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BG aqui chegou. O Bhagavad Gita do Mestre Irineu

O que quero narrar é uma nova e original abordagem sobre o Hino BG do Mestre Irineu, que me foi contada recentemente, por um douto amigo, versado nas ciências védicas, que na luz do Santo Daime teve uma profunda revelação.

Mestre Raimundo Irineu Serra Juramidã

Mestre Raimundo Irineu Serra Juramidã

A Doutrina do Santo Daime é um culto essencialmente musical. Nos rituais de Hinário os adeptos cantam e bailam hinos de louvor a Deus e aos Seres Divinos, assim como cânticos de instrução moral.

Os hinos expressam o contato do daimista com a realidade sagrada, são revelações divinas manifestadas em forma musical. O conteúdo das mensagens, trazido na forma de poesia musicada, expressa a base religiosa e filosófica da Doutrina.

Este que vos escreve realizou um trabalho de exegese (interpretação, explicação) parcial do hinário do Mestre Irineu, publicado no livro virtual “O Jardim de Belas Flores. O Hinário O Cruzeiro Universal do Mestre Raimundo Irineu Serra comentado por Juarez Duarte Bomfim”

http://www.portalsantodaime.com.br/arquivos/documentos/O%20Jardim%20de%20Belas%20Flores%20(Janeiro%202009).pdf

e, logo na Introdução, advirto que os hinos dão margem a várias exegeses, hermenêuticas e, devido a isso, salientava que esta era apenas uma entre muitas possíveis exegeses, e não havia pretensão de esgotar o assunto.

Isto devido ao entendimento de que não podemos desvendar totalmente o sentido esotérico deste precioso Hinário. Conforme as leis da natureza superior, cada discípulo do Velho Juramidã há de descobrir por si mesmo.

Entretanto, utilizamos uma metodologia de análise que poderia ser útil àqueles que aspiram conhecer e compreender os mistérios divinos poeticamente transmitidos.

O livro é de 2006 e teve uma edição ampliada e atualizada em 2009, quando incorporei um número maior de hinos do hinário “O Cruzeiro” ao estudo. Alguns destes estudos e pesquisas foram provocados por amigos; e outras análises auxiliados por estes — o devido crédito foi dado aos colaboradores.

A exegese realizada do hino 23. BG surgiu de uma dessas provocações, na forma de pergunta:

— Juarez, quem é BG?

Confesso que até então eu mesmo não tinha feito essa indagação, e este hino não havia entrado na seleção inicial para análise e interpretação. Todavia, não poderia deixar sem resposta a curiosa amiga, nem a mim mesmo, pois a esta altura desvendar este mistério passou a ser de meu total interesse.

Do estudo realizado surgiu a exegese do hino BG — B.G.; Begê —  que logo divulguei. Para minha surpresa o texto correu mundo, foi traduzido em diversas línguas e alguns leitores se declararam gratos com a análise.

Mas o que quero narrar mesmo é uma nova e original abordagem sobre o BG do Mestre Irineu que me foi contada recentemente, por um douto amigo, versado nas ciências védicas, que na luz do Santo Daime teve uma profunda revelação.

Armênio Celso de Araújo é de Campina Grande (PB), professor, músico, luthier, artesão e muitas outras habilidades. Adepto da Doutrina do Daime, num trabalho de Hinário Armênio bailava e balançava o seu maracá, cantando o hino 64. BG do hinário O Justiceiro, do Padrinho Sebastião

Hino 64. B.G. d’O Justiceiro de Pd Sebastião

Aqui eu vou dizer

Aqui eu vou citar

Meu Mestre é minha luz

Meu Mestre aqui está.

 

Meu Mestre me chamou

Lutou para me acordar

Acorda meu irmão

Para saber aonde está.

 

Quando eu acordei

Dentro deste primor

Recebes a tua luz

A tua luz de amor.

 

B.G. tu me chamou

B.G. tu me acordou

Porque tu te esquecestes

Do nosso Pai Criador.

quando lhe veio à mente um forte pensamento de que precisava ler o Bhagavad Gita — a Sublime Canção do Senhor.

O Bhagavad Gita é a essência do conhecimento védico da Índia e um dos maiores clássicos de filosofia e espiritualidade do mundo. Faz parte do épico Mahabharata, e relata o diálogo de Krishna — a Suprema Personalidade de Deus, o Verbo Divino — com Seu discípulo e amigo, o guerreiro Arjuna, em pleno campo de batalha. Arjuna representa o homem no estado evolutivo.

O trabalho de Hinário era em Campina grande, na Paraíba. No intervalo, Cristiano Buril, que tinha vindo de João Pessoa, falou para Armênio:

— Um Amigo me pediu para lhe entregar algo. Este Amigo vem me acompanhando desde João Pessoa.

Quando Armênio lhe perguntou quem era o “amigo”, Cristiano lhe mostrou o livro, e ficou apontando as letras B G, as iniciais do Bhagavad Gita.

