Nestor Cerveró também nega ter tido qualquer conversa de ilegalidade ou financiamento com ex-presidente Lula

Nestor Cuñat Cerveró na sala de comissões do Senado Federal durante audiência pública da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Mista da Petrobras.

Ex-diretor da Petrobras é a quinta testemunha de processo contra Lula que fica calada sobre acordos que fez com a Justiça de outro país.

O ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, em depoimento realizado nesta quinta-feira (24/11/2016) na Justiça Federal em Curitiba, disse jamais ter tido uma reunião sozinho com Lula ou discutido com o ex-presidente qualquer irregularidade. Disse também que nada sabe a respeito do apartamento 164-A, em do Guarujá, cuja propriedade é da construtora OAS. Cerveró falou em Curitiba como testemunha de acusação do MPF-PR (Ministério Público Federal do Paraná) em processo em que procuradores acusam ula de ser o “proprietário oculto” de tal imóvel.

O ex-executivo da estatal falou a respeito da relação que tinha Lula, enquanto presidente da República, com a administração da maior empresa do país. Ele disse que Lula jamais interferiu em qualquer contrato. Afirmou que o então presidente defendeu a instalação de refinarias no Nordeste e a internacionalização da empresa – o que, de resto, seria papel de um presidente da República: dar as linhas gerais, mas sem interferir em contratos.

“Quando eu entrei a Petrobrás atuava em 6 países. Quando eu saí, eram 27. O presidente Lula era simpático à ampliação da Petrobrás como uma ampliação da atuação do Brasil no exterior.” – disse Cerveró.

Assim, Nestor Cerveró se junta a lista com mais sete nomes de testemunhas de acusação do MPF-PR que negaram ter conhecimento de qualquer irregularidade cometida por Lula no âmbito da Petrobras.

Sob orientação dos seus advogados, Cerveró se recusou a responder se está negociando acordos de delação com outros países. É a quarta testemunha listada pelo Ministério Público Federal no processo contra o ex-presidente Lula que estaria negociando colaboração com outros países. E a quinta, em 8 testemunhas, que se recusa a responder perguntas por estar negociando acordos de delação com autoridades brasileiras ou estrangeiras.

O ex-diretor disse ter sido indicado ao cargo pelo governador Zeca do PT, sob patrocínio de Delcídio do Amaral (que, por sua vez, quando foi diretor no governo FHC, teve o apoio de Jader Barbalho e Geddel Vieira Lima para também assumir uma diretoria na Petrobras). Cerveró fez questão de dizer que Zeca do PT jamais relacionado a financiamentos de campanhas ou partidário.

Cerveró contou que saiu do cargo em maio de 2008 por pressão do PMDB da Câmara, inclusive que foi informado disso por Silas Rondeau, que o PMDB colocou isso como condição para votar pela volta da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras), que passou na Câmara e depois caiu no Senado. E que, no dia em que saiu da diretoria internacional, foi indicado para uma diretoria na BR Distribuidora. Segundo Cerveró, ele soube por José Eduardo Dutra (então presidente da estatal) que. diante da saída dele da Petrobrás, seria “compensado” pelo então presidente Lula sendo indicado para uma diretoria financeira na BR Distribuidora.

Depois, Cerveró disse que “teve informações”, por meio do ex-presidente do Banco Schahin, de que sua indicação para BR teria sido uma retribuição por ter resolvido uma dívida do PT com a contratação de uma sonda do Banco Schahin.

O ex-diretor também confirmou no depoimento que o ex-senador Delcídio do Amaral teria negociado propina no Governo FHC com as empresas Alstom e GE, e que repassou ao ex-senador Delcídio cerca de 2,5 milhões de dólares de vantagens indevidas, pago algumas vezes atendendo a pedidos do senador Delcídio, que fechou um acordo de delação e é uma das testemunhas da acusação no processo contra Lula.

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