Exclusiva: secretário Jaques Wagner critica ataque reacionário ao ex-presidente Lula e aponta falhas na política econômica do Governo Temer

Jaques Wagner: todo mundo sabe do potencial eleitoral de Lula para 2018 e da tentativa de interdita-lo, mas é um erro.

Jaques Wagner: todo mundo sabe do potencial eleitoral de Lula para 2018 e da tentativa de interdita-lo, mas é um erro.

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico da Bahia (SDE), Jaques Wagner (PT) — em entrevista concedida ao Jornal Grande Bahia, na terça-feira (11/04/2017) — comentou sobre o setor industrial de Feira de Santana, falhas na política econômica do Governo Temer que afetam a política industrial do Estado da Bahia, e abordou ataques reacionários à liderança política do ex-presidente Lula.

Confira a entrevista

Jornal Grande Bahia — Como analisa o setor industrial de Feira de Santana, na política de expansão industrial do estado da Bahia?

Jaques Wagner — Feira de Santana é a segunda maior cidade do estado, portanto, é uma referência para todos os investidores que querem chegar aqui, por isso, a nossa preocupação de expandir as áreas que possam ser apresentadas para quem quer se instalar no município, seja no ramo da indústria, da logística, do comércio. Estamos observando esse crescimento.

Visitei a fábrica da Nestlé, um grande empreendimento que a gente conseguiu trazer para Feira de Santana, entre 2007 e 2008. É claro que o município tem um grande anel de contorno e cruzamento com rodovias federais, além de um aeroporto, que ainda não opera no nível. Eu acho que temos tudo para fazer crescer os investimentos. O momento não é bom, porque a economia não vai bem no mundo, e também não vai bem aqui, no Brasil. Mas a gente tem que se preparar para uma retomada de crescimento.

JGB — O senhor tem feito uma série de críticas em relação a política industrial do Governo Temer, a exemplo do setor calçadista, poderia explicar o que ocorre?

Jaques Wagner — A desoneração que foi feita nos governos Lula e Dilma foi uma desoneração para estimular as empresas mais empregadoras de mão de obra. Na medida em que ele acaba essa desoneração para todas as empresas, vai ter um impacto na geração de empregos, principalmente para nós aqui do Nordeste. Eu acho absolutamente razoável você ter uma política de cobrar menos para quem emprega mais, e a política de desoneração que ele fez, de terminar com a desoneração, na minha opinião, vai prejudicar a geração de emprego.

JGB — O senhor também fez algumas críticas com relação a política para o setor energético.

Jaques Wagner — É porque eles [Governo Temer] suspenderam os leilões de energia eólica e nós fizemos um esforço muito grande para desenvolver o setor eólico da Bahia. Temos toda cadeia produtiva montada e se não houver novos leilões, nós podemos dá para trás, para um trabalho que demorou anos para conquistar aqui para Bahia.

Hoje, nós temos toda cadeia de valor da energia eólica produzindo na Bahia. O estado é uma grande mina de vento [a Bahia tem destacados locais próprios para geração de energia eólica], principalmente do nosso interior e, portanto, na geração de emprego e renda. Então, nesse sentido, eu realmente faço a crítica porque é o setor importante desenvolver porque são energias renováveis que o mundo inteiro se debruça, e eles, ao não renovarem as políticas de leilões estão ameaçando as indústrias.

JGB — Como analisa o ataque reacionário à imagem do ex-presidente Lula?

Jaques Wagner – Eu acho que tudo é fruto do medo. Todo mundo sabe do potencial eleitoral que Lula tem para 2018 e a tentativa é interdita-lo. Mas é um erro, se tentarem fazer isso, porque ele, como candidato a presidente, ou vice-presidente vai acabar sendo um grande eleitor do nosso grupo político. Eu prefiro que permitam que ele seja candidato. Eu sei da capacidade política que ele tem e é quase uma obsessão de certos setores. Saiu, recentemente, um artigo do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Nelson Jobim expressando que era um absurdo se procurar um crime para tentar encaixar em Lula, é melhor enfrentá-lo.

A situação é similar a de um time que perde no campo e quer ganhar no tapetão. Os caras [reacionários] não conseguiram ganhar quatros vezes as eleições — 2002, 2006, 2010 e 2014 — e sabem que tem muita chance de perder em 2018, claro que a eleição só se decide na abertura da última urna, mas, observo que estão querendo interditar nosso grupo.

O PT tem erros? Tem, como todos os partidos. Agora, eles tentam colocar a gente como o partido dos errados, para tentar tirar do jogo democrático. Mas o povo é inteligente demais e percebeu que o Golpe Parlamentar de 2016, que deram em Dilma Rousseff, ocorreu com a finalidade de retirar direitos dos trabalhadores. Mas, o efeito é que eles estão aumentando o cacife político de Lula para 2018.

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).