Salvador: Sexo, Drogas & Axé Music ocupa o porão do Poró Restaurante & Bar

Cena do espetáculo 'Sexo, Drogas&Axé Music'.

Cena do espetáculo ‘Sexo, Drogas & Axé Music’.

Intrigante, provocador e sagaz como sempre, Ricardo Castro vive em Sexo, Drogas & Axé Music a personagem Ramlet, o príncipe do carnaval (grafado assim mesmo: com R). Completamente viciado nesse gênero musical, o protagonista busca tratamento num grupo de reabilitação, enquanto revive passagens e memórias dessa trajetória dos 30 anos de Axé Music. Inserindo como pano-de-fundo Hamlet (peça de William Shakespeare escrita entre 1599 e 1601), o ator recria a narrativa, atribuindo às personagens da trama – como Ofélia, Horácio, Cláudio, entre outros – figuras de grandes cantoras, cantores, artistas e grupos dessa cena; fazendo um rodízio de homenagens a cada sessão. A peça está em cartaz porão do Poró Restaurante & Bar, aos sábados (até o final de 2016), sempre às 20h. Os ingressos custam R$ 20,00.

Diferente de outras montagens da cena teatral baiana, Sexo, Drogas & Axé Music  não é um recital nem tampouco é dividida em esquetes. Parte do texto é feito com frases de diversas músicas emblemáticas, porém descoladas do contexto original. Através de trechos dessas canções, da base shakespeareana e do próprio discurso e abordagem do intérprete, Ricardo Castro desenha sua dramaturgia ficcional sob a ótica de quem acompanhou, viveu e pulou muitos carnavais – sem obrigações cronológicas, documentais ou lineares.

Os contrastes e diálogos do enredo são bem pitorescos, ao trazer para a trilha sonora, por exemplo, a composição clássica Lascia Ch’io Pianga, do músico alemão Friedrich Händel (1685-1759); interpretada por Edson Cordeiro. Ao mesmo tempo que contrasta com o universo pop e festivo do tema, se conecta com a atmosfera da obra do autor inglês.

“Händel e Shakespeare também foram muito populares em suas épocas, cada um em seus lugares de origem. Eu escolhi essa música pelo teor dramático, por ser oportuna, por caber como uma luva na história da personagem. Ainda mais quando a letra diz Deixa que eu chore a minha cruel sorte e que suspire por liberdade”, justifica Castro.

Embora haja esse aspecto, o artista salienta que a tônica do seu trabalho sempre foi o humor.  E avisa que a ideia da peça não é deixar claro o que é Axé Music, mas perguntar tudo de novo: Onde começa?, Onde termina?, Até onde é isso?, provocar questões.

“Eu li algumas teses, ensaios, conversei com algumas pessoas, mas o ponto de partida são minhas experiências. Mergulho na Axé Music como essa mistura de diversos ritmos, a partir da música Fricote  – quando se atribui o início do movimento a Luiz Caldas –  e vou até os dias atuais. E não pretendo definir nada”, explica.

Durante os seis meses de temporada de Quem Souber Morre (2015) – solo do artista que antecede esse trabalho – um trecho de Sexo, Drogas & Axé Music foi incluído; sempre aplaudido em cena aberta. Essa recepção do público confirmou ainda mais o desejo de Castro de trazer essa história para o palco. Sexo, Drogas & Axé Music abre o calendário do projeto Solo Fértil, no qual o artista volta a apresentar, ao longo de 2016, todo o seu repertório de trabalhos solos.

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