Como a ThyssenKrupp fez no Brasil um dos piores negócios da indústria alemã; Companhia Siderúrgica do Atlântico foi vendida por 1,5 bilhão de euros ao grupo ítalo-argentino Ternium

Vista aérea da Companhia Siderúrgica do Atlântico, empresa do Grupo ThyssenKrupp. Irregularidades ambientais e trabalhistas e mudanças na conjuntura econômica levaram multinacional alemã ThyssenKrupp a ter um prejuízo bilionário com siderúrgicas construídas no Rio de Janeiro e nos EUA.

Vista aérea da Companhia Siderúrgica do Atlântico, empresa do Grupo ThyssenKrupp. Irregularidades ambientais e trabalhistas e mudanças na conjuntura econômica levaram multinacional alemã ThyssenKrupp a ter um prejuízo bilionário com siderúrgicas construídas no Rio de Janeiro e nos EUA.

Quando começaram as obras do maior investimento já realizado pela ThyssenKrupp, em 2006, a empresa não poderia imaginar que a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), no Rio de Janeiro, se tornaria um dos piores negócios da história da indústria alemã.

A CSA integrava o chamado projeto Steel Américas, que previa também a construção de uma siderúrgica no Alabama, nos Estados Unidos. A ideia da ThyssenKrupp era exportar as placas de aço produzidas na usina brasileira para serem finalizadas nas unidades americana e alemãs.

“Em decorrência do aumento dos custos de construção, de diversos problemas técnicos e de mudanças significativas no ambiente macroeconômico, as expectativas iniciais do projeto não foram atendidas”, afirmou Giovanni Pozzoli, diretor geral interino da ThyssenKrupp para a América do Sul.

A expectativa de lucro se transformou então num enorme prejuízo. O projeto Steel Américas causou um rombo de 8 bilhões de euros nos cofres da empresa e prejuízo ambiental para o Brasil.

Desastres ambientais

Os problemas na usina brasileira apareceram já no início do projeto. O primeiro golpe veio em 2007 e gerou protestos de pescadores da baía de Sepetiba. A drenagem no local teria espalhado metais pesados que estavam sedimentados no fundo da baía há uma década.

No mesmo ano, a obra foi embargada pelo Ibama devido ao desmatamento ilegal de uma área de dois hectares de mangue. Além do embargo, a ThyssenKrupp recebeu uma multa de 100 mil reais. Com a contaminação da água e a destruição do mangue, a pesca foi prejudicada na região, o que causou indignação na Alemanha.

Em 2008, a obra foi novamente interditada. Desta vez pelo Ministério Público do Trabalho devido a irregularidades, como ausência de sistemas coletivos de segurança.

Chuva de prata

A siderúrgica foi inaugurada em grande estilo em junho de 2010, com a presença do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Porém, pouco tempo após o início das operações, ocorreu o grande desastre: “chuvas de prata” começaram a atingir a região em volta da usina.

A poluição atmosférica foi causada por pó de grafite que vazou da siderúrgica. Moradores da área afetada relataram que o fenômeno desencadeou problemas respiratórios e dermatológicos.

O problema teve origem na unidade de coque. Na tentativa de reduzir os custos do projeto, a ThyssenKrupp deixou a construção desse setor nas mãos de uma empresa chinesa, em vez de trabalhar com uma subsidiária da própria multinacional alemã.

O barato saiu caro: além das multas ambientais e compensações milionárias, milhões de euros tiveram que ser investidos para consertar a falha na unidade de coque e em fornos da siderúrgica.

Conjuntura econômica

Além dos problemas estruturais, a empresa enfrentou mudanças no mercado que não estavam previstas. A ideia inicial da empresa era produzir placas de aço no Brasil por um preço baixo. O acabamento seria feito na usina do Alabama. “Os custos trabalhistas no Brasil aumentaram na última década, o que impactou a vantagem que buscávamos com a produção de placas de aço no país”, explicou Pozzoli.

Além destes custos, o encarecimento do minério de ferro, a queda no preço do aço, com aumento da produção na Ásia, e a alta volatilidade do câmbio acabaram dificultando o projeto. A crise financeira internacional de 2008 contribuiu ainda mais para o cenário negativo.

“Quando um mercado está fraco, as empresas não podem cometer erros, pois esses erros não serão compensados rapidamente”, avaliou Martin Gornig, do Instituto Alemão para Pesquisa em Economia (DIW).

Pouco menos de dois anos após a inauguração, em 2012, a multinacional anunciou a intenção de vender a CSA. O negócio foi concluído esta semana, quando a ThyssenKrupp  vendeu da siderúrgica brasileira para o conglomerado argentino Ternium por 1,5 bilhão de euros, incluindo uma dívida de 300 milhões com o BNDES.

Com a venda, a empresa quer encerar o que chamou de “deficitário capítulo América”. A usina do Alabama, que também apresentou problemas técnicos, foi vendida em 2014. Em todo o projeto Steel Américas, o grupo investiu mais de 12 bilhões de euros.

