Representantes de entidades da classe trabalhista de Feira de Santana revelam luta política por direitos; confira entrevista com Adroaldo Santos

Carlos Augusto entrevista João Rocha, Marlede Oliveira e Adroaldo Santos.

Carlos Augusto entrevista João Rocha, Marlede Oliveira e Adroaldo Santos.

Adroaldo Santos:A crise do capitalismo está jogando nas costas da população o fardo dessa crise.

Adroaldo Santos: a crise do capitalismo está jogando nas costas da população o fardo dessa situação.

Na segunda-feira (07/11/2016), representantes de entidades da classe trabalhista de Feira de Santana concederam entrevista ao Jornal Grande Bahia sobre os protestos planejados para sexta-feira (11/11/2016) e para o próximo dia 25 (sexta-feira), em Feira de Santana e no Brasil.

Adroaldo Santos, representando a Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Feira de Santana (ADUFS); Marlede Oliveira, representando a APLB Feira de Santana e João Rocha, representando o pensamento trabalhista comentaram sobre os desafios da classe trabalhadora em manter direitos, frente a crise econômica que afeta o país e as mudanças na estrutura político/jurídica que atingem o trabalhismo, com perda de direitos para a classe, decorrente  da liderança conservadora do governo Michel Temer, representante do establishment.

A entrevista durou cerca de duas horas e foi dividida em três blocos. No primeiro bloco são destacadas as avaliações de Adroaldo Santos. Na sequência, serão publicadas as entrevistas com Marlede Oliveira e João Rocha.

Confira 1ª Bloco de entrevista com Adroaldo Santos

Jornal Grande Bahia – Como analisa o momento político atual e o que está motivando o sindicalismo e os movimentos populares a protestar?

Adroaldo Santos – A caracterização que nós fazemos é de que há um verdadeiro golpe no país, que começou com o impeachment da presidente Dilma Rousseff e se traduz, hoje, na retirada de diversos direitos, no verdadeiro ataque contra os conjuntos dos trabalhadores, a partir da PEC 241/PEC 55. A PEC corta e congela os investimentos em políticas públicas, particularmente em saúde, educação, previdência e assistência social. Outra proposta que retira direitos dos trabalhadores é a PEC 746, que a reforma do ensino médio.

Está ocorrendo, também, a criminalização dos movimentos sociais. Então são vários os ataques do governo Temer aos direitos dos trabalhadores e das minorias. É um conjunto de ataques que vem orquestrados pelos países imperialistas contra os conjuntos dos trabalhadores. Esses ataques se estendem por diversos países do mundo, na América Latina em partícula.

Os movimentos estão se organizando em reação a esses ataques de direitos, temos paralizações marcadas para o dia 11 e 25 de novembro. Queremos mobilizar o conjunto dos trabalhadores.

A crise do capitalismo está jogando nas costas da população o fardo dessa situação. Então o capital, para se manter, inclusive manter o lucro, a acumulação, ele retira direitos. Nesse processo tem a reforma da previdência e uma série de outras medidas que tem o intuito e a gente faz uma caracterização que quer o verdadeiro golpe contra os trabalhadores e servidor público, inclusive essa coisa de servidor público é porque há dentro desses ataques o objetivo prático que é de acabar com o serviço público, acabar com todas as políticas públicas, para dar vazão ao investimento na iniciativa privada.

JGB – O governador do Maranhão, Flávio Dino, em recente entrevista, fala que obviamente nós temos um governo conservador. Ele provoca sobre a necessidade de formar uma frente ampla de esquerda para trazer a questão trabalhista para o centro do debate, inclusive, aglutinando o centro da sociedade para a formação da frente que possa disputar e vencer as eleições em 2018. Como analisa essas proposições?

Adroaldo Santos – O problema não está em uma frente de esquerda ou uma grande frente eleitoral. Toda essa situação de ataque que os trabalhadores vêm sendo vítima, ela é decorrente do grande capital e mostra exatamente os limites do parlamento, inclusive a análise equivocada da esquerda que acha que pelas eleições é capaz de mudar qualquer coisa. As eleições são cartas marcadas, é uma verdadeira farsa em que só os representantes dos grandes partidos se elegem. É importante uma frente de luta, uma frente de mobilização, uma frente de cotidiano nesse refluxo que o movimento trabalhista vem passando nos últimos anos.

Leia +

Representantes de entidades da classe trabalhista de Feira de Santana revelam luta política por direitos; confira entrevista com Adroaldo Santos

Presidente da APLB Feira de Santana Marlede Oliveira fala sobre luta política da classe trabalhadora e construção de um país socialmente justo

Outras publicações

Deputado Carlos Geilson volta a cobrar construção de viaduto na Av. Nóide Cerqueira em Feira de Santana Carlos Geilson: “Como pode uma avenida ser ligada a uma BR sem um viaduto para dar esse suporte? Como está sendo traçado, ao sair da Avenida Nóide Ce...
DiCamarote foi eleito o melhor camarote da Micareta 2015 de Feira de Santana Troféu Oscar Folia premiou os melhores da micareta de Feira de Santana 2015. Em 2015, o camarote que mais fez bonito na Micareta de Feira foi o Dica...
Agricultura familiar tem mais crédito em Feira de Santana Ao gerar trabalho e contribuir para o aumento da produção familiar, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), do Ministé...

Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.