Edvaldo Lima critica união homossexual em casamento coletivo

Edvaldo Lima.

Edvaldo Lima.

Em seu discurso na manhã desta segunda-feira (15/05/2017), na Câmara Municipal de Feira de Santana, o vereador Edvaldo Lima (PP) leu uma declaração do Papa Francisco, a maior representatividade do cristianismo internacional da Igreja Católica, a qual ele respeita incondicionalmente e que tem trabalho prestado pela população. No texto, Edvaldo diz que o Papa fala sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, que para ele não pode ser equiparado como família tradicional. “O Papa diz que ninguém pode pensar que enfraquecer a família, como sociedade natural fundada sobre os matrimônios, seja algo bom para a sociedade”, disse.

Edvaldo ainda destacou uma passagem bíblica que diz que se o homem se deitar com outro homem, como quem se deita com uma mulher ambos praticam o ato, repugnante e terão que ser executados, pois merecem a morte. “Essas são palavras da Bíblia Sagrada, o maior livre e a maior constituição do universo”, completou.

Edvaldo ainda abordou um estudo realizado pela Universidade de Georgia, nos Estados Unidos, em que se comprova que os evangélicos são mais perseguidos que os católicos. O estudo era sobre a perseguição aos cristãos no mundo e na África é onde a perseguição é maior. “Os evangélicos não fazem mal a ninguém, não prejudicam a ninguém, mas são mortos. Mesmo sendo perseguidos e humilhados nós não revidamos e levamos as causas deles para o Deus que tudo pode e executa”, completou.

O discurso foi para abordar o casamento coletivo. O edil lembrou que existiu uma tentativa no ano de 2013, em que houve a desistência e esse ano volta a se permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo nessa atividade. Em 2013, Edvaldo disse ter ido à Secretaria de Desenvolvimento Social porque não poderia aceitar que algo feito com dinheiro público para casamento com pessoas do mesmo sexo. “Isso é uma aberração. Na época o Governo entendeu a mensagem e recuou, mas agora, para minha surpresa, abre-se de novo o casamento coletivo com a possibilidade de ter casamento de pessoas do mesmo sexo. Vi isso numa entrevista com o secretário Ildes Ferreira”, disse.

O vereador chamou a atenção de todos os vereadores que fazem parte da bancada evangélica, questionando se eles abaixariam a cabeça, sendo que até mesmo o Papa Francisco não aceita tal ação. “O casamento entre homem e mulher é o reverenciado por Deus. Casamento de pessoas do mesmo sexo não traz benefícios, só traz o mal. A Bíblia Sagrada nos dá uma regra de fé e nos orienta”, disse.

Geralmente, ainda conforme o vereador, os casamentos são realizados em igrejas evangélicas e por isso o edil alertou as entidades ligadas as mesmas para que se atentem para o fato de que a igreja terá que realizar o casamento de pessoas do mesmo sexo, já que o secretário destacou que aquele é um espaço alugado e depois disso quem comanda são eles. “Com todo respeito que tenho ao secretário, ele não pode ir contra a palavra de Deus e contra a sociedade. Ele tem que administrar sem constranger as famílias feirenses”, completou.

Edvaldo ainda destacou que ao ouvir o programa De Olho na Cidade, da Rádio Sociedade, onde um representante do LGBT convocou a todos para participarem do casamento coletivo e que esse tipo de casamento ainda não foi aprovado pelo Congresso Nacional. “Os nossos representantes vão trabalhar para que esse projeto diabólico não seja aprovado”, falou.

Em aparte o vereador Marcos Lima (PRP) disse que ligou para o secretário e a informação foi que não há inscritos para o casamento homossexual e se isso acontecer será realizado em horário e local diferentes.

Edvaldo salientou que o secretário está tirando o braço da seringa, já que não foi isso que ele falou ao site. “Ele disse que não havia inscrito, mas que se houvesse casaria sim na igreja. É um ato administrativo, mas ainda não é lei. O que ele quer é passar por cima das determinações de Deus”, findou.

José Carneiro rebate críticas de Edvaldo Lima sobre casamento coletivo

O vereador José Carneiro (PSDB), em seu discurso na Câmara Municipal de Feira de Santana, na manhã desta segunda-feira (15/05), se referiu à fala do vereador Edvaldo Lima (PP) que criticou a realização de casamento entre pessoas do mesmo sexo, colocando “em cheque a preparação, competência e seriedade do secretário de Desenvolvimento Social, Ildes Ferreira”. Para Carneiro, Edvaldo pode ter esquecido que o programa Família Cidadã, que hoje se denomina casamento coletivo, foi criado na gestão de José Ronaldo e ao longo dos anos tem crescido.

