Operação Patmos: por suspeita de corrupção, STF determina que deputado Rocha Loures e os senadores Aécio Neves e Zezé Perella sejam afastados dos mandatos; PF cumpre mandado de prisão de Andrea Neves, Ângelo Villela e Willer Tomaz

Aécio Neves da Cunha, ex-candidato a presidente da República, presidente nacional do PSDB é afastado do mandato de senador por envolvimento em atos de corrupção desvelados no Caso Lava Jato.

Por possível envolvimento em atos de corrupção desvelados no Caso Lava Jato, o ministro Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin determinou, nesta quinta-feira (18/05/2017), que o deputado Rodrigo Santos da Rocha Loures (PMDB-PR) e os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e José Perrella de Oliveira Costa (Zezé Perella, PMDB-MG) sejam afastados dos mandatos. Edson Fachin determinou, também, que a Polícia Federal cumpra mandados de prisão e de busca e apreensão em endereços usados pelos parlamentares.

Sobre a operação, a PF informou que foram expedidos cerca de 40 mandados. Eles estão sendo cumpridos no Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte. Segundo G1, há mandados de prisão preventiva contra Andrea Neves, irmã do senador, contra o procurador da República Ângelo Goulart Villela, procurador que atua do Tribunal Superior Eleitoral (TSE); e Willer Tomaz, advogado do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ).

Conhecido por ser braço direito do ex-deputado condenado no Caso Lava Jato Eduardo Cunha, Altair Alves Pinto é também um dos alvos da operação policial.

Endereços dos mandados

A operação se estende aos gabinetes no Congresso Nacional dos parlamentares Aécio Neves, Zezé Perella e Rocha Loures e à residência de Andréa Neves, irmã do senador. Os imóveis de Aécio são localizados no Lago Sul, em Brasília; em Ipanema, no Rio de Janeiro; e em Anchieta (MG). Ele também tem uma fazenda no município de Cláudio, no interior de Minas.

O presidente do Senado, Eunício Oliveira, foi informado da ação no Senado pelos investigadores nesta manhã e autorizou a entrada da PF no Senado acompanhada de um funcionário indicado por ele.

A sede do TSE também foi alvo de busca e apreensão, em decorrência dos pedidos de prisão do procurador da República Ângelo Villela e Willer Tomaz,

Acusação

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, foi acusado pelo empresário Joesley Batista de lhe pedir dinheiro em meio às investigações da Operação Lava Jato. O valor de R$ 2 milhões foi rastreado e chegou ao senador Zezé Perrela.

Executivos do grupo J&F, proprietário da marca JBS, afirmaram que o senador tucano foi gravado pedindo R$ 2 milhões a um dos donos da empresa, Joesley Batista, para pagar a própria defesa na Operação Lava Jato.

Operação Patmos

A Operação ‘Patmos’ é decorrente de investigações do Caso Lava Jato e foi deflagrada na quinta-feira (18/05/2017) pela Polícia Federal (PF), através de requerimento da Procuradoria-Geral da República (PGR), com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). O nome da operação faz referência a ilha grega de Patmos, local onde o Apocalipse (último livro canônico do Novo Testamento) foi revelado ao apóstolo João.

No transcurso da Operação ‘Patmos’, cerca de 200 policiais federais cumpriram 49 mandados judiciais, sendo 41 de busca e apreensão e 8 de prisão preventiva nos estados de Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Maranhão, além do Distrito Federal. As buscas ocorrem na residência de investigados, em endereços funcionais, escritórios de advocacia e órgãos públicos.

O objetivo da operação foi coletar provas de corrupção e crimes contra a administração pública, entre outros crimes, nas investigações que tramitam no STF, decorrentes de acordo de delação premiada de executivos do grupo J&F, proprietário da marca JBS, dentre os eles os irmãos Joesley Batista e Wesley Batista.

*Com informações da Folha, Estadão, O Globo e G1.

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia).