Quem é Rocha Loures, que passou de aliado fiel a possível ‘homem-bomba’ do governo Temer

Rodrigo Santos da Rocha Loures, suplente de deputado federal (PMDB/RS).

Rodrigo Santos da Rocha Loures, suplente de deputado federal (PMDB/RS).

O último ano havia sido bom para Rodrigo Rocha Loures. Com a ascensão de Michel Temer à Presidência, o aliado ganhou, em setembro passado, uma sala no mesmo andar do presidente, atuando como assessor especial de Temer. Na mesma época, sua mulher engravidou. Poucos meses depois, Rocha Loures voltou à Câmara dos Deputados, assumindo, por ser suplente, a vaga de Osmar Serraglio quando este foi nomeado para o Ministério da Justiça.

Com o retorno de Serraglio à sua cadeira na Câmara, na quinta-feira, Rocha Loures perdeu o foro privilegiado que tinha como deputado, aumentando a expectativa de que venha a se tornar um “homem-bomba” para o governo Temer.

O apelido se espalhou em Brasília devido ao potencial explosivo de uma eventual delação premiada – que poderia desvelar as negociações por trás da mala de R$ 500 mil que Rocha Loures recebeu da JBS, e qual seria o destino final da propina. Delatores da empresa afirmaram que os recursos seriam destinados ao presidente.

Na quinta-feira à noite (01/06/2017), a Procuradoria-Geral da República reiterou o pedido de prisão de Rocha Loures ao STF.

A perda da imunidade parlamentar e sua situação familiar – e a gravidez da companheira, que já soma 8 meses – alimentam a expectativa de que o ex-assessor de Temer venha a falar.

Do smoking aos gritos de ‘ladrão’

A maré virou na noite em que o escândalo das delações da JBS explodiu no Brasil. Rocha Loures estava longe, em Nova York. Na véspera, vestira smoking para prestigiar João Doria, no jantar de gala em que o prefeito de São Paulo recebeu o prêmio de Personalidade do Ano pela Câmara do Comércio Brasil-EUA.

Na volta da viagem, em que aconselhou potenciais investidores americanos sobre as reformas no Congresso, Rocha Loures desembarcou em Guarulhos sob gritos de “ladrão”, já afastado da Câmara por decisão do Supremo Tribunal Federal.

A alcunha de “homem-bomba” está muito distante do apelido de vida toda, o de Rodriguinho – filho de “Rodrigão”, o conhecido empresário paranaense Rodrigo Costa da Rocha Loures, fundador da Nutrimental e presidente do Conselho Superior de Inovação e Competitividade, na Fiesp.

A empresa, que teve faturamento de R$ 400 milhões em 2014, é pioneira das barrinhas de cereais no Brasil, que começou a desenvolver ao ser procurada por Amyr Klink nos anos 1980. O ilustre navegador buscava opções de alimentação saudável para abastecer suas longas travessias marítimas.

Hoje, é mais conhecida pela marca que nasceu dessa história, a Nutry – que Rodrigo, o filho, ajudou a desenvolver nos anos que passou à frente da empresa, antes de enveredar pela política.

‘Choque’ entre conhecidos

Quem acompanhou a trajetória do político e administrador de empresas nascido em 1966 entre os Rocha Loures – uma tradicional família do Paraná – diz que foi um “choque”, uma “surpresa”, ver e rever as imagens do ex-deputado saindo da pizzaria Camelo, em São Paulo, com a mala de R$ 500 mil.

Semanas antes disso, Rocha Loures fora indicado pelo presidente Michel Temer ao empresário Joesley Batista – quanto este lhe perguntou quem poderia lhe ajudar a resolver um problema da empresa.

“No Paraná, todos tinham uma boa impressão do Rodrigo”, diz o deputado federal João Arruda, que pertence à bancada do PMDB do Estado na Câmara.

“Todos foram pegos de surpresa. Ninguém poderia imaginar que o Rodrigo estaria envolvido… Não estou fazendo aqui um pré-julgamento, ainda temos esperar até que ele se defenda. Mas o flagrante coloca ele em uma situação muito difícil.”

Arruda, sobrinho do senador Roberto Requião (PMDB), conviveu com Rocha Loures quando ele iniciava sua trajetória política, em 2002.

Na época, o ex-assessor de Temer participou ativamente da campanha de Requião ao governo do Paraná. Com sua vitória, tornou-se chefe de gabinete do então governador em 2003 e lá permaneceu até 2005.

‘Persona non grata’

Quando o escândalo veio à tona, Requião falou no Twitter sobre a decepção com o antigo protegido. O senador apoiara a primeira candidatura de Rocha Loures, ajudando-o a obter o cargo de deputado federal, que assumiu em 2007.

“Rodrigo Rocha Loures, idealista, meu amigo. O que fizeram de você, Rodrigo Rocha Loures? Vejo tudo com indignação e muita tristeza. CANALHAS!”, escreveu o senador.

*Com informação da BBC Brasil.

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