“Cidadãos e cidadãs procuram a Secretaria para fazer suas inscrições e poder se casar. Muitas famílias já foram unidas através do programa. Respeitando a religiosidade do colega, ele deve fazer coro no Congresso Nacional para tentar mudar as leis que já existem e permitem o casamento com pessoas do mesmo sexo”, disse.

O vereador destacou que o Código Civil Brasileiro permite o casamento de pessoas do mesmo sexo e que por isso não entende como o vereador usa a tribuna para colocar a culpa no Governo Municipal e, em especial, no secretário Ildes. “Esse é um Governo de todos, dos evangélicos e dos católicos, dos negros e dos brancos, dos pobres e dos ricos, do hétero, do homo e do trans e não pode, em nenhuma hipótese, governar com discriminação”, pontuou.

Carneiro ainda questionou se um dia Edvaldo, ao chegar à administração municipal, iria governar a cidade apenas para os evangélicos. “Criticar é mais fácil do que se organizar e ir lá unir forças para mudar leis já existentes”, afirmou.

Em aparte o vereador Cadmiel Pereira (PSC) diz que é evangélico, mas entende que o prefeito José Ronaldo, com sua sensibilidade e responsabilidade, tem um governo que respeita todas as categorias, raça, cor, sexo e religião como deve ser. “Jamais o prefeito teria uma atitude que afrontaria a Igreja Evangélica, a exemplo de um casamento que fere os princípios cristãos”, justificou.

Ainda conforme Cadmiel, a Secretaria de Desenvolvimento Social, e não diferente o seu secretário, tem que estar de portas abertas para atender todos aqueles que precisarem da assistência social. “O meu rito de fé não pode transpor o respeito a uma sociedade”, completou.

Também em aparte, o vereador Roberto Tourinho (PV) parabenizou Carneiro pelo seu pronunciamento e destacou que o casamento de pessoas do mesmo sexo não pode ser realizado num horário diferente dos demais. “O artigo 5º da Constituição Federal diz que todos são iguais perante a Lei, sem distinção de qualquer natureza, garantido-se aos brasileiros e estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, segurança, religião e sexo. No artigo 19º da mesma Constituição diz que é vedado à União, Estados, Distrito Federal e Municípios criar distinções entre brasileiros ou preferência entre si. Eu acredito que qualquer entidade ou qualquer um dos casais que ingressar na Justiça conseguirão, mesmo que alguns não concordem, ser reconhecidos por lei”, explicou.

De volta com a palavra e concluindo sua fala, Carneiro disse que a participação de Tourinho serviu para esclarecer a posição do Governo Municipal, na pessoa do secretário Ildes Ferreira, que é competente e comprometido com a função que exerce.

Edvaldo Lima é contra casamento homoafetivo em templo evangélico

No uso da tribuna, no tempo do grande expediente da sessão ordinária desta segunda-feira (15/05) na Casa da Cidadania, o vereador Edvaldo Lima (PP) voltou a repercutir o fato de haver possibilidade de uma união homoafetiva no casamento coletivo, que será realizado em um templo evangélico.

Antes do discurso, Edvaldo concedeu um aparte ao líder do Governo na Casa, vereador José Carneiro Rocha (PSDB). “Recebi o telefonema do secretário Ildes Ferreira, que me afirmou que não há nenhuma inscrição de casal homossexual. Ele ressaltou que os casais homoafetivos que concederam o matrimônio em 2013 optaram por oficializar a união no Fórum e não no templo onde aconteceu o casamento coletivo”, disse.

Em pronunciamento, Edvaldo Lima disse estar preocupado com a entrevista concedida pelo secretário, onde ele afirma que “até agora não há nenhuma inscrição de casal homoafetivo, e se tiver será realizado, pois agora é lei”. “Quero que me digam onde tem isso na Constituição Federal. Isso não é Lei e não há nenhuma tramitação no Congresso Nacional. O que querem é empurra goela a baixo e o secretário quer tirar o braço da seringa. Não podemos permitir essa aberração”, pontuou.

Em aparte, o edil Ewerton Carneiro (PEN) informou que fez contato com o chefe de gabinete da Secretária de Desenvolvimento Social e que até o momento não há nenhuma inscrição de casal homoafetivo para o casamento coletivo. “Se houver inscrição, a união não será realizada no templo evangélico. Também sou contra a união de casal do mesmo sexo em templos evangélicos”, disse.

Para finalizar, Edvaldo afirmou que o secretário recuou de sua posição. “E tem que recuar mesmo, pois ele sabe que não iremos abrir mão para que isso aconteça”, findou.

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