Ministro da Justiça diz que mortes de presos em RR foram “acerto de contas interno” do PCC

Ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, apresenta detalhes do Plano Nacional de Segurança.

Ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, apresenta detalhes do Plano Nacional de Segurança.

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse hoje (06/01/2017) que as mortes de pelo menos 33 presos da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), na zona Rural de Boa Vista (RR), foram resultado de um acerto de contas entre integrantes da mesma facção, o PCC (Primeiro Comando da Capital). Moraes negou que as mortes sejam “uma retaliação” do PCC a outra facção, a Família do Norte (FDN), após chacina em presídio de Manaus com a morte de 56 presos. As duas organizações criminosas disputam o controle do tráfico de drogas e o interior das unidades prisionais do Amazonas.

“Segundo dados que me foram passados, desde as últimas rebeliões [no presídio de Roraima] houve a separação das facções nesse presídio. Todos [os mortos naquele presídio] eram ligados à mesma facção, que é o PCC. Dos 33 mortos, três eram estupradores e os demais eram rivais internos que haviam traído os demais. Então, na linguagem popular, trata-se de um acerto de contas interno”, disse o ministro, ao ressaltar o caso é grave.

Diante do ocorrido, Moraes vai ainda hoje a Roraima para se reunir com a governadora do estado, Suely Campos. O ministro negou que a situação do presídio do estado tenha saído do controle, mas admitiu se tratar de uma “situação difícil”.

“Roraima já teve problemas no segundo semestre do ano passado, com 18 mortes em consequência de rebeliões. [No que se refere] à questão de termos rebeliões ou mortes, talvez tenha sido um grande erro cuidar apenas do problema”, disse.

Segundo a Secretaria de Justiça e Cidadania de Roraima, o tumulto na unidade começou durante a madrugada. Policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar entraram no presídio no começo da manhã e a situação já está sob controle. As autoridades estaduais ainda não divulgaram detalhes sobre o ocorrido. De acordo com a imprensa local, que divulgou imagens como sendo de hoje, presos podem ter sido decapitados. A Pamc é o maior presídio de Roraima.

As mortes em Roraima ocorrem na mesma semana em que 60 presos foram assassinados em estabelecimentos prisionais do Amazonas. O governo federal anunciou ontem o Plano Nacional de Segurança Pública para tentar reduzir o número de homicídios dolosos e feminicídios; promover o combate integrado à criminalidade transnacional e a racionalização e a modernização do sistema penitenciário.

Secretaria descarta briga de facções como causa de massacre em prisão de Roraima

A Secretaria de Justiça e Cidadania de Roraima descartou hoje (6) a possibilidade do assassinato de pelo menos 33 presos por outros detentos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc) estar associado à guerra entre organizações criminosas.

Segundo a secretaria, desde novembro de 2016 os presos estão separados em diferentes estabelecimentos prisionais, de acordo com a facção criminosa a que afirmam estar ligados. A segregação foi uma resposta das autoridades locais aos confrontos entre grupos rivais que ocorreram em outubro, deixando pelo menos dez mortos.

Na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, localizada na zona rural de Boa Vista (RR), estão apenas os presos que integram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e os que afirmam não pertencer a nenhum grupo. Já na Cadeia Pública estão membros do Comando Vermelho e da Família do Norte (FDN).

De acordo com o secretário estadual de Justiça, Uziel de Castro Júnior, todos os presos mortos hoje ou integram o PCC ou não tem vínculos com nenhuma organização criminosa. “É improcedente a informação de que o que aconteceu seja uma vingança às mortes em Manaus”, disse o secretário, em alusão aos assassinatos de presos supostamente ligados ao PCC por integrantes da FDN nos dois primeiros dias do ano, em estabelecimentos prisionais de Manaus (AM).

Cinquenta e seis presos foram mortos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) e quatro na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP). Além das mortes, 112 presos fugiram do Compaj e 72 do Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat).

