Alemães de olho no sol da Bahia; Governo Rui Costa planeja liderança nacional no setor da energia fotovoltaica

Governador Rui Costa Rui Costa planeja liderança nacional na cadeia produtiva da energia fotovoltaica.

Governador Rui Costa Rui Costa planeja liderança nacional na cadeia produtiva da energia fotovoltaica.

O ritmo acelerado de captação de investimentos não para na Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia (SDE). No início de junho de 2017, em sua passagem pela Alemanha durante a Feira Intersolar, em Munique, o superintendente de Promoção do Investimento, Paulo Guimarães, participou da assinatura de um memorando de entendimento para formação de uma Joint Venture entre a empresas baiana AN Solar e a alemã Kaco New Energy, uma das maiores produtoras de inversores de potência do mundo. O documento dá seguimento às etapas que viabilizarão a futura instalação de uma fábrica de inversores no Estado da Bahia.

“Uma vez de posse desse documento, nosso próximo passo, que deve acontecer em julho, é assinar protocolo de intenções com a empresa AN Solar para implantação da fábrica de inversores com a tecnologia da alemã Kaco. A Bahia passará a produzir um dos itens mais importantes dos módulos fotovoltaicos, que é composto do painel (vidro + célula), do “tracker” que faz o painel girar acompanhando o sol e do inversor de potência”, afirma Guimarães.

De acordo com José Augusto Fernandes Neto, sócio diretor da AN Solar, a estimativa de investimento é de R$ 7 milhões com criação de 550 empregos diretos e indiretos. “Escolhemos a Bahia devido a sua proximidade do maior potencial solar do país, os semiáridos baiano, pernambucano e piauiense. Quando a fábrica estiver em plena capacidade serão produzidas anualmente 10 mil unidades de inversores”, diz.

Na oportunidade, o superintendente se reuniu com a empresa brasileira Solyes e a suíça Meyer Burger, um dos maiores fabricantes mundiais de equipamentos para produção de painéis solares. A Solyes, que tem protocolo de intenção com a SDE para implantar uma fábrica de painéis em Juazeiro, contará com equipamentos de última geração da empresa suíça.

“Inicialmente a Solyes vai importar o vidro para produção dos painéis e a célula fotovoltaica. Mas o governo já apresentou uma solução para que a produção do vidro seja feita na Bahia a partir da mina de sílica de alta pureza que fica na região de Belmonte e com direitos minerários pertencentes ao Estado. Na próxima semana vamos nos reunir com a empresa para apresentar o potencial da mina de sílica do Estado, tratar do processo de incentivos fiscais e da implantação da sua fábrica na Bahia”, explica.

Segundo o CEO da Solyes, Sérgio Marques, a previsão é que a fábrica entre em operação no 2º semestre de 2018 para fabricação de painéis de geração distribuída e concentrada, que são os parques solares. “Vamos fabricar painéis solares com tecnologia smartwire, todo equipamento será montado na Bahia. Quanto à matéria prima, parte será importada e parte pode ser adquirida de empresas também domiciliadas no estado da Bahia”, afirma.

Marques diz que a estimativa é investir R$ 80 milhões. “Estamos na fase de teste de solo, obtenção de licenças ambientais e ajuste dos incentivos fiscais. Nas obras civis serão gerados cerca de 200 empregos e quando a fábrica estiver em funcionamento em dois turnos serão criadas 50 vagas. Com três turnos, o número de empregos aumenta para 70, lembrando que serão cargos de nível técnico alto”, afirma.

Potencial da sílica baiana

Além da sua posição privilegiada, o que faz da Bahia líder em investimentos na geração de energia fotovoltaica, o estado tem algumas das melhores reservas de areia silicosa e quartzo do mundo, matéria-prima para a produção de painéis fotovoltaicos, células solares e vidros extra clear.

“A jazida de sílica (SiO2), localizada no município de Belmonte, Extremo Sul baiano, é de altíssima pureza e atualmente o Estado tem ainda 2/3 disponíveis para exploração. A composição química média “in natura” é igual a 98,94% com baixo teor de contaminantes e metais e hoje já está sendo utilizada por uma empresa de vidro para cosméticos. Com o processamento o SiO2 atinge uma pureza de 99,995% atendendo a todo mercado de sílica processada”, afirma Paulo Guimarães.

A autorização para utilização das jazidas de sílica é dada pela CBPM – Companhia Baiana de Pesquisa Mineral, através de licitação. Após aquisição dos direitos minerários, a empresa passa a pagar “royalties” à CBPM.

Cadeia produtiva

Guimarães explica que com a produção dos inversores na Bahia, com tecnologia alemã, o Estado passa a produzir um equipamento que corresponde de 20 a 30% do módulo solar do ponto de vista de custo. “É um equipamento de alta tecnologia e portanto nós vamos ter aqui condição de iniciar uma cadeia produtiva. Em seguida começaremos a produzir os painéis e espero que em breve os próprios “trackers” fazendo com que com a produção local contribua financeiramente com a instalação dos projetos de parques solares a serem implantados na Bahia ou em outros estados, já que o BNDES exige para concessão do financiamento um percentual de mais de 60% de conteúdo local”, afirma.

O superintendente destacou que o empenho do governo na atração de investimentos abriu um importante canal de diálogo com outra gigante do setor, a Siemens, que hoje já investe na Bahia, pois a mesma acabou de adquirir a Gamesa, uma empresa tradicional do setor de energia eólica. “A Siemens está demonstrando interesse em investimentos na área de energia solar. Tive uma primeira conversa com o diretor global de energia fotovoltaica e eles demonstraram interesse de montar uma fábrica de equipamentos solares aqui na Bahia e nós vamos ainda este ano voltar a conversar com a empresa para verificar onde e que tipo de produto eles fabricariam aqui”, diz.

Finalizando sua visita à Alemanha, Guimarães se reuniu com o Governo da Baviera que tem interesse em fazer um irmanamento com a Bahia. “Existem várias áreas de interesse comum como ciência e tecnologia, turismo, cultura, energia, então a ideia agora depois desse encontro é que algumas atividades, principalmente na área de interação científica, tecnológica e entre universidades comecem a acontecer para que ainda este ano haja a possibilidade da assinatura desse termo de irmanamento entre a Baviera e a Bahia”, finaliza.

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