O golpe no golpe: senador Jader Barbalho denuncia tentativa de derrubar governo Temer, cita mídia e judiciário e diz que querem transformar FHC em presidente

Senador Jader Barbalho defende presidente Michel Temer e pede aprovação de nova lei contra abuso de autoridade.

Senador Jader Barbalho defende presidente Michel Temer e pede aprovação de nova lei contra abuso de autoridade.

O senador Jader Barbalho (PMDB-PA) acusou, no plenário do Senado, na terça-feira (13/12/2016), a mídia e setores do Judiciário de tramarem a derrubada do governo Temer. Na sequência incluiu partido da base, ao dizer que tem todo o respeito pela oposição e por figuras importantes do PSDB, afirmou que aqueles que querem a queda de Temer articulam a posse do tucano Fernando Henrique Cardoso (FHC). “Com respeito a tantas figuras importantes do PSDB, mas a grande mídia e esses setores que querem derrubar o presidente da República já tem candidato: o candidato é o ex-presidente FHC”, afirmou.

Abudo de Autoridade

Em defesa do projeto da nova Lei de Abuso de Autoridade (Projeto de Lei (PLS) 280/2016, do senador Renan Calheiros), argumentando que, em nome do combate à corrupção têm sido cometidas arbitrariedades jurídicas.

Jáder Barbalho lamentou que os grandes meios de comunicação busquem associar o projeto de lei a um plano da classe política para obstruir a Operação Lava Jato. O senador paraense  criticou a extrapolação do poder dos juízes, que, para ele, chegou a um nível que não se verificou nem no regime militar.

Para ele, a divulgação de delações faz com que parlamentares sejam julgados e condenados por antecipação pela opinião pública, num procedimento que considera incompatível com um regime democrático.

— Não se pode admitir que delações que não foram aceitas pela autoridade judicial possam ser divulgadas como verdade definitiva em relação aos homens públicos e às pessoas neste país — declarou, comparando a “condenação antecipada” supostamente levada a cabo por membros do MP e do Judiciário ao terror de Robespierre (1758-1794) na Revolução Francesa.

Jader Barbalho vinculou a rejeição à nova Lei de Abuso de Autoridade a um processo em curso para derrubar o presidente Michel Temer. Ele atacou os grupos que, segundo ele, tentam afastar o Brasil da serenidade e das medidas necessárias para sair da crise, e assinalou que a persistência de um noticiário “pessimista e escadaloso” tende a criar uma comoção nacional favorável à renúncia ou ao impeachment de Temer.

Também endereçou um apelo aos senadores do PSDB, aliados do governo, afirmando que a mídia trama a queda de Temer para que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso volte à Presidência da República.

Humberto Costa elogia discurso de Jader, mas pede eleição para presidente da República

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), disse endossar o discurso do senador Jader Barbalho (PMDB-PA) sobre a existência de um movimento para desmoralizar o Congresso Nacional e também para derrubar o presidente da República, Michel Temer. Jader defendeu a aprovação do projeto de lei do Senado (PLS) 280/2016, do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que altera a Lei de Abuso de Autoridade.

Humberto Costa discordou apenas no que considera a saída para a crise. Ele chamou o governo Temer de “governo zumbi” e defendeu a antecipação das eleições diretas para presidente da República. Para o senador, o então vice-presidente Michel Temer e as pessoas que se manifestaram nas ruas contra Dilma Rousseff foram usados pelas forças políticas que perderam a eleição para impor sua agenda.

O líder do PT disse que há uma aliança que envolve a grande mídia, um segmento do Poder Judiciário e do Ministério Público, além de setores importantes da política. Segundo ele, a situação atual pode ser considerada uma “reprodução” do que os petistas viveram nos últimos momentos do governo Dilma Rousseff.

O senador relembrou episódios como a condução coercitiva do ex-presidente Lula para prestar depoimento à Polícia Federal, além das prisões de lideranças importantes do PT, incluindo ex-ministros.

— E agora? Parece que não era só uma organização criminosa. Se nós formos acreditar em tudo que dizem os delatores, eram muitas organizações criminosas na política do nosso país. É um movimento para desacreditar a política, desmoralizar o Congresso Nacional, fazer com que um Poder da República se sobreponha sobre os demais, verdadeiras vivandeiras do Judiciário nesse país. E aqui existem muitas delas — disse, criticando também os parlamentares que, após se comprometerem a apoiar o requerimento de urgência para o PLS 280/2016, se omitiram em Plenário.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: [email protected]