Salvador: recital de poesias ‘Boca a Boca: um solo para Gregório’ é apresentado no Café-Teatro Rubi

Cena do espetáculo 'Boca a Boca: um solo para Gregório'.

Cena do espetáculo ‘Boca a Boca: um solo para Gregório’.

Com narrativa radicalmente contemporânea, ‘Boca a Boca:  um solo para Gregório’  é  um recital  de poesias  do Boca de Brasa  em  formato  de show de rock

Com encenação e roteiro de João Sanches, o consagrado ator Ricardo Bitencourt e o músico Leonardo Bittencourt realizam no Café-Teatro Rubi, no Sheraton da Bahia Hotel, a temporada brasileira do espetáculo ‘Boca a Boca : um solo para Gregório’, que foi encenado pela primeira vez em Lisboa, Portugal. As apresentações seguem durante todo o mês de maio, às quintas-feiras de maio de 2017, sempre às 20:30 horas.

Em cena, Ricardo Bitencourt declama poesias e fala sobre a vida e a obra de Gregório de Mattos. Ao vivo, o músico Leonardo Bittencourt executa a trilha sonora que tem canções do The Doors, Nirvana, Ramones, mas também de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Novos Baianos.  “Gregório é rock’n roll puro, pois ele tem essa atitude roqueira da contestação. Isso sem contar que ele é POP – por isso, o repertório se vale de estrelas da MPB e do Rock internacional”, explica Sanches.

Para Ricardo Bitencourt, o espetáculo é rápido, dinâmico e apresenta o texto de Gregório como grande protagonista. “Eu sou um agente do discurso do poeta e um porta voz da poesia dele”, explica, ressalvando que “são os eus líricos de Gregório que aparecem durante as declamações”. A temporada baiana de “Boca a Boca: um solo para Gregório” é uma realização da Sole Produções. O ticket couvert artístico custa R$ 60,00 e pode ser comprado no site www.compreingressos.com ou na bilheteria do Café-Teatro Rubi – 71 3013-1011.

O BOCA

‘Boca a Boca : um solo para Gregório’ busca reconhecer a importância do poeta baiano, que é considerado, por muitos teóricos, o primeiro escritor brasileiro efetivamente nascido no Brasil, em 1636. Depois de ficar conhecido como “Boca do Inferno” e “Boca de Brasa”, pelas críticas ferozes e debochadas que fazia em suas poesias à sociedade do século XVII, Gregório foi preso e enviado para exílio em Angola. Conseguiu ser perdoado e voltar ao Brasil, mas com a condição de que morasse em Recife e nunca mais voltasse à Bahia, permanecendo até hoje banido de sua terra. “Queremos trazer Gregório de volta para a Bahia e mostrar o quanto ele é atual”, comenta Sanches. E ressalta: “queremos dar um solo para Gregório”.

O roteiro apresenta um conjunto de 40 poemas ou trechos de poemas de Gregório de Matos, que são divididos não de forma cronológica, mas, sim, por temas, como a sátira de costumes, o sexo, a religião e a crítica ao Governo. Intercalando os blocos de temas, há pequenos comentários narrativos que contextualizam e associam aquela produção literária a momentos da vida do poeta. Com agilidade e no ritmo do repertório musical, Ricardo Bitencourt se divide entre o narrador e as múltiplas facetas do declamador.

Já o título do espetáculo faz referência não só aos apelidos que o poeta ganhou, mas também à forma como a sua poesia foi perpetuada: no boca a boca, no cópia a cópia, uma vez que a imprensa e a editoração gráfica eram proibidas no Brasil Colônia. A publicação das obras completas de Gregório de Matos só ocorreu no século XX, ou seja, quase trezentos anos depois de manuscritas. Quanto à expressão “um solo para Gregório”, ela remete ao formato solo do espetáculo, que tem um único ator em ação, ao solo da guitarra de Leonardo Bittencourt, e ao pleito maior de devolver para Gregório o seu solo natal, já que ele foi proibido de pisar em terras baianas e os seus restos mortais encontram-se até hoje em Recife.

A realização do espetáculo é uma parceria entre o Teatro Itália e a Sole Produções.

Desdobramentos do projeto

A ideia é que a encenação do espetáculo “Boca a Boca: um solo para Gregório” seja a primeira etapa de um projeto mais extenso. Ao longo da futura turnê brasileira da peça teatral, serão realizados também seminários, debates com estudantes de escolas públicas, um concurso literário, apresentações internacionais em países de Língua Portuguesa e uma campanha política com o objetivo de trazer de volta à Bahia os restos mortais de Gregório, ainda que seja através da inauguração de um túmulo simbólico. “O que mais importa é que o discurso de Gregório chegue às pessoas e que a memória dele seja perpetuada com as honras que merece”, afirma o ator Ricardo Bitencourt. “O Brasil precisa saber quem foi Gregório de Matos, o primeiro escritor do nosso país”, complementa o diretor João Sanches.

Ficha técnica

Poesias: Gregório de Matos

Intérprete: Ricardo Bitencourt

Roteiro e encenação: João Sanches

Trilha ao vivo: Leonardo Bittencourt

Direção de movimento: Matias Santiago

Assistente de direção: Marina Martinelli

Figurino: João Sanches, Robério Sampaio e Ateliê Elizabeth Marie

Confecção de figurino: Robério Sampaio e Ateliê Elizabeth Marie

Adereços: Alessandra Santiago

Maquiagem: Alessandra Santiago e Dino Neto

Iluminação e cenário: João Sanches

Coordenação de produção: Simone Carrera

Assistente de Produção: Eri Souza

Contrarregra: Valfredo Oliveira

Design Gráfico: Caio Vinícius Costa

Fotografia: Sora Maia

Realização: Sole Produções – Simone Carrera – diretora geral

Mídias Sociais – Fernanda Caymmi

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