Fala Armênio:

— Aí lembrei do hino 64 do hinário do Padrinho Sebastião, que foi quando tive a intuição de ler o Bhavagad Gita. Contei ao Cristiano que estava pensando no Gita justamente nesse hino.

Cristiano Buril lhe falou:

— Então… foi Ele o Amigo que pediu para lhe entregar. Eu estava vindo para cá e quando vi o livro na estante senti que deveria trazer para você.

E entregou o Bhagavad Gita a Armênio, que exclamou:

— As portas da compreensão se abriram para mim.

Leitor infatigável, o erudito Armênio começou a “devorar” — estudar — o livro sagrado.

— Fui entendendo mais, e ao consultar o hinário do Mestre Irineu, O Cruzeiro Universal, encontrei no hino 23. BG, a mesma explicação do capitulo 4 do Bhagavad Gita, o conhecimento transcendental.

Hino 23. BG, d’O Cruzeiro de Mestre Irineu

BG eu vou chamar

BG aqui chegou

BG quem te mandou

Foi o nosso Salvador.

 

BG Vós veio a Terra

Para ensinar a verdade

BG quem te mandou

A nossa Mãe de Piedade.

 

BG Vós nos quer bem

BG Vós tem amor

BG Vós nos defenda

De todos esses terrores.

Deus, Ele mesmo, desce a Terra de quando em quando para restabelecer a vida reta e justa. Ele desceu na forma de Rama, na forma de Krishna, do Senhor Buda… E há dois mil anos enviou o seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, que na sua Missão espiritual aqui na Terra anunciou: Eu e o Pai somos Um.

O Senhor Krishna veio à Terra ao final da Dwapara Yuga (Idade de Bronze) com a Missão de restaurar o Dharma (a Justiça), tendo 3 principais objetivos:

  1. proteger os devotos;
  2. restabelecer a verdade;
  3. matar os demônios.

Assim falou o Cocheiro Divino Krishna ao arqueiro Arjuna:

“Sempre que o mundo declina em virtude e justiça; sempre que imperam o vício e a injustiça, venho Eu, o Senhor, e apareço no meu mundo em forma visível, nascendo e vivendo como homem entre os homens. A minha influência e Doutrina destroem o mal e a injustiça, e restabelecem a virtude e a justiça. Muitas vezes já́ apareci assim, e muitas vezes aparecerei ainda. Quem me reconhece em minha encarnação, quem me conhece em minha Essência, não precisa reencarnar-se mais, ao deixar o seu corpo mortal, e vem morar comigo em meu reino de Bem-aventurança” (Bhagavad Gita 4:7-9).

Armênio foi aprofundando os estudos védicos e cantando o Hino BG do Mestre Irineu, tudo foi se clareando:

a) o Senhor Krishna veio proteger os devotos:

BG Vós nos quer bem

BG Vós tem amor.

b) restabelecer a verdade:

BG Vós veio a Terra

Para ensinar a verdade.

c) matar os demônios:

BG Vós nos defenda

De todos esses terrores.

Com o entendimento e compreensão veio o conforto para Armênio, que passava por um momento difícil:

— Depois que entendi a mensagem sagrada as coisas foram clareando para mim, que vivia numa peia danada…

“Muitos já vieram a Mim tendo-se libertado do medo, ódio, ira e paixão. Quem a Mim se dirige com firmeza e em Mim fixa a sua mente, é purificado pela chama sagrada do Amor e da Sabedoria e, livre da atração dos objetos terrenos, torna-se semelhante a Mim, e entra em minha Vida Espiritual. Eu acolho prazenteiro todos os que me procuram e honram, qualquer que seja o caminho que sigam, porque todos os caminhos, todas as formas religiosas, embora de denominações diferentes, a Mim os conduzem” (Bhagavad Gita 4:10-11).

Ao terminar o que veio fazer, o Senhor Krishna partiu para sua morada celestial. E veio Cristo Jesus. Ele curou doentes, ressuscitou mortos, e nos trouxe a Doutrina do Amor e do Perdão.

Disse Jesus, profetizando sobre aqueles que viriam em seu nome:

— Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai.

E veio o Mestre Juramidã, na pele do humilde seringueiro que se chamava Raimundo Irineu Serra. Negro, descendente de escravos da antiga Província do Maranhão. Nos seus trabalhos espirituais distribuía o Daime, bebida de poder inacreditável.

A quem não o conhecia, dizia:

— Eu sou o Daime; o Daime sou Eu.

Ainda em seu Hinário, o Bom Guardião declarou ser o Mensageiro do Divino Pai Criador.

Eu sou Buda, eu sou Krishna, eu sou Cristo

A minha glória completa ninguém viu

Eu reino em esferas invisíveis

Mas sou o Daime que você bebeu.

(Hino Eu Sou – Cristo é o Daime, de Alex Polari)

Quem tem olhos para ver, veja. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

Mestre Irineu

Mestre Irineu

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Sobre o autor

Juarez Duarte Bomfim
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]