Shows musicais em Salvador marcam 100 anos de Samba

Cantora Daniela Mercury participa das comemorações dos 100 anos de samba.

Cantora Daniela Mercury participa das comemorações dos 100 anos de samba.

Zélia Duncan, Daniela Mercury, Juliana Ribeiro, Claudete Macedo, Gal do Beco, Verônica do Mar, Vânia Bárbara, Clécia Queiroz, Cláudia Costa compõem o time mulheres que celebram o samba e a contribuição feminina para o mais brasileiro dos ritmos

Os 100 anos de samba serão celebrados na Bahia durante a 44ª edição da Semana do Samba, que a partir de 27 de novembro realiza diversas atividades e, na sexta-feira, dia 2 de dezembro de 2016, Dia Nacional do Samba, o sempre apoteótico show que reúne grandes nomes do samba brasileiro, no Terreiro de Jesus, em Salvador, a partir das 19h.  E como este ano a Semana do Samba também homenageia as mulheres e sua atuação para a continuidade e renovação do gênero, Zélia Duncan é um dos destaques desta edição e chega a Salvador com o show baseado no seu mais novo disco “Antes do Mundo Acabar”, onde ela canta sambas.

Com direção geral de Edil Pacheco e direção de produção de Paulo Dourado, o Dia do Samba reúne outras grandes artistas como, Juliana Ribeiro, Claudete Macedo, Gal do Beco, Verônica do Mar, Vânia Bárbara, Clécia Queiroz, Cláudia Costa, todas cantando samba. Destaque para Daniela Mercury, que sempre flertou com o ritmo em suas variadas formas e fará uma apresentação especial. Mas há lugar para a voz dos homens também, claro. Edil Pacheco, Nelson Rufino, Walmir Lima, Gerônimo, Aloísio Menezes, Raimundo Sodré, Roberto Mendes, Roque Bentenquê, Tom Barreto e o grupo paulista Bambas de Sampa, subirão ao palco no grande show.

Semana de Celebração

Mas programação que comemora o samba na Bahia começa já do dia 27.11, às 10h, com uma roda de samba na Cantina da Lua voltada para o samba tradicional, contando com a participação de sambistas e sambadores baianos, com destaque para os grupos de Chula, Samba de Roda e grupos populares de Salvador do Recôncavo baiano; no dia 28, a partir das 15h, será realizada uma roda de conversa “O Tempo do Samba”, no Palácio da Aclamação; no dia 29.11, às 15h , no Centro de Cultura da Câmara Municipal, uma sessão especial proposta pelo vereador Odiosvaldo Vigas, será conduzida pelo sambista Edil Pacheco e terá como palestrante a também sambista Juliana Ribeiro e  o professor Paulo Dourado,; ainda no dia 29.11, haverá show de Gerônimo Santana, na Praça Pedro Arcanjo, às 20h,  com a participação de sambistas e sambadores;

Antes do Mundo Acabar

Zélia Duncan canta samba no seu mais novo disco “Antes do Mundo Acabar”, e traz composições inéditas, compostos por Zélia e vários parceiros, e outras que surgiram nas pesquisas de repertório, como “Por que você não me convida agora”, de nosso amado Riachão. Mas tem também músicas de Xande de Pilares, que co-assina três faixas e dá uma canja no samba “No meu país”, e parcerias com Pedro Luís, Ana Costa, Bia Paes Leme, Zeca Baleiro e Arlindo Cruz. Da pesquisa inicial, Zélia Duncan registrou sambas Paulinho da Viola (“Pintou um Bode”), Dona Ivone Lara e Delcio Carvalho (“Em cada canto uma esperança”) e Moacyr Luz (“Vida da minha vida”). “São 5 mestres, além de uma linda composição que Pretinho da Serrinha, Leandro Fab e Fred Camachofizeram especialmente para mim (“Por água abaixo”) ”, comemora. “Antes do Mundo Acabar” já é um sucesso – além de super bem aceito pela crítica, consagra Zélia como (também) cantora de samba e promete botar toda a família para cantar e dançar como se não houvesse amanhã.

O Samba faz 100 Anos

O dia 27 de novembro 1916 entrou para a história da música como data oficial do nascimento do samba porque foi neste dia que ocorreu o registro na Biblioteca Nacional de “Pelo Telefone”, oficialmente o primeiro samba da história. A composição era de Donga, filho da baiana Tia Amélia (parceira da lendária Tia Ciata, entre outras baianas festeiras que se mudaram para o Rio) e foi gravado em 1917 por “Baiano”, um cantor e violonista, natural de Santo Amaro da Purificação, à época muito conhecido no Rio de Janeiro.

O fato é que o Samba de Roda já existia na Bahia, em todo o Recôncavo, desde o início do século XIX. Surgiu integrado às festas dos Terreiros de Candomblé, como parte do processo de reorganização social e aculturação em terras brasileiras da comunidade afrodescendente. Expressava os sentimentos de libertação e resistência que animariam os episódios do Ciclo da Independência como: a Conspiração dos Búzios (1793), o 2 de Julho (1823), a Revolta dos Malês (1832), a Abolição da Escravatura (1888), o Bembé do Mercado (1889) e a Guerra de Canudos (1897). Euclydes da Cunha já registra em Os Sertões a existência de “sambas” entre as festas tradicionais dos sertanejos da Bahia no Séc. XIX.

Levado para a Capital Federal por mães de santo como a Tia Ciata, e extraído do contexto das festas populares, das rebeliões libertárias, das senzalas e dos Terreiros de Candomblé, o samba ganhou no Rio de Janeiro o porte de grande arte e hoje ombreia em estatura os gêneros icônicos (de música/dança) da humanidade, como a valsa, o tango, o flamenco, o rock’n roll e a salsa. Aos cem anos de idade, o samba é hoje o ritmo nacional. Em sua percussão ecoa o coração do brasileiro. Quer dizer, é no Samba que pulsa a vida, a identidade e a inteligência poética capaz de unir todo o povo dessa nação.

O Samba Nasceu na Bahia

Os africanos capturados pelo tráfico escravista eram oriundos de uma grande variedade de etnias e falavam línguas distintas. E assim eram agrupados, (com base nessa diversidade) para que não se entendessem, dificultando de toda forma a articulação de rebeliões e ações de resistência. Foi nesse contexto que os batuques e os toques dos orixás funcionaram como uma linguagem que aglutinou esses escravos permitindo um entendimento entre eles que ia além de simples palavras. E foi daí que surgiu o samba em toda a sua diversidade.

A matriz foi o samba da Bahia (o samba de roda) surgido no Recôncavo e que é hoje tombado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. A programação da Semana do Samba 2016 em função dos cem anos deste gênero, busca refletir toda a amplitude e diversidade do universo cultural articulado à história do samba, uma das principais riquezas da cultura nacional. Ritmo que, pode-se dizer, dá origem a todas as realizações musicais tipicamente brasileiras e é um dos principais elementos da identidade cultural nacional, dentro e fora do país.

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