Em entrevista à Kennedy Alencar, ex-presidente Lula diz que MPF não sabe como sair das mentiras que usaram para processá-lo

Ex-presidente Lula é entrevistado por Kennedy Alencar. "Não tem barganha. Se precisar, eu me mudo para Curitiba para comparecer às audiências. Não deixaremos de ouvir quem consideramos importante", afirmou Lula.

Ex-presidente Lula é entrevistado por Kennedy Alencar. “Não tem barganha. Se precisar, eu me mudo para Curitiba para comparecer às audiências. Não deixaremos de ouvir quem consideramos importante”, afirmou Lula.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista concedida nesta quarta-feira (26/04/2017) ao jornalista Kennedy Alencar, do SBT, afirmou que está ansioso para depor na 13ª Vara Federal de Curitiba no próximo dia 10 de maio, em processo conduzido pelo juiz Sérgio Moro, e que gostaria que a oitiva fosse transmitida ao vivo por toda e quaisquer rede de televisão interessada em fazê-lo.

“Eu quero ficar frente a frente com os meus acusadores. Você (dirigindo-se ao jornalista Kennedy Alencar) poderia fazer um pra mim? Enviar uma carta pro (juiz Sérgio) Moro pedindo que meu depoimento seja aberto para a imprensa? Para não ficar subordinado ao vazamento. Já que é para vazar, vamos fazer um depoimento aberto, ninguém esconde nada”, pediu Lula.

Segundo ele, o depoimento é uma oportunidade que ele terá de falar a verdade e se explicar à sociedade, após três anos “massacrado” pela mídia perante a opinião pública. “O grande problema da Operação Lava Jato é que eles se subordinaram aos meios de comunicação para obter sucesso. E, agora, não pode agora acabar com manchete inocentando o Lula, eles me acusam há três anos”. Eles sabem que não vão encontrar nada contra mim, mas estão fazendo o que podem fazer para evitar minha candidatura (à presidência da República).

Lula não deixou nada que lhe foi perguntado sem resposta. Sobre o fato de Moro ter proferido decisão obrigando-o a comparecer ao depoimento das 87 testemunhas que seus advogados elencaram para o processo, só para depois voltar atrás dizendo que pode rever a decisão se for reduzido o número de depoentes, Lula foi taxativo: “Nós achamos importante para exercer meu direito de defesa. Não tem barganha. Se precisar, eu me mudo para Curitiba para comparecer às audiências. Não deixaremos de ouvir quem consideramos importante.” .

Já a respeito de depoimentos de executivos que se encontram presos e que eventualmente alegam que o Lula seria o proprietário oculto do apartamento triplex em um condomínio no Guarujá, ele disse: “O MPF (Ministério Público Federal) começou mentindo e continua mentindo. Para provar que sou proprietário, tem que ter recibo, registro em cartório, uma escritura. Se eu não paguei, não tenho chave, se a empresa dá o apartamento como garantia de vários empréstimos que efetua, então o apartamento não pode ser meu! A mesma coisa com a chácara (de Atibaia): se eles sabem que tem dono, se investigaram tudo, e agora não sabem como sair da mentira, o problema não é meu, é deles!”

O ex-presidente respondeu também sobre as palestras que realizou após deixar o cargo de presidente da República, e da acusação de que elas seriam uma forma de pagamento de vantagens ilícitas a ele. “Quando deixei a Presidência, fui chamado por muitas empresas para ser consultor. O PT me registrou como funcionário e eu recusei um salário de R$ 23 mil. Quando comecei a palestrar, recebi propostas dos empresários que tinham trabalhado para líderes mundiais como do Gordon Brown e Bill Clinton. Fiz 72 palestras, para banco, empresa de automóvel, construtora, tem tudo. Eu era um conferencista caro porque deixei a presidência em 2010 sendo o presidente da República mais bem sucedido do século 21. Não é ufanismo, mas é preciso ter orgulho disso, enquanto brasileiro.”

Finalmente, Lula fez um balanço a respeito da Lava Jato, destacando que há, sim, aspectos positivos na operação: “A Lava Jato tem méritos na medida em que está apurando a corrupção. O problema é que o juiz Moro subordinou o sucesso da apuração à criminalização das pessoas na opinião pública, através da imprensa. Quem sabe das coisas primeiro não são os advogados de defesa, quem sabe primeiro é a imprensa, que execra as pessoas e facilita o trabalho de condenação. Isso, eu condeno. Se um juiz precisa da imprensa condenar publicamente para ele ter razão, então precisamos rever o papel do Judiciário.”

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