As filarmônicas de Feira Santana em eventos | Por Adilson Simas

Apresentação da Sociedade Filarmônica Euterpe Feirense.

Apresentação da Sociedade Filarmônica Euterpe Feirense.

Vale a pena ver de novo o texto com o título acima, do historiador Antônio Moreira Ferreira, o ‘Antônio do Azedinho’, publicado no livro ‘A Feira no século XX’, editado em 2006:

– Até a década de 50, Feira de Santana tinha três filarmônicas, Vitória, Vinte e Cinco de Março e Euterpe Feirense, como as principais mantedoras das tradições do início do século XX.

Acompanhavam procissões, enterros de sócios, faziam retretas aos domingos nas três praças da cidade que tinham coreto (Bernardino Bahia, Matriz e Fróes da Motta), promoviam passeios ferroviários para cidades vizinhas e ainda mantinham uma mini escola de música para quem desejasse tocar algum instrumento.

Sobre isto o nosso querido e falecido amigo Alberto Alves Boaventura nos conta, em seu livro ‘Estórias e Fatos’, o seguinte acontecimento:

O Coronel Américo de Almeida Pedra foi, na verdade, o arauto desse movimento. Não podia ele ouvir falar em músico, que logo se movimentava para a sua contratação. De tal forma, que todo aquele cidadão que aparecesse aos ensaios da filarmônica, ele estava a perguntar:

Certo dia chegou ao ensaio da banda um jovem vindo da cidade de Mundo Novo (ali era arquivista da filarmônica local) e como demonstrasse muita atenção nas partituras executadas, o Coronel Pedra não perdeu tempo e aproximou-se do Daniel (este era o seu nome) e perguntou:

– “Caboclo você sopra?”

E Daniel, que era crioulo metido, respondeu:

– “Às vezes.”

O coronel insistiu:

– “O que você sopra?”

Daniel, fagueiramente, disse:

– “Café quando está quente…”

Além de tocarem em todos os eventos da cidade, as filarmônicas não deixavam de comparecer ao batizado, casamento, formatura, sepultura, etc, desde que fosse de um sócio ou filho deste.

Nos fins de ano, na formatura das professoras da Escola Normal de Feira de Santana, as filarmônicas tinham um trabalho enorme que se prolongava até altas horas da noite, pois, além da visita na casa do recém formado, ainda tinha o discurso de saudação do orador da filarmônica ao homenageado.

Lembro-me de que, no dia 10 de dezembro de 1949, dia do meu casamento e mesmo dia da formatura de minha noiva, Célia Lima, tínhamos programado passar a lua de mel em Santo Amaro onde iríamos residir.

Após a cerimônia de formatura, realizou-se o casamento na Igreja Matriz e dali partimos para a casa do sogro, onde havia uma recepção.

Chegou a primeira filarmônica, discursos, músicas, brindes. Lá para as onze horas da noite chega a segunda filarmônica e tudo se repete.

Impaciente, tratei de pegar a noiva e embarcar no automóvel que me levaria a Santo Amaro, quando surgiu o meu sogro protestando:

-Vocês têm que esperar a outra filarmônica e o fim de festa.

– O fim da festa vai ser lá em Santo Amaro, respondi enquanto dava partida no carro.

Foi uma decepção para os nossos pais, mas para nós…

*Adilson Simas é jornalista.

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