eleições primárias se ela mantivesse a Timothy e Fiona no cargo.

Mesmo com as pressões para que renuncie, May afirmou que não tem a intenção de deixar o cargo e que trabalha para conseguir um pacto de governo com o apoio parlamentar dos unionistas da Irlanda do Norte.

Horas depois da divulgação do resultado eleitoral, May confirmou em seus cargos os cinco principais ministros de seu governo, que controlam as pastas de Economia, Interior, Relações Exteriores, Defesa e “Brexit”.

Maioria dos conservadores britânicos quer que May renuncie, diz pesquisa

Uma pesquisa do site “ConservativeHome” revelou neste sábado que 59,5% dos integrantes do Partido Conservador do Reino Unido que a responderam acreditam que a primeira-ministra, sua correligionária Theresa May, deveria renunciar depois que a legenda perdeu a maioria absoluta nas eleições antecipadas da última quinta-feira. Informações da agência de notícias EFE.

O levantamento recebeu 1.503 respostas por parte de filiados do partido, dos quais 36,6% acreditam que May deve continuar no cargo, enquanto 3,9% disseram não ter uma opinião formada a respeito.

O site que divulgou a pesquisa, dirigido pelo ex-deputado conservador Paul Goodman, é um ponto de encontro habitual de integrantes e simpatizantes do Partido Conservador, no qual escrevem de forma regular alguns dos principais nomes da legenda.

Apesar das pressões que May recebeu para renunciar, a primeira-ministra reiterou ontem que não tem intenção de dar um passo atrás e que trabalha para forjar um acordo com os unionistas na Irlanda do Norte, que lhe permitiria seguir no comando do Executivo.

Nas eleições de quinta-feira, os conservadores somaram 318 deputados, oito abaixo da maioria absoluta na Câmara dos Comuns, onde precisarão do apoio de políticos de outros partidos a partir de agora para desenvolver suas propostas.

Algumas vozes dentro do Partido Conservador se mostraram contrárias a que May apresente agora sua renúncia.

O ex-ministro conservador para a Irlanda do Norte, Owen Paterson, alertou hoje em uma entrevista à “BBC” que iniciar um processo para escolher um novo líder levaria os conservadores ao “caos” em um momento político complexo, quando estão a ponto de começar as negociações sobre a saída da União Europeia (UE).

“Faltam nove dias para que comece o diálogo sobre o ‘Brexit’ e sofremos dois horríveis incidentes de segurança recentemente. Colocar agora o Partido Conservador em um novo processo de primárias seria muito pouco inteligente”, disse Paterson.

Horas depois da divulgação do resultado eleitoral, May confirmou no cargo os cinco principais ministros do seu gabinete, que controlam as pastas de Economia, Interior, Relações Exteriores, Defesa e “Brexit”.

*Com informações da Agência Brasil.

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