Corruptocracia financiada | Por Luiz Holanda

Artigo aborda história e envolvimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Caso Lava Jato.

Artigo aborda história e envolvimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Caso Lava Jato.

O BNDES foi criado em 1952 como autarquia federal. Seu objetivo era formular e executar o desenvolvimento nacional, financiando as empresas através de um volume de crédito subsidiado, com prazos maiores para pagamento e sem os obstáculos opostos pela excessiva burocracia dos bancos privados.

Numa primeira fase, o banco investiu em infraestrutura, mas, com o advento das estatais, passou a investir mais na iniciativa privada, principalmente na indústria.

Sua denominação inicial foi Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico -BNDE, até o início dos anos 80, quando foi marcado pela integração das preocupações sociais à política de desenvolvimento. A mudança se refletiu em sua denominação, que, em 1982, passou a se chamar Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A partir daí a corrupção, que já existia em menor escala, se ampliou de tal maneira que passou a fazer parte do contrato de financiamento, como cláusula subentendida.

Durante os anos 60, sua atenção era voltada para a agroindústria e para as pequenas e médias empresas, proporcionando-lhes um crédito fácil e subsidiado. Em 1964 começou a descentralizar suas operações abrindo escritórios regionais em São Paulo, Recife e Brasília, operando em parceria com uma rede de agentes credenciados, espalhados por todo o Brasil.

Em 1971 tornou-se empresa pública, o que lhe proporcionou uma maior flexibilidade na contratação de pessoal e maior liberdade nas operações de capitação. Data dessa época o incremento da interferência política em suas decisões.

Desde os anos 70 que se torno peça fundamental na política de substituição de importações. Os setores de bens de capital e insumos passaram a receber mais investimentos, o que levou à formação do mais completo parque industrial da América Latina, com destaque para os investimentos em segmentos que se tornaram fundamentais para o desenvolvimento do nosso país, como a informática e a microeletrônica.

Em 1974 estabeleceu três subsidiárias para atuar no mercado de capitais, ampliando as formas de capitalização das empresas brasileiras e incentivando o desenvolvimento econômico do país. Em 1982 essas subsidiárias se fundiram na BANDESPAR, braço de investimentos do Banco.

Sua importância para a corrupção foi tanta que, recentemente, a JBS distribuiu comunicado sobre a Operação Bullish, deflagrada pela Polícia Federal, reafirmando que todo o investimento do BNDES na empresa foi feito por meio da BNDESPAR, quando a companhia já possuía ações listadas em bolsa, “em consonância com a legislação do mercado de capitais brasileiro, sem qualquer favorecimento à companhia”.

Depois que o PT assumiu o governo, o assunto virou segurança nacional. Foram feitos empréstimos milionários para as empresas de Eike Batista, para a Delta, para o Porto Mariel, em Cuba, para 0 governo de Angola e para outras empresas e países, Isso sem falar nas que, como a Friboi, recebia o financiamento e repassava um percentual bastante generoso para as campanhas eleitorais do PT e do PMDB.

Garantida por nossos tribunais, entre os quais o Supremo Tribunal Federal-STF, a corrupção se institucionalizou de tal maneira que o Brasil passou a ser visto como uma corruptocracia, haja vista o financiamento eleitoral feito por nossas empresas às campanhas políticas eleitorais, sempre com a promessa de recebimento de favores futuros.

Considerando a institucionalização da roubalheira, que se tornou um dos princípios fundamentais de nossa administração pública, a corrupção se generalizou tanto que até síndico de prédio superfatura produtos de limpeza para receber o troco em propina.

O empresário Ricardo Semler, em nota para a imprensa, disse que “era impossível vender diretamente (para a Petrobrás) sem propina”.

Hoje está bastante claro que somos uma corruptocracia financiada pelo BNDES, cuja caixa preta ninguém tem coragem de abrir, pois isso revelaria que quem financia políticos contrata mais com o governo e cresce financeiramente mais que as demais empresas. O lucro do investimento pode chegar a 850% sobre o valor doado, segundo pesquisa do Instituto Kellogg.

As empresas que pagaram propina à classe política estão entre as que mais enriqueceram e as que mais doaram dinheiro aos partidos em períodos eleitorais, segundo um estudo do Instituto Ethos, realizado em janeiro de 2014. Daí ninguém se escandalizar quando o TSE absolver a chapa Dilma-Temer por crime eleitoral.

*Luiz Holanda é advogado e professor universitário.

Compartilhe e Comente

Redes sociais do JGB

Publicidade

Publicidade

+ Publicações >>>>>>>>>

Publicidade

Manchete

Colunistas e Artigos

Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: [email protected]