Denúncia da PGR contra presidente Michel Temer incluirá depoimento do doleiro Lúcio Funaro; operador de Eduardo Cunha disse à PF que Geddel Quadros manteve contato questionado possível delação

Infográfico do Jornal Estadão aborda investigação federal contra presidente Michel Temer.

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Reportagem de Jailton de Carvalho — publicada neste domingo (11/06/2017), no Jornal O Globo —  revela que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deverá apresentar denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB/SP) e o ex-assessor Rocha Loures.

Segundo a reportagem, o texto está sendo finalizado, mas a tendência é que o procurador-geral mantenha as acusações de corrupção, organização criminosa e obstrução à Justiça, que já pesam contra Temer. A denúncia deve aumentar a pressão sobre o governo que tem o presidente e dois terços dos ministros investigados por corrupção.

Os crimes atribuídos a Temer foram descritos no pedido que deu origem a abertura de inquérito contra ele e Loures no Supremo Tribunal Federal (STF). Agora, deverão ser reforçados pelo resultado do material apreendido no início da fase pública da Operação Patmos e pelo depoimento de Lúcio Bolonha Funaro, entre outras provas obtidas ao longo dos últimos dias. A denúncia deverá conter ainda o resultado da perícia sobre a gravação da conversa entre Temer e Joesley Batista, um dos donos da JBS, na noite de 7 de março, no Palácio do Jaburu.

A reportagem revela que neste contexto, ganham peso as declarações de Lúcio Funaro sobre o assédio do ex-ministro Geddel Vieira Lima que, até deixar o governo, era um dos dois mais próximos de Temer. No depoimento à PF na semana passada, Funaro disse que o ex-ministro teria ligado algumas vezes para a mulher dele recentemente. Geddel queria saber se Funaro iria mesmo fazer delação. Para investigadores, a confissão de Funaro confirma um dos principais trechos da comprometedora conversa de Temer com Joesley, no porão do Jaburu.

Na conversa, Temer indicou Loures para substituir Geddel Quadros com liberdade para tratar de “tudo” com um dos donos da JBS. O presidente fez a indicação depois de ouvir do empresário que, com o ex-ministro fora de circulação, precisava de um novo interlocutor para tratar dos interesses dele no governo. Dias depois, o roteiro traçado na conversa com Temer é cumprido à risca. Loures sai a campo para negociar cargos e decisões estratégicas com Batista. As conversas foram devidamente gravadas.

Depois dos acertos iniciais com Batista, Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil de Ricardo Saud, executivo da JBS e um dos operadores da propina da empresa. O dinheiro seria a primeira parcela de um suborno que, ao longo de 25 anos, superaria R$ 600 milhões pelas contas da Polícia Federal. Os pagamentos estariam condicionados ao atendimento de interesses da JBS e ao sucesso dos negócios escusos da empresa com o governo.

Em relação à gravação da conversa de Joesley e Temer, os peritos disseram inicialmente que a análise se arrastaria por mais de um mês. Mas, logo depois, informaram aos investigadores que o trabalho poderia ser concluído antes do prazo. Com isso, Janot estaria livre para incluir o laudo na denúncia. O trabalho do Instituto Nacional de Criminalística está sendo mantido em sigilo. Mas investigadores já emitiram sinais de que a perícia reafirmará que não houve adulteração do conteúdo da conversa. O próprio presidente já confirmou os trechos centrais da conversa.

Para o procurador-geral, ao tratar do diálogo publicamente, Temer acabou ratificando, de forma extra-judicial, a conversa com o empresário. Para investigadores, as provas recolhidas até o momento são fortes e isso explicaria a reação do presidente, que não quis responder a nenhuma das 82 perguntas encaminhadas a ele pela Polícia Federal. Para eles, foi inacreditável que Temer tenha deixado todas as questões em aberto. Pela lei, o investigado não é obrigado falar. Mas o silêncio indica ausência de argumentos para dirimir dúvidas e afastar suspeitas.

Para investigadores, o caso Temer é um dos mais bem documentados da Lava-Jato. Os supostos crimes estariam registrados em cada uma de suas etapas: a gravação da conversa de Temer com Batista, a indicação de Loures como interlocutor, as negociações do ex-assessor com o empresário, o recebimento da primeira parcela da propina e, depois, a confirmação pública do conteúdo dos diálogos.

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