Força-tarefa do Caso Lava Jato investiga ‘nome do PSDB’ que integrava esquema na Petrobras

O inquérito foi instaurado em 29 de agosto de 2016 pela delegada Erika Mialik Marena.

O inquérito foi instaurado em 29 de agosto de 2016 pela delegada Erika Mialik Marena.

Reportagem de Mateus Coutinho e Julia Affonso, publicada no domingo (22/01/2017) no jornal Estadão, aborda investigação da Força-tarefa do Caso Lava Jato envolvendo nome do PSDB. Segunda a reportagem, Rogério Manso, antecessor de Paulo Roberto Costa na diretoria da Petrobras, é apontado em delação como suspeito de envolvimento em esquema de pagamento de propinas na área de compra e venda (trading) de combustíveis e derivados de petróleo da estatal petrolífera.

Confia a reportagem ‘Lava Jato investiga ‘nome do PSDB’ antecessor de Paulo Roberto Costa na Petrobrás’

Em nova frente de investigação, a Lava Jato em Curitiba mira o antecessor do engenheiro Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento da Petrobrás, Rogério Manso, por suspeita de envolvimento em um esquema de pagamento de propinas na área de compra e venda (trading) de combustíveis e derivados de petróleo da estatal petrolífera. Manso foi apontado por delatores como um o nome ‘do PSDB’ na Diretoria e que teria atuado também para captar dinheiro para a campanha de Jaques Wagner (PT) ao governo da Bahia, em 2006. Manso rechaça com veemência tais acusações.

O inquérito foi instaurado em 29 de agosto de 2016 pela delegada Erika Mialik Marena para apurar suspeitas de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa e tem como investigados, além de Manso, o ex-braço direito de Paulo Roberto Costa, José Raimundo Brandão Pereira, e o executivo Mariano Marcondes Ferraz – preso preventivamente no ano passado pela Lava Jato no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, e que foi denunciado neste ano, acusado de pagar propina para Costa envolvendo um contrato no Porto de Suape.

Também são investigadas duas empresas multinacionais que mantiveram negócios com a Petrobrás na área de trading de combustíveis. Até o momento, contudo, apenas Marcondes foi denunciado pela força-tarefa em Curitiba. Após a prisão preventiva no ano passado, ele pagou uma fiança de R$ 3 milhões para deixar a cadeia. O executivo, contudo, está proibido de deixar o País.

Preso em março de 2014, ainda no começo da operação, Paulo Roberto Costa foi o primeiro delator da Lava Jato e revelou a existência de um organizado esquema de corrupção e loteamento político na estatal. Agora, a operação investiga se o seu antecessor teria participado de um esquema de corrupção que teria operado antes da chegada de Costa à Diretoria.

Na portaria que determinou a abertura do inquérito, a delegada Erika apontou a suspeita de pagamento de propinas ’em data inicial possivelmente anterior ao ano de 2004 e que se seguiu possivelmente até 2012′.

As citações a Manso surgiram nas delações premiadas de outro ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró, da área Internacional, e do ex-senador e também ex-diretor da estatal Delcídio Amaral (ex-PT e ex-PSDB, atualmente sem partido).

Ambos relataram que a área de trading era um ‘terreno fértil para ilicitudes’, pois os preços poderiam variar artificialmente gerando uma ‘margem para propina’. Cerveró disse que Manso ‘era do PSDB’ e que as negociações diárias ‘podem render milhões de dólares ao final do mês em propina’.

Ainda segundo Cerveró, apesar de a Diretoria de Abastecimento não ser uma área de ‘muita influência’ do PT na estatal, as propinas nos negócios de trading teriam financiado também a campanha de Jaques Wagner em 2006. Na versão do delator, Manso teria continuado a ter influência na área de trading até 2007 e teria sido o responsável por coordenar ‘informalmente’ a captação do dinheiro para a campanha do petista.