ThyssenKrupp anuncia venda da CSA

Siderúrgica alemã encontra comprador para deficitária unidade brasileira e declara encerrado “capítulo América”, que, segundo números próprios, deu 8 bilhões de euros de prejuízo.

Vista geral da CSA, unidade da ThyssenKrupp no Rio de Janeiro

Venda da CSA para conglomerado argentino ainda necessita de aprovação de autoridades antitruste

O grupo industrial alemão ThyssenKrupp anunciou nesta quarta-feira (22/02) que conseguiu encontrar um comprador para sua siderúrgica no Rio de Janeiro, a CSA (Companhia Siderúrgica do Atlântico).

Segundo a ThyssenKrupp, o conglomerado argentino Ternium pagará 1,5 bilhão de euros pela CSA, incluindo uma dívida de 300 milhões com o BNDES. Com isso, o “deficitário capítulo América” está fechado, e um “importante marco na reestruturação” da empresa teria sido alcançado.

A siderúrgica alemã espera reduzir seu endividamento com a venda da CSA. Mesmo descontados os valores recebidos pela venda da CSA e da usina no estado americano do Alabama, o prejuízo causado pelo “capítulo América” chega a 8 bilhões de euros, comunicou a ThyssenKrupp.

Ainda segundo a ThyssenKrupp, a negociação necessita de aprovação de autoridades antitruste e deverá estar concluída em setembro.

Há anos, a ThyssenKrupp procurava um comprador para a CSA, que era deficitária. Em 2014, o conglomerado alemão já havia vendido a usina siderúrgica do Alabama, que também dava prejuízo.

Sócia da Usiminas, Ternium compra a siderúrgica CSA por 1,5 bilhão de euros

O grupo ítalo-argentino Ternium, um dos sócios controladores da siderúrgica mineira Usiminas, fechou na terça-feira (21/02/2017), acordo para a compra de 100% da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), da alemã Thyssenkrupp. O valor da transação é de 1,5 bilhão de euros, dos quais 300 milhões de euros em dívidas com o BNDES.

Essa não foi a primeira vez que a Ternium tentou adquirir a operação, localizada no Rio de Janeiro. Há alguns anos, o grupo alemão havia colocado à venda a CSA, sua subsidiária brasileira, junto com sua laminadora de aço nos Estados Unidos, mas decidiu vender a unidade americana em separado.

No ano passado, a Thyssen e a Ternium decidiram retomar as conversas. A aquisição é considerada estratégica para o grupo ítalo-argentino por complementar sua produção de placas de aço na Argentina e no México.

O acordo depende da aprovação dos órgãos reguladores do Brasil, Alemanha e EUA e a conclusão está prevista para 30 de setembro. Em comunicado, a Ternium informou que buscará financiamentos bancários para o desembolso de 1,2 bilhão euros.

A CSA é um complexo integrado de produção de aço (com capacidade anual de 5 milhões de toneladas de placas), porto de águas profundas e uma geradora de energia.

A construção do projeto, iniciado em 2005 e inaugurado em 2010, consumiu investimentos superiores a US$ 8 bilhões da Thyssen e de sua sócia, a Vale, que deixou o projeto em 2016. Diante da queda da demanda por aço no País, que prejudicou o resultado da CSA, o grupo alemão começou a tentar se desfazer do ativo ainda em 2013.

Em comunicado, Daniel Novegill, presidente da Ternium, informou que o grupo está incorporando mais uma usina siderúrgica de última geração. “Isso vai permitir aumentarmos nossa diferenciação.”

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Paolo Bassetti, presidente do grupo ítalo-argentino no Brasil, descartou a possibilidade de a Ternium sair da Usiminas, após essa aquisição. O grupo chegou no Brasil em 2011 ao comprar as participações de Camargo Corrêa e Votorantim na Usiminas, na qual tem como sócia a japonesa Nippon. No entanto, desde 2014, os dois sócios começaram a se desentender. Uma cisão dos negócios chegou a ser cogitada.

A Ternium, segundo fontes, ficaria com os ativos da Usiminas em Cubatão (SP) e poderia juntá-los aos da CSA, formando uma nova siderúrgica.”Acreditamos no Brasil e por isso fizemos esse investimento”, afirmou Bassetti. “Não queremos nos desfazer de nossa fatia na Usiminas. Continuamos afirmando que o problema lá é de gestão”, disse.

Em paralelo à aquisição, a CSA continuará a fornecer 2 milhões de toneladas de placas por ano para a planta de laminação da unidade da Thyssen, nos EUA, vendida para os grupos ArcelorMittal e Nippon Steel. Em comunicado, a Thyssen informou que essa operação permitirá ao grupo abater suas dívidas.

Venda

Em maio passado, a Vale anunciou a venda, por preço simbólico, de 26,87% da CSA à Thyssen. Com isso, livrou-se das dívidas. A transação incluía uma cláusula de “earn-out”, válida por um período, que permitia à Vale obter alguma receita caso o controle da CSA fosse a vendido, como ocorreu agora.

*Com informações do DW e Estadão.

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