Delator diz que Odebrecht deu R$ 300 mil ao deputado federal Antonio Imbassahy em troca de favores

O deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA, cotado para ocupar ministério, é acusado de receber propina.

O deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA, cotado para ocupar ministério, é acusado de receber propina.

O deputado federal Antonio Imbassahy (PSDB-BA) recebeu da Odebrecht doações eleitorais no valor de aproximadamente R$ 300 mil em 2014. Segundo o ex-diretor de Relações Institucionais da construtora Cláudio Melo Filho, o apoio financeiro era dado com intenção de troca de favores.

Melo Filho, autor da primeira delação premiada da empreiteira, conta que a prática era usual. “Esses  pagamentos, seguindo  a  linha  do  que  era  realizado  nas  demais campanhas  eleitorais,  tinham  como  premissa  a  expectativa  de  que  o candidato, caso fosse vencedor das eleições, se dedicaria aos pleitos de interesse da empresa”.

O dinheiro era doado de maneira legalizada. Em seu depoimento, que veio a público na sexta-feira (09/12/2016), o ex-executivo disse que o parlamentar não pediu o “apoio financeiro”.

Em entrevista ao UOL, na tarde deste sábado (09/12/2016), o deputado Antonio Imbassahy afirmou que a própria delação indica que as doações foram legais. “O que ele coloca ali está correto”, disse. Já o suposto objetivo dos pagamentos seria coisa “da cabeça dele [Melo Filho]”.

“Eu tenho o meu mandato e faço as coisas que acho certas”, declarou o deputado, que disse ter conhecido o então diretor da Odebrecht no começo do seu primeiro mandato, em 2011.

Atualmente, o tucano, que é líder do PSDB na Câmara dos Deputados, é cotado para suceder o conterrâneo Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) como ministro-chefe da Secretaria de Governo. Na função, ele cuidaria da articulação política do Planalto.

Além do deputado baiano, outros 13 candidatos são citados como beneficiários dessa prática da empresa –entre eles, apenas dois não são de Estados do Nordeste.

Melo Filho explica o interesse em apoiar políticos com forte influência no Congresso: “o propósito  da  empresa,  assim, era manter uma relação frequente de concessões financeiras e pedidos de apoio com esses políticos, em típica situação de privatização indevida de agentes políticos em favor de interesses empresariais nem sempre republicanos”.

Aproximação e doações

O ex-diretor de Relações Institucionais da construtora também relatou ter se aproximado do tucano quando ambos participaram de uma visita institucional à Ucrânia, promovida pela Frente Parlamentar Brasil-Ucrânia e a Agência Espacial Brasileira. Imbassahy integrava a comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara. “Estive presente nessa viagem, pois esse era um tema de especial interesse para a empresa”, contou.

Duas doações de 2014 foram citadas na delação do ex-executivo da Odebrecht. Ambas foram registradas na Justiça Eleitoral –os números dos recibos constam no depoimento. Naquele ano, Imbassahy se candidatou à reeleição como deputado federal, para seu segundo mandato.

A maior delas foi feita pela CBPO Engenharia Ltda., no valor de R$ 269.700, e paga com cheque. A menor, de R$ 30.000, pela Braskem S/A, mediante transferência eletrônica. Com um total de receitas de quase R$ 2,9 milhões, Imbassahy recebeu 10% dos recursos de sua campanha das empresas da Odebrecht.

No depoimento, Melo Filho conta que sua relação com Imbassahy “é recente” e que foi apresentado a ele pelo deputado Arthur Maia (PPS-BA) –que recebeu quase R$ 600 mil em doações em 2010 e 2014– no final de 2011.

“Em algumas oportunidades em que visitei o parlamentar em seu gabinete, conversamos sobre os rumos do Brasil e a política no nosso Estado da Bahia, momento em que percebi que havia uma certa frustração por não ter sido ele a indicação do seu partido para o cargo de vice-governador na chapa derrotada na eleição de 2014”, acrescentou o delator.

Melo Filho contou ainda que expressou a preocupação da Odebrecht “quanto ao momento delicado vivido pela empresa”. “Ele, por seu turno, se mostrou solidário ao problema vivido por Marcelo Odebrecht e também acreditava que a Bahia sofreria muito com possíveis desinvestimentos que poderiam ser feitos pela Odebrecht em seus projetos”.

Na delação, ele também informa o número de telefone de Imbassahy, de DDD 61 (de Brasília), que foi confirmado como o do deputado pela reportagem.

Secretaria do Governo

O nome do deputado baiano aparece no capítulo da delação que diz respeito a pagamentos realizados a agentes políticos feitos oficialmente em 2014. “O parlamentar já foi prefeito de Salvador [de 1997 a 2005] e possui antigas relações com a empresa, tendo sido contemplado com o pagamento por ser político influente da Bahia”, descreve Melo Filho, ele também baiano.

A informação de que o presidente Michel Temer (PMDB) teria convidado o tucano, divulgada pelo jornal “O Globo” na quinta (8), logo provocou reação dos partidos do chamado “Centrão” da Câmara, que discordaram da escolha. O senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, havia negociado a indicação diretamente com Temer.

Nesta sexta (9), o presidente declarou que “não houve convite”, mas reconheceu que o nome de Imbassahy foi cogitado. O recuo desagradou os tucanos, que insistem na indicação e decidiram se contrapor ao veto do “Centrão”, segundo o Blog do Josias, do UOL.

Ao senador Tasso Jereissatti (PSDB-CE), em Fortaleza, Temer disse que espera momento oportuno para convidar o deputado para compor o governo. “Será na hora certa”, afirmou.

Neste sábado, Imbassahy não quis falar sobre o assunto.

O UOL tentou contato com a Odebrecht neste sábado (10) para que a empresa comentasse a premissa de que as doações da empresa eram feitas com expectativa de que o candidato se dedicasse aos interesses da empresa. Em nota, o grupo informou que “não se manifesta sobre negociação com a Justiça”.

Afirmou, no entanto, que “reforça seu compromisso com uma atuação ética, íntegra e transparente, expresso por meio das medidas concretas já adotadas para reforçar e ampliar o Sistema de Conformidade nas empresas do grupo”. E lembrou do comunicado divulgado no último dia 1º, no qual a Odebrecht apresentou pediu desculpas à sociedade pelos desvios de conduta nos negócios.

*Com informações da Agência Estado e do UOL.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: [email protected]