Portugal: Papa Francisco canoniza dois irmãos pastorinhos em Fátima

Centenas de milhares de peregrinos se reuniram em Fátima, no sábado, onde o Papa Francisco canonizou dois novos santos. Jacinta e Francisco Marto eram crianças há 100 anos quando suas visões da Virgem Maria marcaram este lugar como um importante santuário católico.

Centenas de milhares de peregrinos se reuniram em Fátima, no sábado, onde o Papa Francisco canonizou dois novos santos. Jacinta e Francisco Marto eram crianças há 100 anos quando suas visões da Virgem Maria marcaram este lugar como um importante santuário católico.

O papa Francisco canonizou no sábado (13/05/2017), em Fátima (Portugal), os dois irmãos pastorinhos Jacinta e Francisco Marto, que, ao lado da prima Lúcia, presenciaram as aparições da Virgem Maria há 100 anos. Em cerimônia que durou cerca de três horas, o papa ordenou que os nomes dos irmãos sejam inscritos no Livro dos Santos, formalizando, assim, a canonização dos dois pastores portugueses, os mais jovens santos não mártires da Igreja Católica. ”Assim o ordeno”, disse, em português, o pontífice.

Ele foi demoradamente aplaudido por uma multidão de meio milhão de pessoas, vindas de 55 países e que desde quarta-feira (10) permaneciam no recinto do Santuário, a enorme praça onde estão as basílicas de Nossa Senhora do Rosário, a Santíssima Trindade e a Capela das Aparições, antiga Cova da Iria, onde teriam ocorrido as aparições.

A cerimônia começou às 10h (no horário local; 6h, no horário de Brasília), quando o papa deixou a Basílica de Nossa Senhora do Rosário, onde rezou nos túmulos dos dois novos santos. Acompanhado de cardeais, bispos e padres, Francisco se dirigiu à grande tribuna, em frente à basílica, para celebrar a missa da canonização. Deteve-se poucos minutos diante do andor com a imagem da Virgem de Fátima, localizado na ponta direita da tribuna. De cabeça curvada, rezou e iniciou a celebração da missa, sempre em português.

A missa foi acompanhada pelo coro do Santuário de Fátima. Francisco não deixou de marcar posição perante as injustiças do mundo em relação aos mais desfavorecidos. Na homília, agradeceu aos presentes explicando por que não poderia ter deixado de participar dos festejos do centenário das aparições e de venerar a Virgem Maria. ”Sob seu manto, não se perdem; dos seus braços, virá a esperança e a paz que necessitam, e suplico para todos meus irmãos no batismo e em humanidade, de modo especial para os doentes, pessoas com deficiência, os presos e desempregados, os pobres e abandonados”, acrescentou, sob os aplausos dos fiéis.

Foram três horas, entre a missa, a canonização, a comunhão dos presentes, cantos e orações. O papa não se descuidou dos que sofrem. Após a missa, deslocou-se até a ala direita do altar, para uma benção especial aos 350 doentes vindos de todas as regiões de Portugal e de outros países, convidados para as comemorações. Do lado esquerdo, estavam o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro, Antonio Costa, além de políticos, embaixadores, empresários e personalidades. Quando a cerimônia terminou, o presidente da República foi ao encontro do papa para cumprimentá-lo.

Papa Francisco celebra a missa durante a cerimônia de canonização dos irmãos pastorinhosMaurizio Brambatti/Agência Lusa/Direitos reservados
No altar, 100 cardeais, de diversas partes do mundo, e centenas de bispos e padres acompanharam a missa. Francisco trajava batina branca, tradição iniciada pelo papa Inocêncio V em 1276, que era dominicano e adotou essa cor de veste. O papa Francisco pouco sentou-se, ficou de pé a maior parte do tempo.

A cerimônia teve vários momentos de emoção, sobretudo na comunhão, oferecida aos presentes por 2 mil padres.

Além de policiais, centenas de escoteiros cuidavam da organização. Eles são 74 mil em Portugal, atividade explicada pelo chefe do grupo como indispensável à formação da juventude. É uma tradição portuguesa.

Após o término da cerimônia, o andor com a imagem Virgem de Fátima foi levado de volta à Basílica da Santíssima Trindade por dez jovens cadetes do Exército, cruzando os milhares de fiéis que não se cansavam de acenar e de aplaudir. O gesto foi repetido por um sorridente papa Francisco, que aguardou silenciosamente, sentado, até o momento em que desceu no altar para a Cerimônia do Adeus.

