Piscicultura tem apoio da Codevasf e gera emprego e renda no semiárido baiano

Com apoio da Codevasf piscicultura beneficia famílias do semiárido baiano.

Com apoio da Codevasf, piscicultura beneficia famílias do semiárido baiano.

Alimentar os peixes já virou rotina na vida da ex-diarista da fruticultura irrigada, Edivane Limoeiro, que há 12 anos tem dedicado sua vida à piscicultura. Ela desenvolve suas atividades no entorno do lago artificial da barragem de Sobradinho, no Norte da Bahia. Edivane é presidente da Associação dos Criadores de Peixes de Sobradinho (Acripeixess), entidade apoiada pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco de do Parnaíba (Codevasf), pela 6ª Superintendência Regional, sediada em Juazeiro.

A Companhia tem investido, desde 2005, mais de R$ 1,25 milhão em ações de estruturação da cadeia produtiva da piscicultura naquela região, com implantação inicial de dois módulos com 60 tanques para criação de peixes, construção de dois galpões de 80 m² para armazenamento de ração, além de prestação dos serviços de assistência técnica periódica e distribuição de mais de 600 mil alevinos vindos do Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Bebedouro, em Petrolina (PE), para diversas associações de piscicultores de Sobradinho e também das cidades vizinhas de Casa Nova e Sento Sé.

Com esses investimentos, segundo dados da Unidade de Desenvolvimento Territorial da Gerência de Revitalização da Bacia Hidrográfica (6ª GRR/UDT), foram criados cerca de 150 empregos diretos e 600 indiretos. No caso dos piscicultores familiares que trabalham na borda do lago, a renda gerada hoje é estimada em cerca de dois salários-mínimos por produtor. A produção é de cerca de 1.500 toneladas de tilápia por ano, alcançando uma renda bruta anual de aproximadamente R$ 10 milhões, incluindo o que é produzido pelos associados e por produtores particulares.

“Tudo o que nós temos aqui, agradecemos à Codevasf, pois foi ela que deu o pontapé inicial para a piscicultura aqui na região. Hoje estamos bem estruturados e conseguimos tirar uma boa renda para nos mantermos”, garante Edivane.

Assim como tantas outras mulheres dedicadas ao trabalho, ela acorda cedo, deixa preparado café e almoço para os filhos e vai cuidar do seu negócio. “A piscicultura é minha vida, não me vejo fazendo outra coisa a não ser isso” confessa Edivane. As tilápias que ela cria são comercializadas in natura em feiras livres da região e distribuídas da mesma maneira para cidades vizinhas como Juazeiro, Casa Nova, entre outros estados.

Da mesma forma, a piscicultora Albaneide dos Santos Pinto, que também é sócia na Acripeixess, considera a Codevasf como “uma segunda mãe”. “A Codevasf tem ajudado muito a gente. Somos muito agradecidos por todo apoio que ela tem dado à nossa associação. Sem ela, isso aqui não existiria”, conta Albaneide que há 13 anos sobrevive desta atividade.

Nessa mesma rotina de criação de peixes, está Jocecino José dos Santos, também ligado à Acripeixess. Antes de entrar para essa atividade, ele trabalhava como garçom. “Com a piscicultura, eu consigo tirar uma renda maior de quando eu era garçom. Já troquei minha moto por outra maior e consigo sustentar a minha família. Essa é uma atividade importante para nossa região e que deve ser mais observada por parte do governo”, afirma.

Incentivo à produção

Atualmente, existem 11 associações de piscicultores e 14 produtores independentes que trabalham no entorno do lago artificial da barragem hidroelétrica de Sobradinho. Cerca de 95% deles estão concentrados na cidade da barragem, e os outros 5% estão divididos entre as cidades de Sento Sé e Casa Nova.

Outra entidade apoiada pela Codevasf é a Associação de Produtores de Peixes de Sobradinho (APPS). Com três anos de atividade, ela também já foi equipada com tanques-rede, rações e apoio técnico dos engenheiros de pesca que atuam na Superintendência Regional da Codevasf em Juazeiro.

Hoje, com 10 sócios, a diretoria comemora os bons resultados do setor na cidade. “Nossa produção está muito boa. Nossa meta é chegar a 100 toneladas de peixes esse ano. Mas todo esse ciclo positivo é graças ao apoio que a Codevasf tem nos dado. Sem ela, nada disso seria possível”, afirma o piscicultor e sócio da APPS, Sílvio Santana de Alcântara.

Apesar de todos os benefícios concedidos à associação, Alcântara sente a necessidade de uma rede de beneficiamento de peixes na região. “É uma forma de agregar valor ao produto, pois a partir de uma unidade implantada, o peixe pode ser reaproveitado para outros fins, como confecção de bolsas, bijuterias e outros produtos para o consumo como hambúrguer, filés, etc.”, ressalta ele.

Para o chefe da Unidade de Desenvolvimento Territorial da Gerência de Revitalização da Bacia Hidrográfica (6ª GRR/UDT), o engenheiro de pesca Luciano Gomes da Rocha, a piscicultura é uma atividade que pode ser implantada com pequenos produtores familiares. Diferentemente de outras atividades agropecuárias, o pescado praticamente não sofre oscilações do preço de venda durante o ano, sendo uma atividade que requer trabalho e atenção com os manejos da criação.

Outra vantagem, segundo o engenheiro, é que ela já começa a gerar renda entre o período de oito a doze meses, garantindo tanto a segurança alimentar de uma família, bem como ganhos financeiros que podem permitir ter a criação de peixes como fonte principal de renda familiar.

“Nosso apoio à piscicultura já tirou muita gente que trabalhava por diárias no sol abrasador das fazendas de fruticultura irrigada da região e colocou essas pessoas para serem donas do próprio negócio, aproveitando a potencialidade natural do meio ambiente e de sua capacidade produtiva. O aparelhamento desses produtores e as orientações e acompanhamentos técnicos são um importante trabalho que realizamos na estruturação da cadeia produtiva da piscicultura em nossa área de atuação, e o reconhecimento da importância da Codevasf dentro deste cenário é a prova de que precisamos continuar investindo nesse setor”, conclui o superintendente regional da Codevasf em Juazeiro, Misael Aguilar Silva Neto.

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