Mais cedo, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, também afirmou que as mortes em Roraima foram resultado de um acerto de contas entre integrantes do PCC e não uma “uma retaliação” do PCC à FDN. “Todos [os mortos em Boa Vista] eram ligados à mesma facção, ao PCC. Dos 33 mortos, três eram estupradores e os demais eram rivais internos que haviam traído os demais. Então, na linguagem popular, trata-se de um acerto de contas interno.

Governo de Roraima discute medidas para evitar novos confrontos em presídios

Autoridades públicas de Roraima estão reunidas, desde o começo da manhã de hoje (6), discutindo medidas a serem adotadas após a morte de pelo menos 33 presos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), na zona Rural de Boa Vista (RR). Segundo a assessoria do Ministério da Justiça e Cidadania, o ministro Alexandre de Moraes deve viajar para o estado ainda hoje para verificar a situação.

O governo estadual não divulgou detalhes do que aconteceu na unidade prisional, que é administrada pelo estado. A governadora de Roraima, Suely Campos, e os secretários de Justiça e Cidadania, Uziel de Castro Júnior, e de Segurança Pública, coronel Paulo César, vão conceder entrevista coletiva às 16h (18h de Brasília).

Em nota, a Secretaria de Justiça e Cidadania informou que as mortes ocorreram na madrugada de hoje e que, no início da manhã, policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) já tinham entrado na penitenciária e retomado o controle da unidade. No segundo semestre de 2016, a mesma penitenciária foi palco de confronto entre presos, que deixou dez mortos.

Segundo a secretaria estadual de Comunicação, a governadora Suely Campos conversou, por telefone, com o ministro Alexandre de Moraes. O ministro soube da ocorrência poucas horas antes do início da cerimônia pré-agendada para detalhar o Plano Nacional de Segurança Pública, lançado ontem (5), com o objetivo de promover o combate integrado à criminalidade transnacional e a racionalização e a modernização do sistema penitenciário.

O lançamento do plano nacional foi antecipado em resposta às mortes de 60 detentos em estabelecimentos prisionais do Amazonas, nos dois primeiros dias do ano. Cinquenta e seis presos foram assassinados por integrantes de uma facção rival no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus (AM), e quatro na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), na zona rural da capital manauara.

Também fugiram 112 presos do Compaj e outros 72 do Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat). Logo após os acontecimentos, o governo do Amazonas emitiu um alerta para os estados vizinhos, entre eles Roraima, alertando para o risco dos presos em fuga e de novos confrontos acontecerem em estabelecimentos prisionais de outras unidades da federação.

Vídeo divulgado hoje nas redes sociais mostra presos agredindo outros detentos, enquanto gritam que a ação é uma resposta à morte de “irmãos” por integrantes de uma das organizações criminosas envolvidas na chacina de Manaus, a Família do Norte (FDN), que, com o apoio do Comando Vermelho (CV), disputa com o Primeiro Comando da Capital (PCC) o controle do narcotráfico na região Norte do país.

Penitenciária de Boa Vista abriga quase o dobro de sua capacidade de presos

Palco de mais uma chacina de presos, a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), localizada na zona rural de Boa Vista, em Roraima, abriga quase o dobro da sua capacidade de detentos.

Segundo a Secretaria de Justiça e Cidadania de Roraima, o estabelecimento prisional comporta até 750 detentos. No entanto, até essa quarta-feira (4), acolhia 1.456. É mais que a metade dos 2.621 reeducandos do estado.

Só o total de presos provisórios – 898 – já supera em muito a capacidade da penitenciária, que é a maior do estado e é administrada pelo governo estadual. Quatrocentos e cinquenta e oito presos já sentenciados cumprem pena no regime fechado e 100 no regime semiaberto.

Há ainda 19 presos que, por motivo de saúde, foram autorizados pela Justiça a cumprir a pena ou aguardar a sentença em regime domiciliar, ou seja, em casa.

Esta madrugada, pelo menos 33 presos foram mortos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo por outros detentos. Algumas das vítimas foram degoladas ou tiveram órgãos extirpados.

A chacina acontece poucos dias após o assassinato de 60 presos em estabelecimentos prisionais do Amazonas, onde 56 presos foram mortos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) e quatro na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP).

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