Já no papamóvel, Francisco foi cercado pela multidão. Risonho, ele acenava para os fiéis, que seguravam lenços e bandeiras. No trajeto, um policial lhe entregou um bebê, a quem o papa acariciou ternamente. Poucas horas depois, o pontífice embarcou em um avião da TAP de volta ao Vaticano, acompanhado por um grupo de 72 jornalistas.

Na primeira mensagem aos fiéis em Fátima, papa pede concórdia entre os povos

Na primeira mensagem aos fiéis que o aguardavam em Fátima para as comemorações do centenário das aparições da Virgem Maria, o papa Francisco pediu “concórdia entre todos os povos”, convidando-os a “lavar os pés na mesma mesa que une a todos.” A multidão foi estimada em cerca de 300 mil pessoas. As cerimônias deste fim de semana preveem também a canonização dos irmãos pastores Jacinta e Francisco, que, ao lado da prima Lúcia, tiveram a visão da Virgem no início do século passado.

O papa Francisco chegou nesta sexta-feira (12) à Base Aérea de Monte Real, em Portugal, no horário previsto – 16hs30 – para uma visita de apenas 23 horas ao país. Quarto papa a visitar Fátima, Francisco foi recebido pela cúpula governista, tendo à frente o presidente Marcelo Rebelo de Sousa. No ano passado, assim que tomou posse, Rebelo foi ao Vaticano visitar o pontífice.

Na base aérea, depois de cumprimentar o primeiro-ministro Antonio Costa e o presidente da Assembléia, Ferro Rodrigues, e de um encontro reservado com Rebelo, o papa embarcou em um helicóptero militar em direção ao Estádio de Fátima. No centro do campo, Francisco tomou o papa móvel, que o levou à Capelinha das Aparições. O trajeto foi percorrido lentamente, com o papa acenando à multidão, que, desde cedo, ocupou as vias de acesso ao Santuário para vê-lo e aclamá-lo.

Quando o papamóvel surgiu no Recinto do Santuário, os sinos repicaram, levando os fiéis a saudar o papa Francisco com gritos de alegria e entusiasmo. Cantando e rezando, num coro estimulado pelos alto-falantes, as pessoas levantaram bandeiras multicoloridas de diversos países e de grupos de peregrinos de diferentes origens. O percurso não demorou mais de 15 minutos, até que o carro papal estacionou frente à Capelinha das Aparições.

Usando batina branca, Francisco desceu, cumprimentou os religiosos que o cercaram e entrou na capela onde, de pé, frente à imagem da Virgem de Fátima, rezou em silêncio durante cerca de 10 minutos.
Enquanto o papa rezava, todo permaneceram em silêncio. Em seguida, Francisco dirigiu-se à multidão e, em português, pediu a “concórdia entre todos os povos”, convidando-os a “lavarem os pés na mesma mesa que une a todos.”

Foi uma breve e singela cerimônia, após a qual o pontífice embarcou novamente no papamóvel para se recolher à Casa de Nossa Senhora das Dores, onde jantaria e pernoitaria, mas a multidão permaneceu no local. Somente por volta das 21h30, o papa regressaria ao Santuário para a Procissão das Velas.

Organização

A organização das cerimônias comemorativas do centenário das aparições da Virgem de Fátima e da canonização dos pastorinhos Jacinta, Francisco e Lúcia, que tiveram as visões, foi cuidadosa, tanto para os peregrinos quanto para as autoridades, jornalistas e convidados.. Cerca de 1.700 jornalistas, sendo 1.300 de Portugal, foram credenciados para as comemorações do centenário de Fátima. –.400 vieram de 32 países, incluindo os 72 que acompanharam Francisco na viagem entre Roma e Monte Real-Roma. Eles pagaram 1.738,15 euros, mais 30 euros pela documentação para a viagem.

Montada em uma grande tenda, ao lado da altar principal, em frente à Basilica, a sala dos jornalistas proporciona aos profissionais de imprensa uma visão privilegiada e oferece toda a estrutura necessária ao trabalho. Com facilidade, os jornalistas podem entrar e sair para observar o que se passa no recinto do Santuário, sem tumulto ou atropelos. Alguns órgãos de imprensa preferiram montar suas próprias redações, em um total de 25 espaços distribuídos pelas Basílicas de Nossa Senhora do Rosário e Centro de Imprensa.

