ONU prevê fim da recessão no Brasil, mas diz que recuperação será lenta

Com aumento do desemprego, consolidação fiscal e aumento da dívida, economia do país deve crescer apenas 0,6% este ano; dados constam do relatório Situação Econômica Mundial e Perspectivas, que estima crescimento de 2,7% da economia global.

As Nações Unidas lançaram esta terça-feira o relatório Situação Econômica Mundial e Perspectivas, e estima que a economia global cresça de forma moderada este ano, a 2,7%.

O documento traz previsões sobre a América do Sul, que terá crescimento de apenas 0,9% este ano e de 2% em 2018. Ao citar alguns países de língua portuguesa, os especialistas acreditam que o Brasil sairá da recessão, mas a recuperação do país será lenta. A economia de Angola deve crescer menos este ano. A perspectiva para Portugal é de estabilidade e Moçambique registrará crescimento.

Crescimento

No caso do Brasil, o aumento do desemprego, a contínua consolidação fiscal e o crescimento da dívida vão continuar pesando sobre a demanda doméstica.

A ONU News entrevistou o economista do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU. Em Nova Iorque, Sergio Vieira deu mais detalhes sobre as previsões econômicas para o Brasil.

“Depois de uma retração econômica importante no Brasil nos últimos dois anos, prevê-se que a economia passe finalmente para um crescimento positivo de 0,6%, em 2017 e de 1,6%, em 2018. Essas taxas de crescimento são fracas para uma economia como o Brasil. Isso se deve essencialmente ao fato de o país ter pela frente a fragilidade das contas públicas que vão limitar as políticas orçamentárias com consequências na demanda interna e no desemprego.”

Vieira disse ainda que um outro desafio para o Brasil será equilibrar as necessidades do ajuste orçamentário e os gastos sociais quando as condições socioeconômicas têm piorado nos últimos tempos.

Ele citou que a médio-prazo, o grande desafio para o Brasil será o crescimento da produtividade, que implica em investimento em educação, infraestruturas e inovação”.

Estados Unidos

Com a posse do presidente-eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, as Nações Unidas alertam para os impactos de uma possível adoção de medidas protecionistas por parte do novo governo. A economia do país deve subir 1,5% neste ano.

O possível protecionismo norte-americano pode ser fator de risco para as economias da América Latina e do Caribe, assim como o crescimento lento da economia da China e novas turbulências nos mercados financeiros.

Lusófonos

Sérgio Vieira falou também sobre outras economias de países lusófonos incluídas no relatório do Desa. Ele espera que Portugal tenha um crescimento estável mas lento este ano, o mesmo de 2016: 1,4%.

O representante do Desa disse que em 2018 o avanço deve cair um pouco para 1,3%. As políticas de austeridade portuguesas têm sido alteradas para dar prioridade ao aumento dos salários de funcionários públicos, aposentados e das classes menos favorecidas.

O objetivo é que isso continue incentivando o consumo. O relatório diz ainda que a redução da taxa de desemprego deve favorecer a demanda interna. Mas ao mesmo tempo, os especialistas do Desa dizem que o país pode sofrer com a instabilidade econômica na União Europeia.

O economista disse que Angola sofreu com a queda do preço do petróleo. O país teve um crescimento de apenas 0,8% em 2016, mas em anos anteriores conseguiu superar um avanço de mais de 10% por ano.

Já em Moçambique, a perspectiva é muito boa. O relatório disse que a economia passou de um crescimento de 4,6% no ano passado e deve alcançar 5,5% em 2017.

No ano que vem, o crescimento econômico moçambicano pode chegar a 6,2%. O país deve se beneficiar com a alta dos preços dos minerais, mas seu crescimento será limitado pela inflação e a inquietação de investidores privados por causa da restruturação da dívida externa.

Ao lançar o relatório, o secretário-geral assistente da ONU para o Desenvolvimento Econômico, Lenni Montiel, destacou a necessidade dos países “redobrarem os esforços para que a economia global retome a força, num ambiente de crescimento que seja favorável ao desenvolvimento sustentável”.

*Com informação da Radio ONU.

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