Editorial: a democracia pulsa e um movimento crescente emerge em meio à multidão; para 150 mil cariocas, Caetano Veloso canta e conclama ‘Diretas Já!’

Caetano Veloso canta e conclama 'Diretas Já!'.

Caetano Veloso canta e conclama ‘Diretas Já!’.

Na letra da música ‘Um Grito em Meio à Multidão’, de autoria do grupo Garotos Podres, a poesia revela o que a imprensa golpista mascara, o desejo de liberdade, igualdade e fraternidade do povo brasileiro:

Sob o céu cinzento

Nesta selva de concreto

Em meio às trevas

Da tirania do capital

Com a alma tocada

Pela sede de justiça

Punhos se erguem

Golpeando o infinito

Ecoa um grito

Um grito ecoou neste domingo (28/05/2017), no Rio de Janeiro, 150 mil cariocas foram à praia de Copacabana celebrar a democracia de massa. Nesta celebração, o cantor baiano Caetano Veloso, expatriado em 1969 pelas mesmas forças que tomaram o poder da República, com o Golpe Parlamentar de 2016, cantou e conclamou eleições ‘Diretas Já!’.

O chamado de Caetano Veloso por democracia popular parece ecoar pelo tempo, conectando passado e presente. Dissolvendo os véus, as amarras que mantém o povo brasileiro subjugado por uma elite econômica e política corrupta. Elite, que usa instrumentos de persuasão da grande mídia — Globo, Estadão, Folha e Veja — introjetando com a agulha hipodérmica da mídia de massa falsas verdades, pseudo consentimentos, com a finalidade de colocar no poder da presidência da República quem lhes convêm, para depois retirar, e mais uma vez, “elegendo” outro mandatário, que sirva com mais lealdade canina aos “donos do poder”.

Absorta, ultrajada e subjugada, a população emerge em lento despertar. Este domingo (28) foi mais uma etapa da luta histórica por democracia. A mesma luta em que tombaram as pessoas que sonharam, durante os anos de chumbo, com uma nação onde liberdade, igualdade e fraternidade não fossem apenas utopia, mas uma realidade concretizada.

Cinco décadas depois do Golpe Civil/Militar de 1964 o mesmo desafio permanece, a mesma utopia persiste, o desejo de que a riqueza da nação seja compartilhada entre o povo, que a prosperidade seja alcançada pelo trabalho, e o poder da República advenha da vontade democrática dos cidadãos.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: [email protected]