Visita do Papa Francisco aquece comércio em Fátima

A visita do Papa Francisco a Fátima trouxe bons negócios para comerciantes, donos de hotéis, pousadas, restaurantes, cafés, bares,locadoras de veículos e fabricantes de produtos religiosos, como velas, imagens, terços e santinhos. Desde a quarta feira passada, 1 milhão de pessoas invadiu a pequena cidade do centro de Portugal, fundada em 1568 e com poucos mais de 11 mil habitantes, pertencente ao Concelho (semelhante a município no Brasil) de Ourém.

Sua denominação teria se originado no nome árabe Fãtimah. Segunda a lenda, seria o de uma princesa moura que, depois de ter sido aprisionada pelo Exército Cristão, durante a Reconquista, foi dada em casamento a um conde de Ourém. Como aceitou a religião Católica foi rebatizada como Oriana. O conde chamou Fátima às terras e Oriana à pequena localidade, depois batizada como Ourém, sua atual denominação.

Papa Francisco participa no Santuário de Fátima, em Portugal, para celebrar o centenário das aparições da Virgem Maria no local José Sena Goulão/Agência Lusa
Mas Fátima preparou-se para as comemorações do centenário das aparições aos três jovens pastores, na Cova da Iria, em 1917. Ao lado da cuidadosa organização do próprio Santuário de Fátima, há anos a cidade vem ampliando e reforçando sua infraestrutura hoteleira, viária, de alimentação, logística e de recursos humanos. Foram construídas novas vias de acesso, estacionamentos, enquanto as empresas fabricantes de produtos religiosos duplicaram a produção e as equipes.

Muitos visitantes vieram em caravanas-móveis, onde ficaram hospedados. Milhares acamparam, outras tantos se hospedaram em hotéis, pensões, pousadas, alugaram casas, apartamentos e quartos particulares, dormiram em seus carros ou se instalaram em cidades e vilas próximas a Fátima. Os preços da hospedagem e dos restaurantes triplicaram ou mais e, meses antes, já não havia mais local disponível, o que levou fiéis a irem e virem diariamente para Fátima.

Durante o dia e, à noite, após as cerimônias religiosas, quem não reservou com antecedência, não encontrou mesa para almoçar ou jantar. O santuário montou locais especiais para alimentação, com preço menor, e implantou numerosos banheiros químicos no entorno do Santuário, mas as filas eram imensas em todos os locais.

Apesar da chuva que não deu trégua, a cidade foi de festa durante toda a semana, com cafés, bares, restaurantes e lojas abertos, iluminados e repletos de clientes. O resultado foi um alto faturamento para os proprietários. Um dos produtos mais procurados pelos visitantes foi o rosário, em globo de vidro, feito por várias fábricas locais. Cada um custava cerca de 10 euros e esgotaram em pouco tempo. Com a procura, duplicaram de preço.

O trânsito fluiu tranqüilo, com raros pontos de estrangulamento. Foram milhares de policiais preparados para coordená-lo, muitos dos quais não conheciam bem a cidade e não conseguiam responder a perguntas sobre a localização dos principais pontos de atração dos festejos. A maioria revelou que viera de outras partes do país, daí não ser capaz de ajudar. Não foram registrados tumultos, brigas ou acidentes graves, o que tem sido uma das características nas cidades visitadas pelo Papa Francisco mundo afora.

Milhares de pessoas, de 55 diferentes países, participaram das comemorações, o que era visível devido à multiplicidade de bandeiras das nações na ampla Praça do Recinto do Santuário, incluindo as do Brasil. Brasileiros peregrinos de idades variadas se deslocaram a Fátima em sinal de devoção e de fé. Um grupo de 19 peregrinos veio de Fortaleza, seguindo depois para outra peregrinação, em direção a Santiago de Compostela.

Um casal de advogados, aparentando cerca de 70 anos, Luciano João Texeira Xavier e Antonia Xavier, veio do Paraná para pagar a promessa pela cura da mulher, que havia estado nove meses acamada. Simpático e animado, em pé e sem dormir há dois dias, na primeira fila dos peregrinos, Luciano confessou-se “maravilhado” com as comemorações do centenário de Fátima e não se cansou de elogiar a organização e simpatia dos portugueses.

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