O Cisne Branco | Por Luiz Holanda

O Cisne Branco (U-20) é um navio-veleiro da Marinha do Brasil, que exerce funções diplomáticas e de relações públicas.

O Cisne Branco (U-20) é um navio-veleiro da Marinha do Brasil, que exerce funções diplomáticas e de relações públicas.

Cisne Branco é o nome do veleiro da Marinha que aportou por estes dias em Salvador, onde foi objeto de visitação pública. Admirado por suas imponentes estruturas, essa galera de três mastros foi construída com os sistemas tecnológicos mais avançados, embora realizando todas as manobras de convés e vela.

Baseado em projetos dos últimos “Clippers” do século XIX, foi construído em Amsterdã, Holanda, sob a supervisão da Marinha Brasileira. Para uma melhor compreensão, a embarcação “Clipper” representou o auge da navegação, desses século, tendo como principal característica a velocidade, bem superior às embarcações da época.

Segundo os especialistas, o bom desempenho desse navio, com ágil deslocamento no mar, era resultado da grande área velica, sustentada por três grandes mastros, impulsionando um casco esbelto e alongado, acima da água, com um nítido avanço de corpo e proa, além de uma maior amplitude a ré.

O pessoal da Marinha costuma dizer que a alta velocidade do clipper permitiu que fosse usado para transporte de passageiro e cargas valiosas, como o chá e o ópio. As últimas versões dos Clippers chegaram a ter o casco de madeira revestido de cobre, para minimizar a incrustação de cracas e mariscos, alguns com casco de ferro no período do navio a vapor.

Em 1869, a abertura do Canal de Suez possibilitou que os navios vapores dominassem o “tea trade”, ocasião em que os clippers começaram a perder a sua influência. Segundo Álvaro Snibwiesky, no belíssimo texto intitulado “O QUE É UM VELEIRO”, esse navio é o que mais se assemelha a um ser vivo, respondendo às forças da natureza quase como um animal. È um cruzamento de peixe com ave, de forma que suas velas são as asas potentes que o fazem flutuar sobre o mar.

Para o autor, não existem veleiros iguais, porque eles possuem alma e personalidade próprias. O Cisne Branco é assim. Começa pelo seu nome, o mesmo da Marinha do Brasil, a canção do marinheiro. O sincretismo está na analogia entre a beleza e a graça de um cisne branco, comparado com a beleza e a graça desse veleiro, que navega fazendo uma “feliz Travessia”, na simbologia heráldica.

Em seu interior temos o o Lobby da Santa, que é uma réplica, em tamanho reduzido, da que foi trazida na nau do descobrimento por Pedro Alvares Cabral, em 1500. Foi doada pelos portugueses quando da incorporação do navio à Armada, chamando a atenção para o fato de que a imagem foi feita pelos descendentes dos artesãos que esculpiram a imagem original.

O Cisne Branco é comandado pelo Capitão de Mar e Guerra João Alberto de Araújo Lampert, carioca de nascimento e possuidor de um vasto cabedal de conhecimento marítimo, entre os quais os navios, notadamente os guerra, que são sua especialidade.

Sua vasta experiência em comando é coordenada com a sua habilidade no trato das relações diplomáticas, adquirida como Assessor de Operações e Assessor de relações Institucionais no Gabinete do Comandante da Marinha. É casado com Andréa Cristina Rocha Lampert, e tem duas filhas, Fernanda e Juliana.

O veleiro Cisne Branco está em comissão de representação denominada Europa 2017, atendendo a diversos convites remetidos ao Brasil e à Marinha, sendo que em um dos eventos principais comemorativos da navegação à vela está a “Sil Training International”, sediada na Inglaterra, e que tem como propósito o treino de vela e a marinharia junto aos jovens de todo o mundo.

Todo veleiro tem o seu som, que é a sua voz. Ouve-se-a no ranger de seus movimentos, cruzando os mares impulsionados por suas velas. São objetos de arte, criada pelo intelecto do homem, carregando em seu bojo o valor agregado de que falava Snibwiesky, o chamado “mana”, descrito em verso e prosa pelos nativos da Polinésia, reconhecidos como os maiores navegadores a vela do mundo.

Esse “mana” é uma espécie de algo mais, ou seja, a melhor maneira que se pode encontrar para definir a sensação viva de um veleiro quando ele, singrando os mares, demonstra toda sua imponência.

Para definir essa sensação, ninguém melhor do que Álvaro Campos, Heterônimo de Fernando Pessoa, a quem podemos parafrasear cantando que salgar de espuma arremessada pelos ventos o nosso paladar das grandes viagens; fustigar de água chicoteante as carnes da nossa aventura; repassar de frios oceânicos os ossos da nossa existência é espalhar de espumas de sóis, vinda do mar, nossa própria alma, como lira nas mãos dos ventos.

Sob o comando do capitão de mar e Guerra João Alberto de Araújo Lampert, o Cisne Branco segue singrando os mares sob o vento que sopra em suaves brisas, que vêm de longe, de muito longe, soprando no mar a vela, levando o Brasil na embarcação.

Confira vídeo

*Luiz Holanda é advogado e professor universitário.

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Perfil do Autor

Luiz Holanda
Luiz Holanda é advogado e professor universitário, possui especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP); Comércio Exterior pela Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo; Direito Comercial pela Universidade Católica de São Paulo; Comunicações Verbais pelo Instituto Melantonio de São Paulo; é professor de Direito Constitucional, Ciências Políticas, Direitos Humanos e Ética na Faculdade de Direito da UCSAL na Bahia; e é Conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/BA. Atuou como advogado dos Banco Safra E Econômico, presidiu a Transur, foi diretor comercial da Limpurb, superintendente da LBA na Bahia, superintendente parlamentar da Assembleia Legislativa da Bahia, e diretor administrativo da Sudic Bahia. E-mail para contato: [email protected]