Moody’s vê aumento no risco de futuros processos e rebaixa nota da JBS; AGU pede acesso a conteúdos de processos judiciais

A agência de classificação de risco Moody’s anunciou na sexta-feira (09/06/2017) o rebaixamento do rating (nota do risco de crédito) da JBS de Ba3 para B2. O grupo brasileiro, maior companhia de carne bovina do mundo, é um dos protagonistas da crise política no país desde maio, quando vieram à tona os detalhes de delação premiada feita por seus donos, os irmãos Joesley e Wesley Batista.

Além do rebaixamento, a Moody’s informou que tanto a JBS quanto sua subsidiária JSB EUA permanecem sob revisão para um possível novo rebaixamento. Em nota, a agência informou que a decisão reflete os riscos contínuos de o grupo se ver envolvido em potenciais futuros processos judiciais, além de danos em sua reputação. “[…] estes riscos podem atingir as operações da empresa, o acesso ao mercado e a liquidez”, afirma a Moody’s.

A agência ainda citou o acordo de leniência feito pela J&F Investimentos, a controladora do grupo, com a Procuradoria-Geral da República após acusações de práticas de corrupção. Acrescenta, por fim, que se a liquidez da empresa se deteriorar como consequência destes fatos, um novo rating pode ser anunciado antes do final do processo de revisão.

AGU pede acesso a conteúdos de processos judiciais que envolvem a JBS

A Advocacia-Geral da União (AGU) informou na sexta-feira (09) que pediu acesso ao conteúdo dos processos judiciais em que a J&F, controladora do grupo JBS, está envolvida. “A Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou acesso, ainda que sigiloso, aos autos de todos os processos em curso na 10ª Vara Federal do Distrito Federal referentes às operações da Polícia Federal Carne Fraca, Greenfield, Sépsis e Cui Bono”, informou em nota.

Segundo a AGU, o objetivo é saber se o acordo de leniência firmado entre a empresa e a Procuradoria-Geral da República (PGR) repara integralmente os danos causados pela JBS. No acordo, a empresa se comprometeu a pagar R$ 10,3 bilhões a título de ressarcimento pelos danos causados pelas práticas de corrupção,

“O objetivo é avaliar quais medidas podem ser adotadas para obter a reparação integral dos danos causados aos cofres públicos pelas irregularidades investigadas. [..] Observando que tal acordo envolve o ressarcimento de valores a órgãos e entidades públicas […], a AGU aponta não existir dúvidas de que há interesse da União para melhor compreensão dos fatos […]”.

O acordo entre JBS e PGR foi anunciado no final de maio. Segundo o Ministério Público Federal, o montante, a ser pago em 25 anos, representa o maior para esse tipo de acordo no mundo. Considerando a correção, a projeção é que o total a ser pago pela J&F, o chamado valor futuro, alcance cerca de R$ 20 bilhões.

Do total a ser pago pela empresa, R$ 8 bilhões serão partilhados entre a Fundação dos Economiários Federais (Funcef), a Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), totalizando 75% do valor. Já a União receberá 12,5% e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a Caixa Econômica Federal, 6,25% cada. Segundo o MPF, o restante da multa, R$ 2,3 bilhões, “será pago por meio de projetos sociais, especialmente nas áreas de educação, saúde e prevenção da corrupção”.

Compartilhe e Comente

Redes sociais do JGB

Publicidade

Publicidade

+ Publicações >>>>>>>>>

Publicidade

Manchete

Colunistas e Artigos

Sobre o autor

Redação
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]