Tecnologia e o futuro do mercado de trabalho | Por Janguiê Diniz

Artigo aborda mudanças no mundo do trabalho a partir das transformações tecnológicas.

Artigo aborda mudanças no mundo do trabalho a partir das transformações tecnológicas.

Não é nenhuma novidade que, a cada dia, surgem novas tecnologias que mudam a vida das pessoas causando o que chamamos de “impactos sociais”. Essas tecnologias repercutem nos processos, na qualificação da força e nas próprias condições de trabalho, além de influenciar na saúde do trabalhador e, consequentemente, nas políticas de ocupação, afetando diretamente a questão do emprego.

Se pensarmos nas consequências da tecnologia no mundo do trabalho e na sociedade, teremos um contrassenso: a tecnologia chega para promover a simplificação dos processos através das máquinas, porém, aumenta a complexidade das mesmas. Em contrapartida, temos uma redução do trabalho manual, mas que nem sempre resulta em um processo de capacitação do trabalhador para utilizar a tecnologia.

Mas, o que irá acontecer? A tecnologia vai acabar com o trabalho humano? Estudos recentes revelam que 47% dos empregos nos EUA são considerados sob ameaça de extinção por substituição tecnológica.  Ao mesmo tempo, estima-se que 65% das crianças que hoje entram nas escolas, provavelmente irão trabalhar em funções que atualmente não existem, graças ao desenvolvimento da tecnologia.

Há um trecho de Martin Ford, em Rise of the Robots: Technology and the Threat of a Jobless Future, que diz: “Imagine uma economia completamente automatizada, onde quase ninguém terá um trabalho (ou rendimento) e em que as máquinas farão tudo. Muito antes de atingirmos esse ponto, os modelos de negócio concebidos para os mercados de massas já serão insustentáveis. De onde virá o consumo? E, se ainda existir uma economia de mercado, por que razão a produção deverá continuar se não existirem consumidores viáveis que possam adquirir o seu output?”.

A edição recente da revista Veja trouxe uma entrevista com Erik Brynjolfsson, diretor do Centro de Negócios Digitais do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), sobre este tema. Erik é enfático ao dizer que “A crescente substituição do trabalho humano pelas máquinas deverá fazer com que metade das ocupações que existem hoje desapareça no prazo de uma ou duas décadas”.

Pode-se dizer que a tecnologia vem transformando radicalmente a forma de  trabalho humano, e por conta disso mister se faz nos adequarmos a esta nova realidade.  Ela cria oportunidades econômicas que não tínhamos imaginado antes, cria novas funções e permite trabalhos remotos e espaços de co-working.

Todas as mudanças tecnológicas já ocorridas e que já estão impactando o trabalho humano representam apenas uma pequena parte  do que iremos viver nos próximos 20 anos. Novas tecnologias, ambientes de trabalho conectados virtualmente e em vários lugares, sistemas inteligentes de gestão de energia, inteligência artificial, etc. Em um mundo cada vez mais conectado, em que há milhares de dados em circulação pelo uso dos smartphones e dos computadores, é preciso olhar para o futuro e se adaptar à evolução tecnológica. É preciso aprendizado contínuo.

O primeiro passo é readaptar a educação visando a profissionalização para esse novo mundo que se constrói, com novas carreiras. A capacidade humana ainda faz diferença e há questões que apenas a habilidade dos homens é capaz de resolver. O mais importante é como iremos nos preparar para utilizar esses recursos da melhor forma possível.

*Janguiê Diniz é Mestre e Doutor em Direito – Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau – Fundador e Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional.

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