Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pede que partidos pensem no Brasil em meio à crise; apoio do PSDB ao Governo Temer e envolvimento de senador em atos de corrupção evidenciam contradições discursivas

Senador afastado Aécio Neves e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) e Partido perde discurso ético ao ter uma das principais lideranças envolvida diretamente no Caso Lava Jato.

Senador afastado Aécio Neves e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC). Partido perde discurso ético ao ter uma das principais lideranças envolvida diretamente no Caso Lava Jato.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (15/06/2017), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC, PSDB/SP) afirmou que a gravidade da atual situação política do Brasil exige que o futuro do país seja discutido sem caráter “partidário”. FHC disse que cabe ao presidente Michel Temer avaliar as condições de sua permanência no cargo, mas que uma eventual piora no cenário político pode levar o país à convocação de eleições gerais.

“A ordem vigente é legal e constitucional [daí o ter mencionado como “golpe” uma antecipação eleitoral], mas não havendo aceitação generalizada de sua validade, ou há um gesto de grandeza por parte de quem legalmente detém o poder pedindo antecipação de eleições gerais, ou o poder se erode de tal forma que as ruas pedirão a ruptura da regra vigente exigindo antecipação do voto”, afirmou o tucano.

Na nota, Fernando Henrique também afirma que não vê condições de o PSDB permanecer na base de apoio do governo federal caso ocorram tentativas de barrar as investigações em curso – na Operação Lava Jato. “Preferiria atravessar a pinguela, mas se ela continuar quebrando será melhor atravessar o rio a nado e devolver a legitimação da ordem à soberania popular”, disse o tucano.

Fernando Henrique deixa claro, na nota, que essa é sua posição pessoal. E que os partidos políticos devem pensar no Brasil, nas suas condições econômicas e nos 14 milhões de desempregados ao decidirem os rumos que vão seguir.

A nota de Fernando Henrique foi enviada à Agência Lupa e reproduzida nesta quinta por diversos jornais do país.

Contradições

O apoio do PSDB ao Governo Temer, somada a citação de envolvimento do senador afastado Aécio Neves (PSDB/MG) em atos de corrupção, culminado com o apoio ao Golpe Parlamentar de 2016, que conduziu a usurpação do mandato democrático da presidente Dilma Rousseff (PT/RS) evidenciam as contradições discursivas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Observa-se que um dos principais delatores do Caso Lava Jato, Emílio Odebrecht, ao relatar que o esquema de corrupção desvelado no transcurso das investigações e julgamentos do Caso Lava Jato, ocorrerem há 30 anos no país, pode-se inferir que o governo FHC (1995 – 2002) atuou no intuito a manter o esquema operando, sem qualquer interferência dos órgãos de controle.

A nomeação de procurador-geral da República com afinidade ideológica e pouco autonomia, falta de infraestrutura e de pessoal da Polícia Federal (PF), aliado a ineficiência dos demais mecanismos de controle do Estado, indicam uma atitude conivente do então governante Fernando Henrique Cardoso  com a corrupção instalada na estrutura do Estado.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: [email protected]