Moscou ultrapassa Pequim em ritmo de crescimento urbano

Moscou, capital da Federação Russa.

Moscou, capital da Federação Russa.

Para quem visitou Moscou há alguns anos e decide voltar à capital russa agora, é provável que não a reconheça. Só neste ano mais de 50 ruas foram reformadas, zonas para pedestres foram ampliadas, e surgiu um novo tipo de transporte público: o Anel Central de Moscou, com trens de alta velocidade que ligam as várias partes da cidade.

Além disso, a prefeitura fez uma varredura para acabar com as dezenas de quiosques, barracas e estabelecimentos comerciais construídos ilegalmente.

Paralelamente, as praças vêm sendo transformadas em áreas acolhedoras, enquanto os grandes parques industriais ao redor da cidade, agora extintos, são convertidos em espaços públicos e empreendimentos residenciais.

É difícil dizer se a cidade tornou-se mais verde, porque as árvores recém-plantadas ainda não cresceram o suficiente, mas o número de pássaros e esquilos em seus entornos já aumentou visivelmente.

Porém, apesar da aparente melhoria, as mudanças realizadas nos últimos anos são alvo de controvérsia e ainda dividem a opinião de especialistas e moscovitas em geral.

Homem vs natureza

O principal conflito que surge com o programa de melhorias está na luta por espaço entre veículos e pedestres.

Para garantir que a cidade, com população de quase 20 milhões de habitantes, não fique paralisada em enormes engarrafamentos, as autoridades municipais propõem a expansão das principais vias fora do centro à custa de árvores e jardins centenários.

“Ainda não consigo perdoá-los pelo que fizeram em nossa rua. Antes, a calçada era separada da via por uma fileira de tílias com mais de 60 anos. Para agilizar o tráfego, eles destruíram tudo”, conta a moscovita Antonina Belova.

Já na zona leste, os moradores estão fazendo uma campanha contra os planos de construir uma via através do parque florestal pertencente à propriedade de Kuskovo, que data do século 18 e tem estatuto de patrimônio cultural.

O conflito entre urbanismo e natureza é uma constante na capital, segundo o chefe do estúdio de arquitetura e design Pokrovskys’ e membro da União Russa de Arquitetos, Aleksandr Pokrovsky.

No entanto, segundo o arquiteto, a solução estaria em um procedimento bastante simples. “Antes de cortar uma árvore, plante outra primeiro”, dispara.

Não se pode, porém, dizer que as autoridades locais ignoram a importância do meio ambiente no cenário urbano. Ao longo dos últimos anos, diversas áreas verdes da cidade foram remodeladas, e 160 novos parques, inaugurados.Ao lado do Kremlin, por exemplo, um novo parque em construção, chamado Zariadie, será aberto já no próximo ano, quando Moscou comemorará seu 870º aniversário.

Segundo Pável Sonin, que comanda a associação juvenil União dos Arquitetos Moscovitas, a capital russa pode ser resumida em uma palavra: variegada, isto é, que apresenta cores e formas variadas. “Qualquer pessoa pode se sentir confortável nesta cidade porque qualquer um pode encontrar um lugar a seu gosto”, explica.

No centro da cidade, observa-se também um aumento das áreas para pedestres, em detrimento de carros – com novas áreas de estacionamento pago, calçadas ampliadas e projetos para introduzir uma taxa de congestionamento.

A tentativa de tornar a cidade mais ‘humana’ esbarra, porém, na resistência dos próprios moscovitas, que nem sempre estão dispostos a mudar seus hábitos, destaca o arquiteto Aleksandr Airapetov.

Velho e novo se misturam

Outro tema que é alvo de controvérsia entre os moscovitas se refere ao aspecto histórico da cidade: os edifícios antigos deveriam ser restaurados, ou novos prédios deveriam ser erguidos caso os antigos estejam muito danificados?

As autoridades municipais costumam optar pela primeira opção, com a recriação de fechadas, edifícios históricos e até postes com base em desenhos e fotografias antigas. Entretanto, para o cofundador e diretor do escritório de arquitetura Wall, Ruben Arakelian, a restauração de edifícios não deve ser feita de forma indiscriminada.Segundo ele, é mais importante pensar na qualidade do que no componente visual. “É melhor investir o dinheiro para resolver o problema de escoamento do esgoto do que gastá-lo restaurando a aparência autêntica dos postes de iluminação”, afirma.

Arakelian elogia, porém, o desenvolvimento de novas áreas públicas, seja parques ou antigas instalações industriais reformuladas, e acredita que o atual movimento tenha a ver com o aumento do tempo gasto pelos cidadãos com atividades ao ar livre.

Opinião semelhante é apresentada pela moscovita Olga Voronova, que admite gostar mais de Moscou agora que pode desfrutar da vida na capital.

“Gosto da forma como a cidade está sendo organizada, dos espaços voltados para arte. Mesmo comparando com outras cidades europeias, Moscou está muito legal”, diz.

*Com informações do Gazeta Russa.

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