A DELAÇÃO DE DELCÍDIO SOBRE ROGÉRIO MANSO:

Delcídio, por sua vez, relatou em sua delação que, com a chegada de Paulo Roberto Costa à Diretoria de Abastecimento, em 2004, o ex-ministro da Fazenda do governo FHC Pedro Malan teria pedido ao então ministro da Fazenda Antonio Palocci que Manso (que supostamente teria chegado ao cargo de diretor de Abastecimento por indicação de Malan, segundo Cerveró) permanecesse na diretoria. A partir daquele ano, contudo, Manso ficou seis meses assessorando o então presidente da Petrobrás, José Eduardo Dutra e depois foi para a diretoria de Gás e Energia, onde ficou até 2007, quando se aposentou da estatal.

Quando veio à tona o depoimento de Delcídio, Malan rechaçou a versão do delator e afirmou por meio de nota que não conhece e que nunca teve ‘qualquer contato’ com ele, ‘nem o indiquei para nenhum cargo’. Em relação a delação de Cerveró, quando elas vieram à tona, Jaques Wagner classificou as acusações de “ilações” e disse estar à disposição das autoridades para esclarecer o episódio. Atualmente, Wagner também é alvo de um inquérito na Lava Jato que corre sob sigilo.

Depois de Manso, segundo Cerveró, a área de trading teria sido assumida, em 2010, por um indicado pelo senador Edison Lobão (PMDB) identificado como ‘Pereirinha’.

Quando vieram à tona as delações citando seu nome, Rogério Manso disse que nunca precisou de apoio político para progredir nos 28 em que trabalhou na Petrobrás (ele foi diretor de Abastecimento de 2001 a 2004). Procurado na tarde de sexta-feira, 20, ele reiterou que nunca realizou ou permitiu qualquer ato ilícito que pudesse prejudicar a estatal.

Em audiência na Justiça em novembro do ano passado, o ex-senador Delcídio Amaral foi questionado pelo procurador da República. “Dentro das diretorias da Petrobrás, havia um quadro de corrupção sistemática que fazia o conhecimento dessas prática serem notórios na classe política?”

Delcidio respondeu: “Absolutamente, e com poucas exceções; não posso dizer que isso fosse generalizado; eu quero citar, por exemplo, o Rogerio Manso, quando foi diretor, teve uma conduta irretocável.”

Na avaliação de Manso, essa declaração de Delcídio é uma retratação, ‘mesmo que incompleta, às acusações ilegítimas’.

COM A PALAVRA, ROGÉRIO MANSO:

“Infelizmente não consegui, da tarde de ontem para hoje, qualquer informação a respeito do inquérito cuja portaria você me enviou.

Me resta, portanto, reiterar o que a vocês já relatei, que durante minha carreira, incluindo o período em que fui responsável pela área de Abastecimento, jamais realizei ou permiti que alguém realizasse qualquer ato ilícito que pudesse prejudicar a Companhia a que servi, com orgulho, durante 28 anos.

Apesar do desagrado em ter de me explicar, mesmo com conduta profissional digna, entendo que em uma investigação tão ampla como essa recaiam suspeitas, também, sobre pessoas inocentes. Só espero que, ao final dos trabalhos, fique clara a distinção entre criminosos e honestos e que se puna também os que, sob pretexto de colaboração com a justiça, imputam falsamente a prática de infração a pessoa que sabem inocente (art. 19, lei 12.850/2013).”

A NOTA DO EX-MINISTRO PEDRO MALAN QUANDO VIERAM À TONA OS DEPOIMENTOS:

“Esclareço que não conheço e nunca tive qualquer contato com o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Sr. Rogério Manso, nem o indiquei para nenhum cargo. Tampouco conheço pessoalmente o Senador Delcídio do Amaral, com o quem nunca tive qualquer contato. A afirmação constante da delação premiada é absolutamente improcedente e de natureza estritamente difamatória. Tenho orgulho da minha carreira de 36 anos no serviço público federal, por isso, repilo com veemência e indignação qualquer pretensão de maculá-la”. Pedro S. Malan.

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Delator Nestor Cerveró relata propinas na área de trading internacional da Petrobras

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